Indicação da semana | [Filme] Deus da carnificina

Continuando a coluna na qual eu indicarei livros, filmes, músicas ou qualquer outra coisa que achar interessante, hoje falarei sobre Deus da carnificina.

Título: Deus da carnificina (Original: Carnage)

Diretor: Roman Polanski

Gênero: drama\comédia

Ano: 2011

Duração: 80 min

carnage_poster

Este é um filme baseado na peça de teatro Le Dieu du carnage (“O deus da carnificina”) da roteirista e atriz francesa Yasmina Reza. A adaptação ficou por conta do diretor Roman Polanski (O bebê de Rosemary, O pianista, Chinatown) e conta com um elenco de peso, como é possível ver no poster acima.

A premissa é bem simples. Dois colegas de escola, Zachary Cowan e Ethan Longstreet acabam se envolvendo em uma briga, que não acaba muito bem para Ethan: Zachary lhe dá uma paulada na cara. Os pais de Ethan, Michael (John C. Reilly) e Penelope (Jodie Foster) convidam os pais de Zachary, Alan (Christoph Waltz) e Nancy  (Kate Winslet), para discutir o assunto em seu apartamento. A partir desse cenário a trama se desenvolve. O que de início era uma conversa civilizada e calma entre quatro adultos acaba se tornando tornando um verdadeiro barraco de vizinhos, com direito a xingamentos e doses homeopáticas de humor negro. Ou, como está dito em outro poster, sorrisos irão desaparecer, temperamentos irão aflorar, carnificina vai governar.

O foco do filme, devo logo avisar, não é violência física, e sim verbal. A “carnificina” é algo mais simbólico aqui. O filme é uma crítica, na forma de humor negro, à futilidade e hipocrisia da sociedade. A medida que o filme avança, a máscara de civilidade dos personagens vai caindo, revelando sua verdadeira natureza. O personagem do Waltz sintetiza bem o tema, ao dizer: “Eu acredito no deus da carnificina, que reina sobre todos nós desde tempos imemoriais”.

O filme sustenta-se praticamente nos bons diálogos. Devido ao fato de os personagens estarem confinados à um único cenário, há uma leve sensação de que estamos vendo uma peça de teatro. O que não é estranha, já o roteiro é baseado em uma. Isso de maneira alguma é desmérito.

Destaque também para a atuação do elenco. Jodie Foster está sensacional, interpretando uma escritora, historiadora e amante de arte. Christoph Waltz, como sempre, não desviando muito do tipo de papel que sabe fazer, mas está bem convivente como um advogado sem escrúpulos e com tendências niilistas.

Algumas citações marcantes

[Alan para Penelope] Eu vi sua amiga Jane Fonda outro dia na TV. Me fez querer correr e comprar um postar da Ku Klux Klan.

[Alan] Moralmente, você deve segurar seus impulsos, mas há momentos em que você não quer segurá-los.

[Nancy] Estou cagando para o seus direitos humanos!

Curiosidade

Jodie Foster e Kate Winslet foram ambas indicadas ao Globo de Ouro, na categoria Melhor atriz em comédia ou musical.

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