10 motivos para você assistir Battlestar Galactica

Olá pessoal!

Rumores recentes indicam que um filme de Battlestar Galactica pode estar sendo produzido pela Universal e os fãs (e isso inclui esta pessoa que agora vos fala) estão eufóricos. Na minha opinião, Battlestar Galactica é um dos melhores shows de TV de todos os tempos e este artigo é uma tentativa de mostrar meu ponto. Não direi que BSG é perfeito. Há erros de roteiro e alguns dos mistérios não foram completamente elucidados no final. Mesmo assim eu acho é uma série que vale a pena assistir. E agora que há a possibilidade de um filme, porque não dar uma chance a este seriado e fazer uma maratona?

Esse texto foi escrito pensando mais no leitor que nunca assistiu ou ainda está no começo da série. Haverá alguns spoilers aqui ou acolá, mas como eu sou gente boa, indicarei precisamente o momento em que começa e termina o spoiler, bem como a temporada correspondente.

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Poster da série

Vamos começar do começo. Battlestar Galactica é uma série de ficção exibida pela Syfy, entre 2004 e 2008. Ela é na verdade um remake de uma série dos anos 70. A série original tentou pegar carona no sucesso de Star Wars. Eu nunca assisti a original, apenas o remake, mas pelo que li, a produção mais recente é muito melhor. E bem, independente da série antiga, a nova é muito boa por si só e no final eu espero tê-lo convencido a assisti-la.

A série em si é precedida por uma minissérie com dois longos episódios, exibida em 2003.

Premissa: afinal, do que trata BSG?

Imagine a seguinte situação: os humanos viviam em paz consigo mesmo e com os deuses em uma terra paradisíaca, até que alguma merda aconteceu e eles tiveram que deixar o local. Bem, assim começa a saga dos humanos. O lugar em questão não é o paraíso ou algo assim, mas um planeta chamado Kobol e os deuses eram os Senhores de Kobol (Lords of Kobol, no original). Não se sabe exatamente o que aconteceu, talvez algum tipo de incidente ou catástrofe ambiental, o fato é que algo quebrou a harmonia do lugar e os humanos tiveram que fugir. Eles saíram em busca de outro sistema planetário, um evento que ficou conhecido como “O Grande Êxodo das Doze Tribos”. Os textos sagrados também fazem referência à uma 13ª tribo que saiu em busca de um planeta especial chamado “Terra”. O motivo, ninguém sabe. O fato é que eles encontraram um sistema planetário com (que providencial!) 12 planetas habitáveis, as doze tribos lá se estabeleceram e formaram as 12 Colônias.

É difícil não notar a referência disto ao êxodo do povo hebreu do Egito e a semelhança entre as “12 Colônias” com as “12 Tribos de Israel”. Mas por algum motivo ainda mais obscuro, as 12 Colônias tem os nomes dos 12 signos do zodíaco. Vai entender. Outra coisa que eu sempre achei intrigante era o nome do planeta, Kobol. Porque isso sempre me lembrava o nome da linguagem de programação COBOL.  É claro que isso é apenas coincidência. Mas pesquisando para escrever este artigo, me deparei com uma curiosidade interessante: Kobol parece na verdade ser uma referência à Kolob que, segundo a tradição mórmon, seria a estrela ou planeta (parece não haver consenso sobre isso) mais próximo(a) do Trono de Deus. É sabido que Glen A. Larson, o criador da séria original, é mórmon.

Mas enfim, voltando à história prévia. As doze colônias se estabeleceram nos doze planetas e viveram felizes para sempre. Só que não. Aproximadamente dois mil anos após o Grande Êxodo, a civilização humana já estava bem estabelecida, Kobol, a 13ª tribo e a Terra não passavam de lendas para os mais céticos. Então os humanos tiveram o brilhante ideia de criar robôs com inteligência artificial para ajudar nas tarefas do dia a dia: desde meros empregados até auxiliares na construção civil e segurança. Existe até uma série spinoff de BSG chamada Caprica que conta o começo dessa história. Eu sinceramente achei esta série um tanto meia-boca. Não por ser ruim. A premissa por si só é muito boa, mas ela destoa muito da história de BSG. Sério, às vezes dava impressão de que não era o mesmo universo. A parte do SOU que nunca foi mencionada na série mãe foi a parte mais difícil de engolir. Mas não vou entrar em mais detalhes (talvez um dia eu fale sobre isso).

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Poster de Caprica, série spinoff de Battlestar Galactica

Então, os humanos criaram os tais robôs e os chamaram de Cylons (“Cybernetic Lifeform Node”, conforme dito em Caprica, mas eu acho essa sigla muito tosca) e boom! A criação virou-se contra o criador. Houve uma guerra entre humanos e cylons, a Primeira Guerra Cylon. Houve uma trégua e um acordo foi firmado. Os cylons foram banidos do sistema planetário das doze colônias. Ficou estabelecido que todo ano cada uma das partes enviaria um representante diplomático a uma estação espacial em território neutro para reafirmar o acordo de paz. Os humanos sempre enviaram seu representante. Nenhum representante cylon foi visto por quarenta anos. Da única vez em que enviaram um, ele não veio sozinho. Veio a frota inteira com um plano bem simples: aniquilar toda a raça humana.

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Um cylon centurião

E vieram também com uma novidade. Na primeira guerra, os cylons eram robôs metálicos. Mas na segunda guerra havia dois tipos de cylon: os robôs de metal, chamado centuriões e os cylons humanoides. Na verdade, mais que humanoides. Eram formas de vida biológica, de carne e osso, tão parecidos com os humanos que somente um exame de sangue era capaz de distinguir um humano de um cylon humanoide.

Battlestar Galactica
Dois modelos cylon humanoides: à esquerda, Sharon Valerii (nº 8) e à direita, Caprica-six (nº 6)

Assista aos primeiros minutos da série (na verdade, da minisérie que precedeu a série principal)

E agora leia:

10 motivos para você assistir BSG:

1 – Porque é ficção científica com tudo que tem direito

Sim, BSG é sci fi para nerd nenhum botar defeito, mas talvez eu esteja sendo fanboy 😛

Tem inteligência artificial, robôs (tanto inorgânico quanto orgânico) , naves espaciais, guerras estrelares, com direito à explosões (com som, mas nada é perfeito), guerra cibernética, com direito a vírus de computador, viagens espaciais (tanto em velocidade sub-luz quanto em “jumps”), o fim da humanidade… Enfim tem tudo isso e muito mais.

A série original, dos anos 70, foi criada pensando em pegar carona no grande sucesso de Star Wars na época. Mas convenhamos, o remake é muito melhor.

Mas se engana quem pensa que BSG é apenas mais uma sci fi como todas as outras. Na verdade o grande diferencial de BSG é porque é muito mais que somente ficção.

2 -BSG trata de política

Bem na acepção da palavra. Conforme esclarecido na Wikipedia: política é “a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados”. Como já foi explicado, a série começa com a destruição da raça humana. Os poucos sobreviventes (pouco mais que cinquenta mil) conseguiram escapar do ataque cylon, se organizar em uma frota civil defendida pela Battlestar Galactica e então começam uma longa jornada em busca da lendária Terra enquanto tentam escapar das investidas cylon. Uma situação bem tensa, eu diria.

E diante de todo este panorama, qual a segunda  preocupação da frota (a primeira seria a sobrevivência, que está acima de tudo)? Sim, exatamente: eles precisavam reestruturar o governo. Por que? Por que o ser humano é um animal político e, de modo geral, o povo clama por alguém para governá-los. Ainda mais em tempos de crise, em que há caos, medo e insegurança. As pessoas mais do que nunca buscavam um alívio em um líder, alguém que os guiasse, que lhes ajudasse a suprir suas necessidades. É neste cenário que surge Laura Roslin, que assumiu o cargo de Presidente das Doze Colônias simplesmente por que não havia outra opção. E acredite, não é nada fácil governar uma população abalada, com péssimas condições de vida (ou você acha que viajar pelo espaço é da hora?) e em estado de guerra. Ao longo da série, vemos como a sociedade tenta ser reorganizar apesar de tudo.

Do outro lado, temos o Comandante William Adama, o responsável pela Galactica e pela defesa da frota civil. O Camandante e a Madam’ Presidente estão em constante “guerra interna”, de interesses e opiniões. E isso, meus amigos, também é política. A série mostra muito bem o conflito de opiniões entre os dois principais líderes do que restou da humanidade e a tensão que isso traz para toda a frota.

Laura: [falando sobre Adama] Talvez se ele estiver mais confortável será mais fácil lidar com ele.

Billy (seu assistente de gabinete): Isso é inteligente.

Laura: Não, isso não é inteligente. Isso é política.

SPOILER ALERT!! [s01e03]

A série também explora bem o tema da política ao introduzir o personagem Tom Zarek, que foi um ativista político trinta anos antes da Queda da Humanidade. Acabou sendo preso por atos terroristas, mas, a bordo da frota e usando de todo seu carisma e discurso, conseguiu incitar uma rebelião. O que ele queria? Eleições democráticas para presidente, claro! Bem, como terminou este arco da história, só assistindo para saber.

FIM DO SPOILER

Sugestão de leitura: Este artigo (em inglês) também fala sobre a política em BSG e dentre outras coisas, faz um paralelo interessante entre o ataque às Doze Colônias e a Queda das Torres Gêmeas, em 11 de Setembro.

3 -BSG trata de religião

Outro aspecto importante da sociedade humana que é retratado na série é religião. Na verdade, ela basicamente fornece todo um pano de fundo para a trama e a inserção deste elemento é essencial para o desenvolvimento dos acontecimentos. Como já foi dito, os cylons atacaram as Doze Colônias e praticamente exterminaram a raça humana. Os poucos milhares de sobreviventes estavam perdidos, sem rumo, sem um propósito de vida. Eles precisavam de algo no qual acreditar para poder ter forças de continuar adiante. É aí que entra a religião\mitologia.

Havia o mito da décima terceira colônia e da Terra. Muitos (especialmente o comandante Adama) tomavam isso apenas como lenda, porém os mais religiosos acreditavam piamente em sua existência, por que as Escrituras Sagradas assim o diziam. E as profecias de Pythia sugeriam um caminho para o Terra perdida. Após o ataque, o Comandante Adama, sabendo que aqueles sobreviventes precisavam de alguma esperança e um objetivo de vida, anunciou que conhecia o caminho para a Terra e que ele os guiaria até o local. Uma mentira que nem mesmo ele acreditava, mas mesmo assim o fez. Por um bem maior.

SPOILER ALERT [s01e10]

Acontece que de fato a Presidente Roslin começou a ter visões que supostamente diziam que ela era o líder que guiaria o humanidade para a Terra. Muitas passagens da profecia corroboravam com isso. Por exemplo, Pythia dizia que “um líder doente guiaria a humanidade”. Laura Roslin havia sido diagnosticada com câncer dias antes do ataque. Ela começou a tomar decisões que iam de encontro com as decisões e ideologias do Comandante Adama. Esse conflito foi bem explorado, creio eu.

FIM DO SPOILER

Acho interessante essas referências (para não dizer inspiração total) na mitologia grega. Todos os Senhores de Kobol citados na série têm nomes de deuses gregos (Apolo, Zeus, Atena, Afrodite, Artemis, Ares, Hera, Poseidon, etc). Sem mencionar a profeta Pythia e o Templo de Delfos, que também fazem parte desta das duas mitologias. Há também diversas referências aos dogma da religião mórmon, inclusive no que diz respeito à organização da sociedade na doze colônias. Aos interessados neste assunto, eu indico este site (em inglês).

Mas certamente o  mais interessante no que tange à religião em BSG é o fato de os cylons terem a sua própria crença. Sim, isso mesmo, robôs que acreditam em Deus. Note bem, eu disse deus, não deuses. Eles são monoteístas. Segundo eles, Deus criou a humanidade, a qual eles consideram que seja uma criação defeituosa, haja vista que os homens renegaram Seu amor e afundaram em pecados. Deus teria criado os cylons através dos humanos, os quais seriam uma criação mais perfeita. Eles estariam destinados a substituir os seres humanos nos planos divinos e, para isso, era preciso exterminar a humanidade. Simples assim.

Então, talvez seja um pouco de exagero mas certamente tem fundamento, dizer que BSG é essencialmente a história de uma guerra religiosa e ideológica (sem perder, é claro, os efeitos especiais). De um lado temos os humanos fugindo pelo espaço, na esperança de encontrar a Terra prometida. Do outro temos os cylons perseguindo os humanos e tentando exterminá-los, por que esta é supostamente a vontade de Deus.

SPOILER ALERT [4ª temporada]

Ainda falando sobre religião em BSG, não poderia deixar de mencionar o Dr. Gaius Baltar. Ele é um cientista, um cara extremamente inteligente e cético e que, após os ataques às colônias, começa a ter visões do modelo nº 6. Ela sempre conta basicamente o mesmo discurso, de que ele era um “instrumento de Deus”, que “Deus tem um plano para todos nós” e coisas assim. Como um homem da ciência, ele se recusa a acreditar em tais visões. Mas eu acho interessante como a história deste personagem foi desenvolvida. Após vários eventos que não vou revelar, ele acabou mudando suas concepções e findou por tornar-se um líder religioso. Eu gosto particularmente do seu discurso no final episódio s04e04 (“Six of One”)

“Algo no Universo me ama. Algo no Universo ama essa entidade que sou eu. Eu escolho chamar esse algo de ‘Deus’. Uma faísca singular que vive na alma de cada ser vivo. Se você olhar dentro de você, encontrará essa faísca também. Você encontrará; mas terá que procurar profundamente. Ame os seus defeitos. Assuma-os. Se Deus os assume, então como podem ser defeitos? Ame-se. Você precisa se amar. Se não nos amarmos, como podemos amar outros? E depois de sabermos o que somos poderemos achar a verdade a respeito dos outros. Ver o que são. A verdade a respeito deles. E você sabe o que a verdade é, a verdade sobre eles, sobre vocês, sobre mim. Você sabe? A verdade é que somos perfeitos. Do jeito que somos. Deus apenas ama a perfeição, e Ele ama vocês. Ele ama você porque são perfeitos. Vocês são perfeitos exatamente como são.”

FIM DO SPOILER

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Sacaram a referência?

4 – Pelos dilemas morais e questões éticas

Outro ponto muito bem explorando na série.Já começa com o ataque em si, em que os cylons praticamente exterminam a raça humana. É interessante notar que horas antes do ataque estava acontecendo a cerimônia de aposentadoria da Battlestar Galactica, que já era uma nave velha e obsoleta (Miniseries, ep. 01). O Comandante William Adama estava na ocasião discursando sobre a primeira guerra cylon e há um ponto do seu discurso que merece ser destacado. Eis o trecho:

“A guerra contra os cylons terminou há muito tempo. Contudo, não devemos esquecer as razões pelos quais tantos sacrificaram tanto pela causa da liberdade. O custo de usar um uniforme pode ser alto, mas … às vezes é alto demais. Sabem, quando enfrentamos os cylons, nós o fizemos para nos salvarmos da extinção, mas nunca respondemos a pergunta ‘por quê?’. Por que somos um povo que mereceria ser salvo? Continuamos a cometer crimes por causa de cobiça, rancor e ciúmes. E continuamos a transmitir nossos pecados aos nossos filhos. Recusamo-nos a aceitar qualquer responsabilidade pelo que fazemos, como fizemos com os cylons. Decidimos brincar de Deus, criar vida. Quando essa vida se voltou contra nós, nos confortamos com o sentimento de que realmente não tinha sido nossa culpa. Não realmente. Não se pode brincar de Deus e, então, lavar as suas mãos das coisas que se cria. Mais cedo ou mais tarde chegará o dia em que não poderá mais se esconder das coisas que fez.”

É interessante notar que o Comandante Adama certa vez perguntou a um dos modelos cylon porque eles odeiam a humanidade (s02e12 – “Resurrection Ship part 2”). Ela respondeu o seguinte:

“É o que você disse na cerimônia antes do ataque (…) Você disse que humanidade era uma criação defeituosa e que as pessoas ainda matam umas as outras por inveja e ganância. Você disse que a humanidade nunca se perguntou porque deveria sobreviver. Talvez vocês não mereçam.”

Outro momento interessante, logo no primeiro episódio. Uma das naves da frota desaparece entre os saltos interestelares e reaparece horas depois. Havia porém a suspeita de que ele tivesse sido sequestrada por cylons e que poderia por em risco toda a frota. A situação ficou mais tensa quando detectaram radiação vindo dela. O Comandante tinha uma decisão difícil: destruir a nave, matando sua tripulação, mas salvando o resto da frota; ou permitir a reintegração, pondo em risco a segurança das outras naves e da humanidade. Por fim ele ordenou que seu filho Lee Adama bombardeasse a nave com uma ogiva nuclear. O diálogo que se seguiu foi interessante:

William: Eu dei a ordem. Foi minha responsabilidade.

Lee: Eu puxei o gatilho. A responsabilidade foi minha.

(s01e01 – “33”)

Eis outro exemplo de como eles exploram a relações humanas. Como era de se esperar, a informação de que existiam cylons humanoides eventualmente veio a tona. Então o pânico se espalhou pela frota, visto que qualquer um poderia ser um agente cylon infiltrado. As pessoas começaram a ficar paranoicas. Qualquer um poderia ser um cylon infiltrado. As pessoas passaram a acusar umas as outras.

SPOILER ALERT [s01e12]

No final da primeira temporada, a personagem Sharon Valerii descobre que é um cylon adormecido (cylon nº 8). Ela tenta negar sua condição até o fim, pois acredita piamente que é humana. Isso é algo que realmente merece reflexão. O que define um ser humano? Consciência de si próprio como um ser humano? Capacidade de sentir e se expressar emocionalmente? Amar? Odiar? Senti medo? Ou seria uma questão puramente biológica? Bem, neste caso o modelo nº 8 que engravidou seria humano?

E se afinal, os cylons não fossem humanos, isso nos daria o direito de torturar os modelos capturados pela frota humana?

MAIS SPOILERS! [s02e10]

Na segunda temporada, com a chegada da Battlestar Pegasus, descobre-se que há um modelo nº 6 feita de refém na nave. Mais que isso, ela foi brutalmente torturada e estuprada pelos oficiais da Pegasus, sob aprovação da Almirante Cain (que antes, vejam que ironia, foi amante da espiã cylon). A nº 6 ficou psicologicamente abalada pelo que fizeram com ela. Como um humano comum ficaria. Se ela fosse realmente um robô sem sentimentos, incapaz de expressar emoções, isso teria acontecido?

AINDA MAIS SPOILERS!

Há um pequeno discurso, proferido por John Cavil (cylon nº 1) que acho muito interessante. Ele fala como a condição de ser um humano limita as experiências que podemos ter. Um dos melhores diálogos da série, sem dúvidas. Nem é preciso dizer que tem um grande spoiler aqui. Grande mesmo.

São esses tipos de questionamentos que fazem de BSG uma série a qual você deve dar uma chance.

FIM DOS SPOILERS

5 – Porque as mulheres tem destaque

Este é realmente um ponto a ser mencionado. Não tenho certeza, mas BSG é provavelmente a sci fi com o maior elenco feminino de todos os tempos. E mais que isso, as mulheres são personagens fortes, determinadas e relevantes.

Temos mulheres em posições e cargos importantes na série: Laura Roslin como Presidente, Kara Thrace como melhor piloto de viper e GAG (Comander Air Group), Louanne Katraine como CAG, Anastasia Dualla como XO (Executive Officer) da Battlestar Pegasus, Helena Cain como almirante da Battlestar Pegasus. E ninguém jamais questiona isso, o que é um ponto positivo. Passa-se a impressão de que a sociedade é mais igualitária em BSG e isso é algo notável. Já li em algum lugar que BSG é uma série pró-feminista e mulheres em posição de poder é um exemplo disto (outro exemplo seria o uso de banheiros unissex). Leia mais sobre o feminismo em BSG aqui. Se estiver interessado em um contra-argumento, leia este artigo.

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Dentre as mulheres notáveis de BSG, destaco as seguintes:

Laura Roslin

Certamente uma das personagens mais importantes da série. Laura era secretária da Educação do governo das Doze Colônias antes do ataque. E antes disso ela fora professora do primário. Logo no início (Minisérie, ep01) ela descobre que tem câncer em estado avançado. Já não bastasse isso, ela viu sua raça ser praticamente exterminada no ataque cylon. E se isso ainda não o satisfez, ela foi eleita pra ser a Presidente das Doze Colônias. Detalhe: ela era a 43ª na linha de sucessão e todos à sua frente morreram devido ao ataque nuclear. Nem em seus melhores sonhos (ou piores pesadelos?) ela imaginaria se tornar o mais importante líder político da humanidade.

Só o fato de haver uma mulher guiando politicamente a humanidade já é um ponto positivo em BSG. Mas Laura se tornou mais que isso. Sobre suas costas estava a responsabilidade de ser a líder de um povo sem rumo e destruído e a missão de reestruturar a sociedade. Sem contar o fato de ter que lidar com o Comandante Adama, que tinha ideologias distintas das suas, enfrentar revoltas populares e o todo o estresse de viajar pelo espaço. Eu, em seu lugar, talvez ficasse louco.

SPOILER ALERT [s01e10]

Não bastasse ser líder política, ela também abraça para si o posto de líder espiritual da humanidade, após ser convencida de que ela é o líder profetizado que guiaria a humanidade à Terra. Isso apenas aumentou ainda mais a tensão entre ela e Adama. Laura é uma personagem única, pois baseia suas ações e decisões na sua intuição, algo que qualquer outro líder político não deveria fazer. E no entanto, as coisas dão certo desta maneira, na medida do possível. É isso que tornar a personagem tão interessante. Recomendo este artigo se quiser ler mais sobre ela.

FIM DO SPOILER

Kara Thrace 

Outra personagem que se destaca logo na primeira impressão que temos dela. Assim como Laura – que se destaca na política – é apresentada como uma mulher em uma posição importante, Kara também é uma personagem feminina que é ‘o grande destaque em uma área’. No caso, Starbuck é simplesmente a melhor piloto de viper da frota. E porque não? As mulheres são tão habilidosas e capazes quanto os homens, então porque não o piloto mais badass ser uma mulher? Aliás, ela não é apenas boa no que faz. Ela deixa os outros comendo poeira.

Kara é uma personagem complexa. Atormentada pelo passado (e pelos erros que cometeu) ela se esconde por detrás de uma máscara de durona, mas por dentro é uma pessoa sensível e emotiva. Aliás, emoções é com ela mesmo, que em geral não consegue controlá-las. Faz o que bem entende sem se importar com os outros, é marrenta, impiedosa e rebelde, mas ao mesmo tempo reza aos Senhores de Kobol pela alma de um cylon. Devo admitir que em alguns aspectos ela é um personagem clichê, mas como já disse um amigo meu, os clichês são clichês por um motivo. Ele é um típico espírito livre. Amada por uns, odiada por outros, é à ela que Adama corre para pedir ajuda quando a situação aperta. Nas palavras dele mesmo, Kara é a pessoa que é chamada quando é preciso “pensar fora da caixa”.

6 – Porque os personagens e as relações humanas são bem construídos

Os personagens em BSG são muito fodas! Reconheço que alguns são estereotipados ou clichês em alguns pontos, mas eles são bons mesmo assim. Algo que às vezes falta em uma sci-fi é o elemento humano. Foca-se na ciência ou no conflito e esquece-se que os personagens são seres humanos (ou seres com emoções humanas). Não que BSG seja a única sci fi que dá grande destaque ao elemento humano, mas isso é um ponto a considerar.

Fazer um personagem humano envolve mais do que simplesmente definir uma personalidade e uma história de vida para eles. Envolve saber explorar sua psique, suas emoções, desejos, medos, objetivos de vida. Envolve saber construir a maneira como um personagem irá reagir ao ambiente externo e à outros personagens. E isso é muito bem feito em BSG. Desde uma personagem insubordinada (Kara Thrace) até um cientista meio louco, arrogante (isso é estereotipado) e fanático por sexo (isso não é, e acaba humanizando o personagem; estou falando, é claro, do Dr. Gaius Baltar).

Os personagens são complexos, não-planos e cinzas. Isso é algo que aprecio muito em uma história. Não há bem ou mal, branco ou preto, há o cinza. Pelo menos com relação aos principais, não existe um ‘santo’ nem um ‘completo fdp’. Eles são mais complexos que isso. A maioria dos principais passa por um arco de personagem muito bem construído (se você não sabe o que é arco de personagem, este vídeo explica o conceito; aliás, eu recomendo este canal). Leia mais sobre isso aqui.

Meu favorito é o Dr. Gauis Baltar, cuja transformação ao longo da série chega a ser simbólica, mas também por todo o conflito dramático envolvendo religião e sua relação com a cylon nº 6. (Aparentemente eu não sou o único fã dele. Leia isto aqui.)

Battlestar Galactica
Dr. Gaius Baltar

7 – Pelos conflitos militares

Subtítulo: ou como Adama sempre salva a frota com sua genialidade.

Esse é um ponto que amo em BSG. Essa coisa militarizada, séria, com linguagem e gírias próprias, termos técnicos de navegação, patentes, hierarquia militar, isso tudo me fascina. É algo pessoal. Realmente aprecio isso.

E isso sem falar nas mais mirabolantes estratégias militares tanto da parte dos humanos quanto dos cylons. Porque a história toda é um grande conflito militar no espaço entre humanos e robôs, os último perseguindo os primeiros. É muito legal ver essa briga, com direito à explosões no espaço, sabotagem, manobras evasivas, armadilhas. Sério mesmo, a estratégia usado pelos humanos “Hand of God” (s01e10) para contra-atacar os cylons foi simplesmente genial.

Além do conflito externo, entre humanos e cylons, é interessante destacar o conflito interno, entre militares e civis. Mais especificamente, entre a autoridade militar, personificada na figura do Comandante William Adama, e a autoridade civil, personificada na figura da Presidente Laura Roslin. Este artigo acadêmico discute bem este ponto.

8 – Pelo mistério dos cylons

Eu adoro mistérios. Eles me fascinam, instigam minha curiosidade e imaginação. Sou o tipo de pessoa que pode passar horas em fóruns, procurando respostas para mistérios em livros, filmes, seriados. Eu realmente fiz isso, principalmente com Lost e As Crônicas de Gelo e Fogo 😛

E BSG tem seus próprios mistérios. Devo admitir que nem todos foram respondidos (ou respondidos satisfatoriamente) no final da série, e isso foi um pouco decepcionante. Chamo isso de efeito Lost. Mas enfim, os mistérios em BSG são legais.

Talvez o mais importante e que permeie toda a série sejam os cylons. Há todo uma questão envolvendo eles: a origem dos cylons humanoides e como obterem sua tecnologia. E principalmente, quem são os doze modelos. Como já disse, há doze modelos diferentes de cylons humanóides e algumas cópias estão infiltradas na frota. Fica então a grande pergunta que não quer calar: qual a identidade dos doze modelos?

Logo na minissérie somos apresentados a quatro modelos: nº 2 (Leoben Conoy), nº 5 (Aaron Doral), nº 6 (Caprica-six) e nº 8 (Sharon Valerii) e somos informados pela modelo nº 6 que há outros oito. Nos desperta então a curiosidade de saber quem são eles. Não vou mentir que eu ficava louco para saber a identidade dos cylons restantes (confesse que você também está; pode admitir, mas eu não vou dizer). É algo que prende a atenção do espectador, fazendo querer assistir até o final.

SPOILER ALERT [3ª e 4ª temporada]

Algo que me decepcionou em certo sentido foram os últimos cinco cylons. Até a metade da terceira temporada já sabemos a identidade de sete cylons (e da existência de um oitavo que nunca é mostrado e que foi desativado; o famoso modelo nº 7, Daniel). Aí os produtores vem e dizem que os últimos cinco cylons (‘the final five’) são desconhecidos até mesmo pelos sete modelos anteriores. Oi? Como assim? É estranho, mas é justamente isso. Os cinco últimos cylons foram vistos apenas pelo modelo nº 1. Ah, sim, claro, só há uma cópia de cada um dos final five.

FIM DO SPOILER

9 – Pelos discursos do Adama

William Adama é um personagem fascinante. Um grande líder, duro quando necessário, humano quando é preciso humanidade. Ele inspira confiança e respeito. Transpira autoridade e admiração, além de ser um grande estrategista. Tem um grande apreço pelos seus subordinados, a ponto de arriscar muita coisa para resgatar um deles. Mas o que mais admiro neste personagem são seus discursos. Sério, qualquer o seguiria até os confins do universo após ouvir um discurso dele. Ele é um excelente orador e um artista das palavras.

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Comandante William Adama

Eis alguns exemplos de seus belos discursos.

Esse próximo contém grandes SPOILERS [final da 4ª temporada]

10 – Pela trilha sonora fodona

Uma série fantástica pede por uma fraking soundtrack. E BSG não nos desaponta neste quesito. A trilha sonora é maravilhosa. A responsabilidade é do sensacional Bear McCreary. O músico americano já é conhecido de outros trabalhos na televisão, sendo o responsável pela trilha sonora das séries Caprica, The Walking Dead e Agents of S.H.I.E.L.D.

A trilha sonora completa de BSG pode ser ouvida aqui.

Mas é claro que eu não poderia deixar de mencionar as duas principais músicas da série.

A primeira é Apocalypse, o tema de abertura. Sério, a música é de arrepiar os pelos. Raya Yarbrough e sua bela voz, juntamente com o arranjo instrumental de McCreary, dão a vida e impacto necessários a uma boa música tema.

Eu gosto muito também desta versão ao vivo, pois além da excelente performance da BSG Orchestra, contamos ainda com a participação da talentosíssima violoncelista Tina Guo (pra quem não sabe, é a japinha – na verdade, chinesa – que parece ter sido possuída por Lilith em 3:27)

Mas o prêmio de melhor música da trilha sonora vai para All along the watchtower. Sim, o clássico de Bob Dylan que ficou famoso na voz e na guitarra de Jimi Hendrix. A música já é foda por si só, mas tem seu próprio significado dentro da série. Mas, Dylan e Hendrix que me perdoem, a versão de McCreary para esta música é sensacional!

 

E se você, depois de tudo isso, ainda não se convenceu, talvez este pequeno vídeo com cenas da série (com alguns pequenos spoilers) o convença. Assistir naves detonando e sendo detonadas no espaço ao som de All along the watchtower não tem preço.

(só perde para assistir naves detonando e sendo detonadas no espaço ao som de The mass, do Era)

Acho que é isso. Se você chegou até aqui, espero tê-lo convencido a dar uma chance a este fraking show. Até a próxima! So say we all!

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Um comentário sobre “10 motivos para você assistir Battlestar Galactica

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