[Resenha] Brasil Cyberpunk 2115

Obra:Brasil Cyberpunk 2115

Autor: Rodrigo Assis Mesquita

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: cyberpunk

Número de páginas: 46

Sinopse:

Em um futuro Brasil devastado pela guerra, a hacker Hel se junta a um grupo de mercenários contratado pelo homem mais rico do planeta para encontrar um artefato raro do século XXI, colocando a própria vida em risco no fogo cruzado entre humanos e androides.

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Olhem só essa capa linda da Gaby Firmo

Olá, pessoal! Estamos aqui com mais uma resenha (a última do ano, provavelmente). Trago a vocês outro autor nacional iniciante, mas com grande potencial.

Primeiro, gostaria de deixar registrado que comecei a escrever esta resenha ao som de If you wanna be my lover, do Spice Girls, mas não tem nenhum ser meio humano meio androide com cara de lobo ao meu lado. Nem estou usando drogas.

Dito isso, se eu fosse escolher uma palavra para descrever Brasil Cyberpunk seria esta: engraçado. Sério mesmo. O texto é leve e tem umas tiradas muito boas. A história se passa em uma São Paulo fodida em 2115, bem condizente com estilo cyberpunk mesmo. Mas não tem o tom sombrio que imaginei que teria. Pelo contrário, o tom é satírico. Cheio de referências à cultura e à sociedade atuais (ou não tão atuais) feitas com bastante bom humor. Dois exemplos, para vocês entenderem o que estou falando:

As paredes do lugar eram negras e estavam abarrotadas de quadros e pôsteres de ídolos da música clássica, como Jimi Hendrix, Beatles e Rebeldes.

Ou

Assim que Hel se levantou para ir embora, a jukebox começou a tocar um dos maiores clássicos da história da música mundial, If you wanna be my lover, das Spice Girls.

Ou seja, algo que tinha tudo para ter uma pegada mais sombria e pesada acabou se revelando bastante leve e bem humorado. Eu gostei disso e me diverti bastante lendo. A própria proposta do ebook é ser mais satírico, eu acho.

Vale lembrar que esta é a primeira obra do gênero cyberpunk que leio, então não sabia bem o que esperar do texto. Mas é claro, não poderia deixar de fazer o paralelo com as coisas que conheço do gênero. Já no meio do texto eu percebi que tinha um lance meio Blade Runner na parada, mas, infelizmente, não foi muito explorado. Mas é justamente esse o cliffhanger para o próximo livro (ou pelo menos eu espero que seja). Não vou entrar em mais detalhes para não dar spoiler, mas se você assistiu esse clássico do cinema, deve ter uma ideia do que estou falando.

O cenário poderia ter sido melhor explorado. Senti falta de mais descrições. E havia espaço para isso, já que o livro é bem curto (tá mais para um conto). Não fica muito claro o que aconteceu para que o mundo chegasse ao estado que estava. Em algum momento surgiram os androides, alguns governos caíram, houve um Grande Engarrafamento e o gosto musical ficou bastante duvidoso, mas fora isso, sem muitas informações. Mas o ambiente em si é muito interessante e as poucas pinceladas que Rodrigo deu nos revelam um universo bem rico, deixando um gostinho de quero mais.

Por ter mencionado da teoria da singularidade tecnológica, vi logo que o autor entende do assunto ou fez boa pesquisa. E ele está de parabéns. Suponho que não seja fácil escrever ficção científica, justamente porque não podemos sair escrevendo absurdos científicos. A coisa tem que ter alguma coerência.

Gostei muito dos personagens. Eles poderiam ter sido melhor explorados, especialmente a Hel. No final, senti que eles ficaram um tanto superficiais, mas nada que estragasse a história. Gostei especialmente da cachorrinha chamada Excel. Genial esse nome. Mas todos eles são bons, porque são icônicos, marcantes. O tipo de personagem que você visualiza com poucas palavras bem escolhidas. Mas sério, pelo menos a  Hel merecia ter sido melhor explorada. Tanto porque ela é a protagonista (e eu gosto de protagonistas femininas), quanto porque o passado dela parece ser bem misterioso. Falando nela, também não entendi até agora o papel dela na história. Tipo, porque o amigo Cauã (sim, parece nome de surfista :P) pediu ajuda a ela, para começo de conversa?

Uma coisa que me incomodou um pouco é o fato de o narrador ser onisciente em terceira pessoa. Não gosto muito quando o ponto de vista fica saltando de personagem para personagem. Mas esse recurso acabou se mostrando útil para conhecermos um pouco mais do universo do livro. Os diálogos, em certos momentos, me pareceram confusos também.

As cenas de ação foram legais. Apenas a primeira que me pareceu meio sem sentido, principalmente o desfecho. Mas eu tenho uma teoria sobre ela (que, obviamente, vou guardar para mim, para evitar spoilers ).

O plot é legal, bem trabalhado e bem divertido. O conto já vale só por ele.

Em resumo, acho que, pelo menos como eu vejo as coisas, o principal fator negativo da história é o tamanho. Por ser curto, não permitiu desenvolver bem elementos como cenário, história prévia e personagens. Mas também acredito que o plot não pedia por uma história grande, então fica por isso mesmo. Foi, no geral, uma boa introdução ao universo.

Veredito final: Porque você ainda não começou a ler mesmo?

P.S.: Termino esta resenha ouvindo outro grande clássica da música: Immortality, dueto da Celine Dion com Bee Gees.

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