[Resenha] Lobo de Rua

Olá, pessoal!

Estou aqui hoje para mais uma resenha de um autor nacional. Trata-se do conto (ou novela?) Lobo de Rua, da Janayna Bianchi. O e-book está disponível na Amazon e a história faz parte do universo da Galeria Creta, este livro que ainda nem foi lançado e já amo pacas :3

Título: Lobo de Rua

Autora: Janayna P. Bianchi

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: fantasia urbana.

Número de páginas: 75

Sinopse: Raul é um morador de rua que repente se vê enlaçado pela maldição do lobisomem. Amedrontado, sem amigos e sem conhecimento do mal que há dentro de si, ele amarga sua dor nas ruas de São Paulo. Até que conhece Tito, um lobisomem mais experiente, que se compadece de sua condição e toma-o como seu protegido. Tito explica a Raul sobre a condição que aflige aos dois e fala do local onde podem “passar as horas de lobo sem perturbar nenhuma alma, além das nossos próprias”. Ele estava se referindo, é claro, à Galeria Creta.

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Capa do livro. Há mais ilustrações como esta no miolo. O artista está de parabéns.

Pois bem, já deu para notar que Lobo de Rua é sobre lobisomens. Eu não era muito fã de histórias envolvendo as criaturas lupinas… Até que encontrei o trabalho da Jana. Bem, por não conhecer outros títulos abordando o mesmo tema eu não sei precisar o quanto a obra dela é diferente das que se encontram por aí, mas bem… ela é diferente. E por um motivo que eu gostei muito: ela aborda a maldição da licantropia de uma maneira razoavelmente lógica. Não é algo sobrenatural ou mágico, mas sim uma doença sexualmente transmissível (muito embora pareça haver também uma predisposição genética na parada). Isso eu achei muito interessante, porque foge do lugar comum. Eu tive realmente a impressão de que a licantropia é uma doença, causada, talvez, por algum tipo de microrganismo (não sei realmente se foi essa a intenção da autora). O fato é que ela descreve precisamente a forma de transmissão e os “sintomas”. Ela chega ao ponto de mencionar uma literatura técnica sobre o assunto! Tudo é claro, de mentirinha, para o bem da fantasia. Ponto para a Jana!

Ademais, a autora descreve com riqueza de detalhes o processo de transformação, que não é brusco e sem sentido, pelo contrário, é algo gradual, que segue um ritmo próprio. O lobisomem começa a sentir os efeitos da transformação dias antes da lua cheia e o processo se acelera cada vez mais à medica que a fatídica noite se aproxima. E o processo, como você pode imaginar, é muito doloroso e a autora soube descrevê-lo bastante bem. Foi quase como seu eu pudesse sentir a transformação pela qual o pobre Raul estava passando.

Jana constantemente fazia paralelos entre as duas maldições que Raul carregava: a licantropia e a indigência. Ela conseguiu destacar bem as condições desumanas que afligem os moradores de rua, como Raul. Se ser um lobisomem já é ruim por si só. Imagine então a situação de um morador de rua que teve caiu na desgraça de ser contaminado por esta maldição? Um verdadeiro lobo de rua? Ou, como disse Tito, “como explicar o absurdo da licantropia para alguém cuja vida já carecia de sentido”? Esse foi um ponto realmente marcante da história.

A escrita é boa, enxuta e direta, embora levemente rebuscada, mas nada que realmente atrapalhe a fluidez da leitura, que segue bastante agradável. As descrições não são enfadonhas e dão uma visão clara de toda a ação. A gramática e revisão estavam impecáveis (encontrei apenas um errinho besta), o que certamente conta positivamente quando se leva em conta que esta é uma publicação independente.

Fica evidente, ao longo da leitura, como a autora se preocupou com os detalhes do universo que estava construindo, muito embora os elementos tenham sido tocados bem de leve. Certamente que o conto faz uma boa introdução o mundo e ao contexto da Galeria Creta, a qual é introduzida já no fim da história. Também conhecemos de relance o personagem Téo, que será o protagonista do futuro romance. Mas enfim, estou botando a carroça à frente dos bois. O final, embora inesperado, foi bem posto, ao meu ver, e dá um cliffhanger interessante para seu romance principal.

Eu poderia falar mais, mas não quero encher o saco do leitor com mais impressões (e também porque eu perdi minhas anotações hahaha). Mas enfim, este é um e-book que vale ler. Se existe algum ponto fraco nele eu não vi. Janayna Bianchi, anotem este nome, porque com certeza vocês ouvirão falar muito dele. É uma grande promessa da literatura fantástica nacional.

Veredito final: super recomendo. Leitura indispensável para todo amante da fantasia e dos lobos em especial.

Fiquem com este trecho selecionado:

“- Cacete… E… sei lá. Como você consegue? – perguntou Raul, genericamente, sentindo-se fraco. Várias coisas lhe passavam pela cabeça. Que iria para o inferno era a primeira delas.”

Link para o e-book na Amazon

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