Oscar Literário | Entrevista: Soraya Coelho

E eis a terceira entrevista com os indicados na categoria ‘Melhor autor nacional’ do Oscar Literário 2017. Com vocês, Soraya Coelho.

soraya

Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Oi pessoal! Eu sou a Soraya, uma analista de adwords que escreve e estuda sobre o mercado dos livros nas horas vagas. Sim, eu sou uma das responsáveis por aqueles anúncios que perseguem vocês, perdão! Como minha mãe era professora, cresci dentro de uma escola, então ler e escrever sempre foram coisas muito naturais para mim. Em 2015 eu conheci o Clube de Autores de Fantasia e comecei a perceber a importância da técnica e do estudo para a escrita. Desde então, estou tentando me profissionalizar, por assim dizer. Escrevi e publiquei os dois contos que estão concorrendo ao Oscar desse ano e, agora no começo de 2017, comecei um MBA para formação de Editores.

Você foi indicada ao Oscar Literário pelos seus contos Alice no fim do mundo e A diáspora das fadas. Fale um pouco sobre elas: o que te levou a escrevê-las, qual a sua inspiração e o que elas significam para você?

Inicialmente, A Diáspora das Fadas deveria ser um romance. A ideia surgiu antes dessa minha fase de estudos e, embora fosse muito bacana, acabou não se desenvolvendo. O capítulo inicial estava morto quando surgiu o concurso “Brasil em Prosa” da Amazon. Fiz alguns ajustes para caber na quantidade de palavras do concurso e publiquei. A inspiração foram as dezenas de livros de fantasia que consumi ao longo dos anos. Gosto em especial da lenda das fadas e ainda pretendo voltar a trabalhá-la em outro momento. Como esse é o conto de que menos gosto, sempre fico surpresa com a recepção das pessoas. Já Alice no Fim do Mundo foi uma história que nasceu de uma sentada só. Estava voltando do trabalhando quando pensei na frase que abre o conto: “Alice mora no Fim do Mundo, onde a terra acaba e começa o vazio da Criação.” É uma história que eu gostaria de ter dado de presente à minha mãe. De certa forma, acho que dei.

Aliás, como você se sente com esta indicação ao Oscar Literário?

Esses dias li um tweet que meio que resume como me sinto. Nessas horas a conta é: 20% alegria sincera, 30% confusão sobre o motivo e 50% crescente ansiedade diante da possibilidade de decepcionar quem fez o elogio. Eu sempre fico surpresa quando as pessoas falam sobre as minhas histórias porque, uma vez que elas vão para o mundo, eu raramente volto a olhá-las. Sempre sinto vergonha de algo que escrevi, penso que poderia ser melhor, então para evitar esses sentimentos, eu finjo que elas não existem. Daí chega alguém e fala “Ei, li sua história e achei bacana” e eu fico “WTF?”. Nesse caso, o susto foi maior porque eu tenho um respeito imenso pelas indicações do Oscar Literário, que são sempre maravilhosas.

Como é o seu processo de escrita?

Em geral, eu tenho uma ideia inicial que pode ser uma frase, uma cena ou só um elemento. Gosto de fazer um resumo breve do que será a história e quais o seus principais elementos. Gostaria de ser mais organizada, tipo a Jana Bianchi, e criar um outline bacana para servir de guia, mas não tenho muita paciência. Um dia eu chego lá!

Quais os seus planos para o futuro, no ramo literário? Tem outros projetos em andamento?

Tenho um livro de contos pronto para ser revisado, chamado Aletheia. Provavelmente, estará pronto para publicação até metade do ano. Além dele, também quero voltar a trabalhar no projeto Santos, uma fantasia urbana ambientada em São Paulo. Como se trata de um romance, com certeza vai me dar um pouco mais de trabalho. Sou mais contista que romancista, fazer o quê? E tenho várias ideias pipocando na cabeça o tempo todo, incluindo um projeto para o mercado editorial, para onde quero direcionar boa parte dos meus esforços no momento.

Por fim, tem algo mais que queira falar? 

Jovens autores: invistam em sua formação. A inspiração é bacana, mas em geral ela só aparece quando você já passou horas trabalhando. Nessas horas, a ferramenta certa em mãos ajuda demais. Leitores: apostem na literatura nacional. Tem muita coisa boa entre os autores independentes, abram seu coração para eles.

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