[Resenha] Boas meninas não fazem perguntas

Obra: Boas meninas não fazem perguntas

Autor: Lucas Mota

Editora: Publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Distopia

Número de páginas: 159

Sinopse:

Após uma descoberta científica questionável, a Metrópole superou seus anos de recessão econômica através da legalização do comércio de mulheres.
Cansada de ser tratada como um produto, Marina decide fugir. Para isso, precisará enfrentar a Força, um departamento policial com alta tecnologia especializado na vigilância e aprisionamento feminino. Isso, é claro, se puder se livrar de sua coleira, que emite choques ao ser removida além de denunciar sua localização.

 

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Este livro é uma leitura necessária. É uma crítica social pesada. É um soco no estômago da sociedade machista. Mas também é um livro que poderia ter a escrita mais polida.

Vamos lá. Temos aqui uma mensagem crua e direta, sem rodeios. Nada de simbolismos figurativos ou filosofias nas entrelinhas (não que eu não aprecie isso, pelo contrário, amo demais). Mas Lucas escolheu jogar na cara do leitor e gritar com todas as forças: a sociedade do livro é uma exageração da sociedade de merda em que vivemos. Existe um elemento de proximidade aqui. Nossa sociedade atual não está tão distante da distopia apresentada no livro (mesmo levando em conta que a justificativa para a existência dessa sociedade distópica seja um tanto fantasiosa). Isso é o que dá um peso tão grande à obra. Ao mostrar uma versão exagerada, mas plausível, do que somos como sociedade machista, percebemos o quão errada e doente é a nossa sociedade, e o quanto o feminismo se faz necessário. Continuar lendo

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21 coisas que aprendi fazendo Matemática

Hoje, 6 de Maio, o Brasil comemora o Dia do Matemático, em homenagem ao professor Júlio César de Mello e Sousa, também conhecido por seu pseudônimo Malba Tahan. O professor Júlio César dedicou sua vida ao ensino e divulgação da Matemática no Brasil, e publicou diversos livros que abordam o tema de maneira lúdica, como o famoso O homem que calculava.

 

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Professor Júlio César de Mello e Sousa, aka, Malba Tahan

Assim, para comemorar a data, eu elaborei uma lista de 21 coisas que aprendi ao longo desses anos cursando Matemática. É uma postagem antiga, na verdade, datada de 2012, mas continua atual. Continuar lendo

[Resenha] Araruama: o livro das sementes

Obra: Araruama: o livro das sementes

Autor: Ian Fraser

Editora: Moinhos

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 242

 

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Esse é outro livro que se destaca pela construção de mundo. O universo criado por Ian é inspirado em diversas culturas indígenas da América, e eu acho essa ideia totalmente válida. Assim como falei na resenha de O homem de azul e púrpura, é um tipo de abordagem necessária, e que se destaca pela originalidade, e pela iniciativa do autor de escrever em um universo fora do padrão Europa medieval.

Achei legal que é um mundo muito jovem que está amadurecendo, digamos assim. Ele ainda está em formação, a cultura está mutando, as pessoas estão mudando, coisas estão sendo inventadas, novas ameaças estão surgindo, novas coisas que antes não tinham nome estão sendo nomeadas. Por isso mesmo que o subtítulo da obra é O livro das sementes. É um mundo que ainda florescerá. Ou, como está escrito na sinopse: essa é uma história de quando o mundo ainda era cru. Continuar lendo

[Resenha] Ordem Vermelha

Obra: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação

Autor: Felipe Castilho

Editora: Intrínsica

Gênero: Fantasia sombria

Número de páginas: 448

 

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Essa obra é foda, mas com ressalvas. Ordem Vermelha é a prova de que literatura fantástica pode (e deve) ser relevante. É a prova de que temas atuais e necessários podem (e devem) ser trabalhados dentro de uma trama de fantasia. Até porque, o gênero fantástico é perfeito para servir de metáforas\analogias\simbolismos do mundo real. É exatamente isso que Felipe Castilho faz em sua obra. Mas é preciso deixar bem claro que ele comete alguns deslizes. Continuar lendo

[Resenha] O Quatro

Obra: O Quatro

Autor: Ariel Ayres

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia urbana\terror cósmico

Número de páginas: 227

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Então, ele livro me deixou bem dividido. Vamos começar pelas partes que gostei:

O Narrador. Veja bem, eu disse Narrador, não narrador. É um conceito interessante. Além de narrador, ele também é um personagem, mas não temos aqui um narrador-personagem. Está mais para um ser onisciente que é de algum modo responsável pelos eventos do livro, mas que está só observando mesmo. Ou melhor, ele observa e comenta, e seus comentários são muito bons. Ele realmente interage com o leitor, dando uma falsa impressão de quebra da quarta parede. Ele é sádico, cínico, odeia a raça humana, e só quer ver o circo pegar fogo. E vai mesmo. Continuar lendo

[Resenha] Guerras Cthullu

Obra: Guerras Cthullu

Autor: vários autores

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: terror cósmico

Número de páginas: 230

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Como um fã do legado de H.P. Lovecraft, e um apoiador da literatura fantástica nacional, eu não poderia deixar de conferir Guerras Cthulhu. Adorei a leitura. Os quatro contos são bem distintos um do outro, deixando bem claro que temos aqui quatro autores de estilos próprios.

Mas algo que me chamou a atenção, e não poderia deixar de mencionar, é o esmero que eles tiveram com a pesquisa (pelo menos nos três primeiros contos). Nota-se isso facilmente ao observamos as notas de rodapé no final, explicando vários termos e elementos inseridos ao longo das histórias. Os autores realmente se preocuparam em escrever tramas complexas, orgânicas, com uma riqueza de detalhes impressionante. A quantidade de referências é enorme, algo que deixaria o Capitão América orgulhoso (inclusive uma referência a Nietzsche que me fez dar um sorriso espontâneo). Os autores se mantiveram fieis aos mitos de Cthulhu, mas também não perderam o senso de realidade, quando necessário.

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[TAG] Oscar Literário: Vencedores

A espera acabou. É chegada a hora de anunciarmos os vencedores da terceira edição do Oscar Literário do blog Ponto de Acumulação. Se você perdeu o anúncio dos indicados, confira a lista aqui. E agora sem mais delongas: and the Oscar goes to…

MELHOR WORLDBUILDING

O homem de azul e púrpura

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Ilustração do próprio autor Vilson Gonçalves, representado um dos povos de Quatrocantos

O livro do Vilson tem alguns problemas de trama e ritmo. Porém, o mundo criado pelo autor é magnífico. É um mundo rico, cheio de detalhes, muito bem pensado. Mas o aspecto mais interessante é que é um universo baseado na culturas pré-colombianas. Poucos livros de fantasia focam nessa temática. Por esses motivos ele vence nessa categoria.

EDIÇÃO MAIS BONITA

Rubra – A guerreira carmesim

rubra

A edição desse livro é primorosa. Capa belíssima e uma diagramação caprichada, cheia de detalhes. Leva essa com louvor.

MELHOR CONTO DE AUTOR NACIONAL Continuar lendo