Oscar Literário | Entrevista: Thiago d’Evecque

Hoje trazemos nossa quarta entrevista com os indicados na categoria “Melhor autor nacional” do Oscar Literário. Conheçam o Thiago d’Evecque.

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Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Meu nome é Thiago d’Evecque e sou escritor, jornalista, carioca e autor de Limbo e de alguns contos. Tento tocar ukulele e sou um amante das coisas refinadas da vida: chouriço, paçoca e — prepare-se — pão com requeijão e Toddy (ou Nescau, se você não tiver bom gosto). Não são coisas separadas, é tudo junto. Sim, é o que parece: eu passo requeijão no pão e salpico o Toddy, o pó, por cima.

Também sou bem estranho, como ficou claro.

Gosto de ler de tudo — de Dan Brown a Tolkien —, mas prefiro fantasia. Meus autores favoritos são Terry Pratchett e Douglas Adams e eles são os culpados diretos por eu ter começado a escrever. Nunca vou perdoá-los.

Tudo relacionado a fantasia me atrai, desde séries até videogames (atualmente jogando Disgaea 2 novamente). São fontes de inspiração e ideias inesgotáveis para mim.

Tenho um blog, o pequenosdeuses.com.br, onde falo sobre escrita, histórias, filmes e tudo mais, apesar de ninguém nunca me pedir. Sou faixa preta em procrastinação e até [continuar depois]

Você foi indicado ao Oscar Literário pela sua obra Limbo e pelos seus contos Como me tornei um personagem e Noir rarefeito. Fale um pouco sobre eles: o que te levou a escrevê-los, qual a sua inspiração e o que eles significa para você?

Limbo teve inspirações demais para que eu possa listá-las . Animes, jogos, livros… o livro é uma grande homenagem a tudo que me marcou (por isso tantas referências no livro). Algumas dessas coisas são Dark Souls, Fate: Stay Night, Discworld, Mochileiro e sei lá mais o quê. O negócio da inspiração é que a maior parte dela é inconsciente. É inevitável a gente colocar o que nos afetou em algum momento da vida e o que estamos curtindo no momento. Muita coisa eu nem lembro que foi inspiração, mas depois algo se encaixa e percebo o quanto me influenciou. Me sinto manipulado por mim mesmo.

O Noir rafereito foi uma cena que me veio exatamente como escrevi. Algo simples com uma pequena surpresa no final. Para quem gostou dele, recomendo fortemente os filmes (e a série, se você conseguir achar) Corra que a polícia vem aí, com o falecido Leslie Nielsen.

O Como me tornei um personagem não é pra ser nenhuma crítica pós-moderna ou algo filosófico. Foi uma pequena meditação sobre a necessidade de atenção e cliques (troca like? segue de volta? olha como sou engraçado e diferente) em vez do foco no conteúdo.

Aliás, como você se sente com esta indicação ao Oscar Literário?

Essa indicação foi maravilhosa. Quando escrevi Limbo, eu nunca esperei esse tipo de retorno. Nunca esperei retorno nenhum, na verdade. Achei que eu e meu livro fôssemos vagar em um plano de não-existência onde a luz e a atenção das pessoas seriam direcionadas para outros lugares. Sabe, tipo um limbo. Brincadeira. Mais ou menos.

O negócio é que eu não esperava mesmo. Muitos leitores entraram em contato comigo para falar sobre o livro, para conversar, dar ideias, sugestões, recomendações de outras leituras, etc. Fiz muitas amizades graças a Limbo e esse resultado, ainda que não me coloque como bestseller mundial, superou minhas expectativas e me deixou mais que satisfeito.

Como é o seu processo de escrita?

Eu uso o Scrivener para estruturar o manuscrito, mas o processo começa mesmo com papel e lápis. Vou anotando as ideias e juntando todos os pedaços da história até ter algo que lembre, de longe e com boa vontade por parte do observador, um enredo. Termino o resto da estrutura (prefiro um delineamento mais folgado em vez de estruturar cada cena, diálogo e quantas vezes o protagonista suspira e levanta a sobrancelha em dúvida) e então é partir para escrever a primeira versão, que vai me deixar deprimido por ser absolutamente terrível. Depois é consertar até ficar, quem sabe, feliz, mas aí já é exagero.

Também uso outro programa para as sessões de escrita, o Cold Turkey Writer. Ele não possui nenhum tipo de edição, corretor ou customização. É apenas uma tela em branco para você escrever. Mas seu ponto forte é outro: ao abrir o programa, você escolhe uma meta para a sessão de escrita, que pode ser medida em quantidade de palavras ou bloco de tempo. Enquanto essa meta de palavras não for atingida — ou o tempo expirar —, é impossível sair do programa. Não tem como dar alt + tab ou tentar qualquer gracinha para burlar esse cão do inferno. É uma ótima ferramenta para os 29 dias do mês em que não estou inspirado.

Quais os seus planos para o futuro, no ramo literário? Tem outros projetos em andamento?

Estou terminando um livro baseado no conto Ninjas, Robôs e Dinossauros. Apenas levemente baseado, porque mudou muita coisa. Vai ser meu próximo lançamento e torço para que curtam!

Por fim, tem algo mais que queira falar?

Não, acho que já falei até demais. Muito obrigado pelo convite e pelas indicações, Renan!

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