[Resenha] O Aprendiz do Arquimago

Olá, pessoal! No último post, eu fiz uma resenha do conto “A sina do forasteiro”, que se passa no universo de Herannon. Agora chegou a vez de ‘O Apendiz do Arquimago’.

Obra: O Aprendiz do Arquimago

Autor: Michael A. Iora

Editora: Chiado

Gênero: fantasia épica

Número de páginas: 627

Sinopse:

“Você foi honrado com a oportunidade de ser meu discípulo, uma honra que qualquer um dos acadêmicos de Everard desejaria, pois embora tenham bons mestres, eu estou muito acima de todos eles. O treinamento será muito mais árduo, não duvide disso, mas terá suas recompensas. Se sobreviver, digo, se resistir até o final, sob a minha orientação você virá a tornar-se um mago de altíssimo valor, admirado e invejado por muitos.”

Entretanto, o menino elfo descobre amargamente que tamanha honra não é concedida sem que um alto preço tenha de ser pago, e que simplesmente estar sujeito ao desagradável temperamento de seu excêntrico e arrogante tutor deve ser a pior prova que alguém pode ter de suportar. Não obstante, ele se vê obrigado a enfrentar não apenas um treinamento extremamente rígido e insano, mas também a saudade de sua mãe e um sentimento de urgência crescente.

Conseguirá o garoto conquistar sua tão desejada graduação, superando todos os desafios impostos e, pior, a crueldade e intolerância de seu próprio mestre?

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Bem, acho que com este título e esta sinopse já deu para sacar qual é o plot do livro. Aglarion é um jovem elfo que encasquetou que queria se tornar um grande guerreiro, assim como sua mãe. Para mim não ficou bem claro o motivo, nem porquê a mãe não concordou. Mas bem, esta decidiu que ele poderia ser um mago e assim convenceu um velho conhecido, que por acaso é apenas o maior Arquimago do Vasto Mundo, a treinar o guri.

Mas o mestre Kyehntw’arthal (pqp, que nome mais escroto da peste!) não é exatamente a pessoa mais doce e paciente do Vasto Mundo, e a muito contragosto aceitou tomar o elfo como discípulo. O livro basicamente contra a história (dos vários ciclos) do treinamento de Aglarion e como ele conseguiu suportar o gênio difícil de seu mestre.

Confesso que quando li esse plot fiquei com o pé atrás. Me pareceu um tanto arriscado escrever um livro de mais de seis seiscentas páginas para falar do treinamento de um aprendiz de mago. Mas o livro me surpreendeu positivamente nesse aspecto. A história flui muito bem. Apesar do tamanho, acho que foi um dos livros que li mais rápido. Mike soube criar um clima envolvente e inseriu plots menores ao longo da trama, que deram o dinamismo necessário para que a história fluísse bem.

Mas dito isso, devo ressaltar que o verdadeiro conflito da história demorou a aparecer. Pow, levou mais de trezentas páginas para que “Aqueles que se Elevam em Poder” fossem mencionados. Sacanagem isso. Acho que eles poderiam ter sido introduzidos antes, mas isso é opinião pessoal. E, avaliando a proposta do livro, está bem condizente, afinal, o foco é no treinamento de Aglarion. Só espero esse conflito seja melhor explorado nos livros subsequentes.

Falando em treinamento, como não poderia deixar de ser, este foi bem mostrado ao longo do livro. O sistema de magia é bem coerente e, de modo geral, gostei de como a magia funciona. Mas algo que me incomodou é que ela possui poucos limitantes. Existe o conceito de “desgaste arcano”, mas não ficou claro como isso acontece em elfos, já que eles não morrem de causas naturais. Mas fora este limitante, eu achei as possibilidades para a magia, digamos, muito overpower. É dito que Kyehntw’arthal é capaz de erguer montanhas do nada (isso é o que eu lembro, há outras coisas tão absurdas quanto) e dá-se a entender que ele seria tão poderoso quando as Supremas. (Outra coisa que não ficou claro para mim, se as divindades são reais ou apenas mito). E olha que os mestres de Kyeh (vamos chamá-lo assim, por simplicidade) aparentemente eram ainda mais poderosos que ele. Enfim, não curti muito essa magia tão overpower, mas isso é opinião pessoal.

Outra coisa que quero destacar, e na verdade, curti muito, é o forte caráter RPG do livro. É claro, muitos livros de fantasia possuem elementos de RPG (afinal, os jogos se inspiraram nos livros de fantasia), mas o livro de Mike, bem, ele é praticamente um RPG em forma de livro. Por exemplo, no começo do livro, Aglarion queria ser um guerreiro, mas sua mãe decide que ele será um mago. Além destas duas classes, outras duas são mencionadas: caçador e menestrel. Em qualquer caso, o aprendiz deverá estudar por vários ciclos a fim de se graduar e se tornar um aventureiro. Sem falar nos mobs. Temos de todo tipo, desde orcs e goblins até dragões. Mas o que mais me impressionou foi a cidade dos humanos (cujo nome esqueci e estou com preguiça de pesquisar). Velho, é uma típica cidade de RPG, com direito até a Ilhas Flutuantes e portais de teletransporte. Muito massa. Quero um jogo ambientado em Herannon agora!

O wordbuilding não é exatamente o forte do livro, mas pelo pouco que foi passado, dá para ter uma ideia de como é o Vasto Mundo de Herannon. São mencionadas pelo menos oito raças (elfos, humanos, anões, syrn’ë, tharalaist, nenj’ao, centauros e gnomos), mas as únicas que temos mais informações são os elfos, humanos e os tharalaist (resultado da miscigenação de elfos com humanos; Kyeh é desta raça). A mitologia também é tocada bem de leve. Espero ler mais sobre o wordbuilding de Herannon nos próximos livros. Algo que merece ser destacado são as unidades de medida. Mike criou sistemas métrico e de medição de tempo próprios e achei isso espetacular, embora diversas vezes tive que voltar no apêndice para entender aqueles estranhos nomes.

Agora, os personagens. No geral foram bem construídos. Na verdade, Mike conseguiu dizer quase tudo sobre as personalidades de seus personagens com poucas linhas de diálogo. Na minha opinião o mais marcante é, sem dúvidas, Kyehntw’arthal. O cara é arrogante, egocêntrico, se acha o bonitão das tapiocas, o pica das galáxias, é um tremendo machista, mas eu gostei dele. Ele é sincero, inteligente e, apesar dos pesares, sabe como treinar um aprendiz. Ele também tem as melhores linhas de diálogo, pontuadas com fino humor negro, e muito do que ele diz faz sentido (exceto no que diz respeito a mulheres; neste quesito ele é um completo babaca). Acho que ele é oito ou oitenta. Ou você gosta dele ou você o odeia. Eu gostei.

Também gostei de Aglarion. Apesar de ser meio chato e muito mimado, é persistente e possui um senso de auto-superação. E também uma forte tendência a questionar autoridades e esse traço vai de encontro com o egocentrismo do mestre. Acho que esse conflito de egos é justamente o charme do livro. Não poderia também deixar de mencionar Venidry, a pequena flor, que é outra elfa que está aos cuidados de Kyeh. Simplesmente amei essa personagem e espero reencontrá-la.

Ah, não poderíamos esquecer do animal de estimação do Kyeh, uma ave única deste universo, que atende pelo simpático nome de Desgraça e transforma pessoas em pedra. Achei isso genial. Ela só perde para os lagartos elementais, chamados de dracomins. Eles são a prova de que a magia em Herannon casa bem com mundo em si, e isso é um aspecto positivo.

Por fim, gostaria de traçar algumas linhas sobre o grande conflito do livro. Confesso que fiquei meio decepcionado quanto a isto. O plot twist foi bem construído, mas a motivação do traidor foi meio forçada. Um exemplo clássico de como uma ideia pode virar uma obsessão e daí tornar-se algo perigoso.

Veredito final: É bom e, se você curte RPG e magia, vai adorar.

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