[Resenha] O feiticeiro – volume 1: O estrangeiro

Olá, pessoal! Hoje trago mais uma resenha de um livro nacional. Conheci o trabalho da Má Matiazi através do Catarse e resolvi apoiar. Finalmente arranjei tempo para ler.

Obra:O feiticeiro – volume 1: O estrangeiro

Autor: Má Matiazi

Editora: Espectral edições

Gênero: Fantasia medieval

Número de páginas:480

o-feiticeiro

Pois bem, o livro conta a história de Andy Mideline. Em seu mundo comum, ele vive em uma pequena aldeia em um reino distante, afastado das grandes cidades e reinos. Nota-se, logo no início, que ele é especial, sendo sensível à magia. Ele é o sétimo filho de seus pais, e vive bem e feliz com eles e seus dez irmãos. Seu pai, porém, esconde um grande segredo, e pouco fala sobre suas origens nebulosas.

Então, como toda boa aventura, acontece o chamado à aventura. Andy descobre ser o herdeiro do trono do reino de Elderwood e vê-se forçado a deixar a família para morar em uma terra distante e desconhecida. Daí, eu imagino, o nome deste primeiro volume. Mesmo sendo o futuro soberano do reino, Andy sente-se um estrangeiro naquelas terras, longe da família e de seus costumes, tendo ainda que aturar uma relação conturbada com seu avô, o rei Lucius III. Há ainda outros aspectos que talvez expliquem o título ‘o estrangeiro’, mas não vou falar para evitar spoilers.

Eu curti o worldbuilding do mundo criado pela Matiazi. Ele é meio cliché em certos aspectos, mas é bem trabalhado. Ele é o nosso mundo, muitos anos no futuro. Tragédias e guerras aconteceram, e o mundo fora devastado. Após restaurar a harmonia com a natureza e os elementais, a humanidade se reergueu e uma nova era teve início. A era dos ‘homens elétricos’ ficou no passado, e agora, após o Pacto, os homens vivem em sintonia com a mãe natureza. Achei interessante também a religião, mas não vou explicar os detalhes aqui. As descrições dos cenários e das cidades são maravilhosas e bem vívidas. É possível formar uma imagem bem clara deles lendo as palavras da autora. Aliás, cada reino é bem diferente um do outro, cada um com suas várias particularidades.

O ponto fraco do livro é a trama\conflito. Não sei se foi este o caso, mas a impressão que eu tive é que a autora tinha uma história muito maior para contar, mas cortou-a pela metade e nos apresentou o primeiro volume. A trama não chega realmente a ter um clímax, e deixou mais perguntas do que respostas. Os capítulos finais nos mostram um mini clímax, um ponto de virada na trama, mas nada muito grande. A autora passa metade do livro nos preparando para algo, e esse algo só acontecerá, provavelmente, no segundo volume. Então espero que na continuação, ela nos apresente uma trama mais bem trabalhada.

A escrita é suave e poética, porém o ritmo é lento (fato que é agravado pelo problema na trama). Em certos momentos, chega a ser inquietante, porque a autora trabalha certos aspectos de forma insistente. Por exemplo, a relação de Andy com Rose. O narrador é onisciente, e a história é contada em terceira pessoa, no presente. Eu particularmente não gosto de livros escritos no presente, mas é questão de gosto. O narrador onisciente que fica saltando de ponto de vista de forma intermitente foi o que mais me incomodou neste quesito. O texto também tem muito infodump, e cai muito naquele lance de falar e não mostrar (tell vs show). Mas a escrita da autora é realmente bela. Se for melhor trabalhada, de modo a deixar a narração mais enxuta e sem muitas variações bruscas de pov, acredito que ficará muito boa.

Os personagens são bem construídos, em geral. A evolução de Andy é visível, embora eu prefira sua versão do início da história. Gosto da Rose, porque é uma personagem feminina interessante e independente. Mais do que uma condessa mimada, ela é uma jovem com ideais e sonhos próprios. Lucius III, o rei, e Ian Poler, um de seus conselheiros, também são bons personagens. Gostei muito da família de Andy, com seus dez irmãos, cada um deles com suas particularidades. Uma pena que foram tão pouco explorados e, após a primeira virada na trama, foram praticamente esquecidos. Espero conhecer mais deles nos próximos volumes, especialmente de Evelyn, que também parecer ser sensitiva à magia.

Aliás, o sistema de magia é bem interessante, mas também não foi bem explorado ou explicado. O que foi dito, porém, é suficiente para acompanhar a história sem problemas. Já as criaturas elementais são uma graça. Gostei da maneira como se deve falar com elas: através de rimas. Essa relação com a natureza retratado no livro é muito bela.

Veredito final: A autora soube como despertar a curiosidade do leitor, nos abriu o apetite com uma boa entrada, mas o prato principal precisava de mais sal. Eu espero, e acredito, que ela costurará as pontas soltas aqui deixadas, e tecerá um bom desfecho para a trama no segundo volume. É esperar para ler.

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2 comentários sobre “[Resenha] O feiticeiro – volume 1: O estrangeiro

  1. Fiquei interessada no livro, sempre me interesso em livros de fantasia, ainda mais se for nacional, a capa e bem legal!! Mas não gosto de ler séries inacabadas por não gostar de ficar esperando o próximo volume, prefiro comprar as já completas e ler tudo de uma vez… Então aguardarei.

    Curtido por 1 pessoa

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