[Resenha] Promessas antigas

Olá, pessoal!

Hoje trago mais uma resenha para vocês, de um autor que já é quase frequentador de carteirinha aqui no blog: Lauro Kociuba. Já resenhei dois de seus livros, que se passam no universo de Alvores (confiram aqui e aqui). Outra autora nacional que já teve sua obra resenhada foi a Janayna Bianchi, com seu Lobo de Rua, novela do universo da Galeria Creta.

Mas ei, porque estou falando da obra da Jana mesmo, se a resenha é do conto do Lauro? Simples: porque este conto é na verdade um crossover dos dois universos! Isso mesmo, Alvores e Galeria Creta juntos em um mesmo conto. Por n razões (a principal é inconsistência) tenho receio de crossovers, mas este é maravilhoso. Sem mais delongas, vamos à resenha.

Obra:Promessas antigas: um conto Alvor na Galeria Creta

Autor: Lauro Kociuba

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia urbana

Número de páginas: 46

Sinopse:

Quando um autor meio maluco resolve invadir, sem nenhuma delicadeza, o universo literário alheio, o que pode acontecer? O que, o que, o que?

Alvores na Galeria Creta, um conto que ficou meio grandinho, grandinho mesmo, mas absolutamente agradável de fazer (e ler quem sabe, não é? É sim). Vocês vão acabar me conhecendo (me chamo Elvis, aqui ao menos, é sim). Vão acompanhar minha jornada absolutamente fantástica e grandiosa, com doses de heroísmo e honradez imensas! Imensas, imensas, imensas. Tive que viajar à São Paulo, voltando à Galeria Creta depois de trinta anos para cumprir uma promessa. Porque eu sempre cumpro, sempre, sempre, sempre.
Regado à referências musicais dos anos 80, uma dose de humor ácido, um sabor agridoce no fundo da língua e alguns outros desejos, esse é o conto Promessas Antigas.

E não, não é necessário ter lido nada de nenhum dos dois universos ou dos dois autores, não mesmo. Mas, é uma oportunidade imensa para começar a conhecer, não é? Com certeza.

 

capa
Capa feita pelo Caique Guerra. Cada um dos elementos da ilustração tem sua importância na história. No canto direito inferior, vemos os símbolos dos Alvores e da Galeria Creta

 

Não, não é necessário ter lido nenhum dos dois autores antes para ler este conto, mas receio que grande parte da experiência irá se perder. Porque o legal desta obra, um ponto que gostei muito, muito mesmo, é justamente essa intertextualidade entre as obras de Lauro e Jana. Evidentemente que era esperado isso, afinal é um crossover. O que quero dizer é que Lauro não apenas juntou os dois universos neste conto, pegando elementos dos Alvores e da Galeria Creta, que são acima das obras. Ele faz mais que isso: ele faz referências às obras em si. Especialmente à novela Lobo de Rua, da Jana. [Pequeno SPOILER de Lobo de Rua a seguir] Assim, entendemos o que aconteceu com a caminhonete de Soraia e temos um pequeno vislumbre de sua filha no conto do Lauro. Ou seja, o conto dialoga bem com Lobo de Rua.

Eu gostei dos personagens, pois pareceram bem críveis e foram bem construídos, considerando que se trata de um conto. Gostei muito do protagonista Elvis, que é um tipo meio extravagante, mas é bem cativante. E o Minotauro, então? Em Lobo de Rua tivemos apenas um vislumbre deste personagem, que era quase um coadjuvante na história. Desde então eu (e muita gente, eu suponho), tem esperado ansiosamente para ler mais deste intrigante personagem. E Lauro soube descrevê-lo de forma brilhante. Aqui sim tivemos uma atuação de destaque do manda-chuva da Galeria Creta.

(E agora aumentou ainda mais o hype para o romance A Galeria Creta)

Os diálogos são muito bons e bem realistas, com um tom bem coloquial, do povão mesmo. Diálogos bons e críveis são um detalhe que prezo muito em um texto e aqui o Lauro está de parabéns. E também acho legal quando um autor usa diálogos para construir o personagem e ele fez isso com Elvis, dando-lhe um vício de linguagem e uma jeito particular de falar.

As descrições também são boas. Tanto a descrição do ambiente, quanto dos personagens. Mas o que mais gostei foi a descrição do processo de (por falta de uma palavra melhor) “teletransporte” até a Galeria Creta. Adorei mesmo, foi bem crua, mas escrita de uma maneira que brincava com nossos sentidos, facilitado a imersão.

Alguns pontos negativos. Acho que já falei sobre isso na minha resenha de Estações de Caça: a maneira como o autor estrutura algumas frases. Ou, mais precisamente, a maneira como ele utiliza pontuação. Ele coloca vírgulas onde eu acho que caberiam pontos ou, no máximo, ponto-e-vírgula. Isso acaba acelerando o ritmo das falas nos diálogos, deixando-os um pouco menos realistas. Pelo menos para mim, isso quebra um pouco da imersão.  Sei que isso é um ponto bem particular, coisa minha mesmo, mas todas resenha tem um toque pessoal. Eu prefiro frases mais curtas.

Outra coisa que notei, é que há algumas mudanças de ponto de vista ao longo do texto. Ele é narrado praticamente pelo ponto de vista de Elvis, mas de vez em quando o POV salta para outros personagens. Não que isso seja ruim. É só um detalhe besta, afinal. Mas se a maior parte é pelo POV de um personagem só, eu penso que é interessante manter a narrativa pelo ponto de vista apenas deste personagem.

E por fim, o texto inteiro estava indo muito bem, bastante fluido, até que veio um infodump. Isto é, a autor interrompeu a narrativa para falar do passado de Elvis. Também não que isso seja ruim. Estou falando da maneira como foi passado, usando tell em vez de show. Isso é infodump. Teria sido mais interessante escrever um pequeno capítulo mostrando a história que foi contada resumida em três parágrafos.

A cena do clímax da história também poderia ter sido escrita melhor. Do jeito que está, passa pouca emoção. O final, porém, foi digno.

Outra coisa que amei foram as referências musicais. Ao longo do texto o autor insere trechos de músicas. Suponho que de alguma forma os trechos inseridos tem alguma coisa a ver com a trama no momento. Só saquei mesmo a parte do Hotel California, mas deve ter outras. Enfim, o fato é que adoro referências musicais em textos (eu mesmo faço isso rsrs) Eu fiz uma playlist no YouTube com todas as músicas citadas no conto, na ordem em que aparecem. Apreciem.

Por fim, não poderia deixar de citar o conto do Ariel Ayres, no final. Lauro quis escrever no universo da Galeria Creta, inserindo os Alvores. O Ariel, metido que é, resolveu entrar na brincadeira e inserir o Narrador (personagem do seu livro O Quatro) no meio do conto do Lauro. O resultado é muito bom e todos os textos dialogam bem. Um show de referências e metalinguagem que deixariam o Capitão América orgulhoso.

 

Veredito final: Leiam. Apenas.

 

P.S.: É Creta!

 

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2 comentários sobre “[Resenha] Promessas antigas

  1. Estou ansiosíssima para ler esse conto! Espero poder adquirir logo!
    Quanto às frases mais longas, notei o mesmo problema em Estações de Caça, e do tell para contar o passado dos personagens em A Liga dos Artesãos. Nada que tenha tirado o brilho de ambos, é claro.
    E agora quero muito saber como funciona o carro da Soraia! Mal vejo a hora!

    PS: Ainda não li o conto, mas tenho certeza de que é Creta!

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