[Resenha] A Chave do Monarca Azul

Obra: A chave do Monarca Azul

Autor: Bruno Moraes

Editora: publicação independente (por financiamento coletivo, via Catarse)

Gênero: horror cósmico\terror psicológico

Número de páginas: 195

Sinopse:

“65 em cada 100 crianças tem um amigo imaginário até os 7 anos de idade. 1 adulto em 7 bilhões descobre que o seu é real”

A história segue um autor de terror best seller , consagrado no cenário da ficção nacional como um dos maiores de sua geração. Às vésperas do lançamento do seu quarto romance, porém, ele recebe em casa uma correspondência que não havia encomendado. Era uma caixa. E o remetente se identificava como “Arlequim”, a entidade-pesadelo que o visitava em sua infância. E se ninguém mais sabe a respeito desta história, poderia o remetente estar falando a verdade?

Olá, pessoal! Aqui estamos com mais uma resenha para o blog. O livro de hoje é mais uma publicação de um autor independente e iniciante. O gênero é horror cósmico, mas eu diria que é mais que isso. Você entenderá quando ler o livro.

Para começar, quem é esse Monarca Azul? Além de ser uma referência ao Rei de Amarelo (pelo menos eu acho que é, um dia eu pergunto ao autor se isso procede), o Monarca Azul é uma entidade cósmica que atormentava a vida de um garotinho de sete anos. Sim, entidade cósmica, estilo Lovecraft mesmo. O cara é um figurão assustador, com uma boca que mais parece um buraco negro e uma roupa que lembra um bobo da corte. Mas de engraçado ele não tem nada. Daí o moleque batizou o ser de “Arlequim” e tentou se convencer de que era apenas um amigo imaginário, do tipo que não é divertido.

O garotinho cresceu e usou seus medos de infância para alavancar uma carreira como escritor de terror. Deu certo e, prestes a lançar seu quarto livro, ele já era um sucesso nacional. Foi quando seus medos de infância voltaram para atormentá-lo. O cara recebeu uma encomenda de ninguém menos que o “Arlequim”. É, pelo jeito a entidade não era menos apenas um amigo imaginário. Agora ele deve começar uma caçada pelas ruas do Rio de Janeiro para tentar desvendar o mistério que envolve essa estranha entidade cósmica.

Muito bem, é o seguinte: o livro é louco. Psicodélico talvez seja a palavra mais apropriada.  Exatamente isso. Tem uma anotação no meu caderninho dizendo “que p*#$% psicodélica!” Porque é. E não poderia deixar de ser. Afinal, estamos acompanhando a história de um escritor de horror mentalmente perturbado pela entidade que aterrorizou sua infância e que simplesmente voltou do limbo do esquecimento para o centro de sua vida.

Como dito já na orelha do livro, a história trata de conceitos não confiáveis: memórias, consciência e palavras. Esse é um ponto realmente interessante. O narrador não é nada confiável. Ele tem lapsos de memória. Pelo menos eu, ao ler, tive a impressão de que os fatos da história poderiam estar distorcidos pelas suas memórias e pela maneira como ele a contava. Se estavam ou não, só lendo.

Como já deve ter ficado claro, o narrador é em primeira pessoa. Em geral não curto esse tipo de narrador, mas para esta história a escolha caiu bem. Ele fica alternando a narração entre tempo presente ou pretérito, dependendo se estiver narrando um fato atual ou um flashback. Curti muito esse lance dos flashbacks, mas algumas vezes não ficava claro se era a timeline correta ou um flashback. O livro poderia ter sido mais claro nesse aspecto. (E só percebi a alternância na voz do narrador agora, relendo algumas partes para escrever a resenha).

A narração também é confusa. Em mais de um momento eu precisei parar a leitura, voltar e reler o trecho porque não havia entendido a passagem. Não sei se isso foi ou não intencional do autor, mas se não foi, o livro poderia ter sido melhor neste aspecto.

A linguagem está boa. As frases são curtas e rápidas, o que dava fluidez à leitura. A revisão está boa também. Não me lembro de ter encontrado nenhum erro. A diagramação está show. Achei genial grifar todas as falas do Arlequim em negrito (eles estão em azul na versão em PDF; aliás, um PDF de luxo, com letras brancas em fundo negro).

Quanto à história em si, eu adorei. Envolvente, tensa, pesada. Bruno não teve piedade de mostrar cenas chocantes e marcantes. O leitor mergulha junto na espiral psicológica que está sugando o narrador para um final surpreendente. E ao mesmo tempo há esse tom de impessoalidade nos personagens. Não sabemos qual é o nome do protagonista (e no final sabemos apenas o seu apelido). Aposto como isso foi pensado pelo autor, na tentativa de dar uma voz mais universal ao seu narrador. Porque, de uma maneira ou de outra, essa história é mais universal do que parece ser. Adorei também as várias referências à mitologia babilônica\semita\ polinésica. Eu confesso, tive que pesquisar no Google os nomes de algumas divindades mencionadas, mas achei legal mesmo assim.

Se eu falar mais, corro o risco de dar spoiler, então vou parar por aqui. Apenas recomendo a leitura desta obra. O livro tem seus pontos baixos, mas Bruno Moraes certamente começou bem sua carreira como escritor.

Veredito final: Recomendo para aqueles que gostam de um bom plot twist, simbolismos e metáforas.

 

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