[Newsletter] #03 – Lost, easter eggs, Star Wars e um desafio

Ponto de Acumulação

(de ideias, fatos e pensamentos)

 

O que repousa na sombra da estátua? (ou porque resolvi me tornar escritor)

Todo viciado possui sua droga de entrada. Aquela que lhe introduziu no mundo dos vícios. Não importa qual seja o vício, é certo que houve o primeiro. No caso do meu vício em séries de TV, minha porta de entrada foi Lost. E foi por causa deste seriado que resolvi me tornar escritor.

Lost não é a melhor série que já foi produzida. Mas ela foi um grande marco. Pioneira. Merece algum crédito. Seu problema é que os roteiristas se perderam (sim, o trocadilho foi intencional; sim, foi um trocadilho ruim). Mas apesar dos pesares, eu gostei. Não direi que não gostei do final, mas ao contrário de muita gente com quem conversei, ele pareceu bem claro para mim.

O motivo para eu apreciar tanto esta série é certamente o mesmo de ela ter feito tanto sucesso. É o fato de a trama ser recheada de mistérios. Mistérios atiçam a curiosidade. Atiçaram a minha. Atiçaram a milhões de fãs mundo a fora. Queríamos saber o que vinha depois; queríamos entender que p&@* estava acontecendo naquela ilha. Simples assim. Os caras sabiam como prender nossa atenção. Os fãs eram tão obcecados com a trama que discutiam teorias em fóruns na internet. (Eu era mais o cara que lia as teorias, mas tudo bem.)

The_Statue
What lies in the shadow of the statue?

E Lost é um dos principais motivos de eu ter me tornado escritor. (Não que eu seja um escritor top e famoso; oficialmente só tenho um trabalho publicado, na Amazon, mas vocês entenderam a ideia.) O fato é que quando assisti Lost, achei tão espetacular, tão incrível que queria fazer algo parecido. Quis escrever um roteiro de uma série que em essência fosse o que Lost era: mistérios. Do tipo que a galera discute nos fóruns de internet. Eu tinha 17 anos e achava que podia mudar o mundo.

Evidentemente eu não escrevi nenhum roteiro hollywoodiano. A ficha demorou um tempinho para cair. Eu tinha 21 anos. Foi quando eu percebi que eu não conseguiria jamais escrever um roteiro para uma série de TV. Era um sonho distante. O que eu descobri era que podia escrever um livro. Pode parecer pouco, mas para mim foi um grande insigh. Algo simples: transcrever uma história do mundo das ideias para o papel. Faltava apenas um detalhe: não sabia sobre o que queria escrever. Naquela época (quando eu tinha os meus 17 anos) eu tinha uma pré-ideia de um roteiro louco que envolviam conspirações, sociedades secretas e humanos com superpoderes. Tudo isso com um toque de Lost. Não tinha como isso dar certo.

Foi pouco depois que percebi que poderia escrever um livro que conheci As Crônicas de Gelo e Fogo. Foi aí que olhei e disse: é isso! É exatamente isso que preciso. A obra do Martin é magnífica. E além de ser um épico de fantasia de excelente, é uma obra com mistérios. Sim, mistérios. Do tipo que os fãs discutem teorias na internet. ASOIAF é tipo Lost dos livros de fantasia (só que melhor).

E foi assim que surgiu a minha brilhante ideia de escrever uma obra de fantasia, com um toque de mistério. Evidentemente que muita coisa mudou. Outros elementos se somaram à ideia original. Referências e insighs vindos dos mais diversos lugares, livros, séries, animes. Mas a essência jamais mudou.

E é isso. Não sei quando finalmente terei meu livro publicado, mas estou trabalhando nisso. Espero que em breve. E espero que eu não sofra do mesmo mal que sofreram os roteiristas de Lost. Afinal, meu final tem que fazer sentido.


“Eu entendi a referência”

Falando em referências, Lost também ficou conhecido por sua quantidade absurda de easter eggs e referências a praticamente qualquer coisa da cultura pop ou ciência. Aliás, muitas teoria usavam-nos como base.  Isso também é algo que também aprecio muito numa obra. Queria aproveitar para indicar três livros de amigos escritores que trabalham bem com isso: A liga dos artesãos, do Lauro Kociuba; Limbo, do Thiago D’evecque; e Brasil Cyberpunk 2115, do Rodrigo Assis Mesquita.

referência

Mas eu também eu faço muito isso. Acho que meu texto com mais referências e easter eggs é meu conto sobre o Dia da Toalha. É claro que há muitas referências a fatos\acontecimentos\diálogos dos cinco livros da série Guia do Mochileiros das Galáxias. Mas também há easter eggs há outras coisas da cultura pop. Principalmente à séries e filmes. Pela minha contagem, há 23 deles. Alguns bem óbvios (acho que todos sacarão as referências à Star Trek e Star Wars) outros são bem mais difíceis (espero que alguém pegue a referência a um certo filme de comédia non-sense).

Então resolvi lançar um desafio. Qualquer um que achar pelo menos 13 referências e easter eggs no meu conto sobre o Douglas Adams vai ganhar de graça uma cópia do meu conto Aquarela de Sangue (aliás, teve resenha dele no blog Sonhos, Imaginação & Fantasia). Vocês tem até às 23:59 do próximo domingo (17/03) para me mandar uma resposta. Entrem em contado através da f nossa fanpage no Facebook. Que comecem os jogos!

Dica: tem easter eggs espalhados por esta postagem que podem ajudar a encontrar todas as 23 referências no texto 😉


 

 

The winter is coming

Falando em ASOIAF, esta semana chegou meu exemplar de O Mundo de Gelo e Fogo. Agora sim eu finalmente poderei dizer que manjo mais da história de Westeros que da história de nosso mundo. Mas fazer o quê? A história de Westeros é muito mais interessante. Há dragões 🙂


 

Quis custodiet ipsos custodes?

Falando em leituras, finalmente terminei Wathcmen.

Me agradou muito o tom misterioso da trama. Moore soube tecer a história ao redor dela de maneira magistral. Está tudo lá, nas entrelinhas, jogado na nossa cara, mas é surpreendente mesmo assim. A construção dos personagens é boa e Moore soube passar bem a ideia de que eles são humanos antes de serem “super-heróis”. Como humanos reais, eles são cinza (alguns mais que outros). Como humanos reais, eles tem medos, receios, sonhos, sentimentos, ambições. Até mesmo Dr. Manhattan, que em teoria não é humano, é humano em sua essência.

Não poderia deixar de mencionar a maneira genial como o texto, arte e trama se fundem. Em alguns pontos, Moore se utiliza de camadas de histórias e metalinguagem, contando duas (ou mais) tramas paralelamente. A maneira como os quadros, frases e diálogos se encaixam é milimetricamente pensada. Um fino trabalho artístico. O traço de Gibbons é impecável.
Adorei também os anexos entre os capítulos.
Se há algo há reclamar é o final. Ainda não consigo aceitá-lo completamente. Me pareceu um tanto bizarro. Mas nada que estrague a obra.
Enfim, obra espetacular. Recomendadíssimo.


Imagem da semana

(pois uma imagem vale mais que mil palavras; é só contar os bits)

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Este é o primeiro frame de uma pequena HQ desenhada pela artista malasiana Lydia Ling. A história intitulada “Mother’s hand”  não tem falas ou narração. São apenas quadros que contam uma história sem palavra, somente imagens. Mas afinal, uma imagem vale mais que mil palavras.

Veja a história completa aqui. Vou logo avisando: preparem-se para os feels.

Eis o Tumblr da artista.


Música da semana

(afinal, não dá para viver sem música)

Para aqueles que curtem soul music e procuram algo diferente, indico o cantor francês Ben L’Oncle Soul. Acho legal a sua versão de Seven Nation Army, do White Stripes, mas ele também tem canções originais, algumas em francês. Ouçam só:


Vídeo da semana

(luz, câmera, ação, inspiração, reflexão, emoção, transmutação, transpiração e zoação)

Já que estamos falando sobre isso, vejam este vídeo (bem grande) com (quase) todos os easter eggs e referências em Star Wars VII: The Force Awakens. Há realmente muita coisa, muitos detalhes que meros mortais deixam passar.

 

 

 


 

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(coisas que vi pro ai)

 

O blog Homo Literatus publicou um texto com as 10 regras de Nietzsche para escritores.

 

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Nesta postagem em seu blog, o escritor Thiago Lee fala sobre fantasia literária e realismo mágico.

 

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A escritora Ruth Dias fala sobre o que ela aprendeu depois que publicou um livro.

 

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Nano Fregonese escreveu um texto falando sobre os principais pontos do livro Roube como um artista, do Austin Kleon. É bem interessante.

 

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Isso aqui é provavelmente a coisa mais bizarra que você lerá hoje. Em resumo, havia esse antigo MMO chamado Active Worlds que ninguém mais jogava. Até que um youtuber encontrou um estranho e solitário jogador e iniciou-se um diálogo bem non-sense. A coisa evoluiu rapidamente para um tópico no Reddit e aí ficou ainda mais bizarro.

***

Uma pesquisadora brasileira desenvolveu um biochip capaz de detectar 18 tipos de câncer em 15 minutos.

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A Alexia Bittencourt, do blog Me Livrando, escreveu um artigo com dicas para escritores iniciantes.


Esta semana não teremos a seção Plano Projetivo Complexo por motivos de “não pensei em algo legal ainda e estou com preguiça de fazê-lo agora”. Prometo que pensarei em algo para a próxima semana. Ou não.

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2 comentários sobre “[Newsletter] #03 – Lost, easter eggs, Star Wars e um desafio

  1. Muito bom o conteúdo da news! Principalmente para um órfão de LOST (eu era absurdamente viciado na série rsrsrs). E muito obrigado por mencionar o meu texto. Fico feliz que tenha gostado. Abração!

    Curtido por 1 pessoa

    • Eu que agradeço. O conteúdo do seu blog é muito bom e útil (preciso acompanhá-lo com mais frequência rsrs)
      Órfão de Lost, melhor definição. Como eu disse, não é uma série perfeita, mas teve seus bons momentos e marcou uma geração 🙂

      Curtir

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