Sobre a Arte da Escrita | Diálogos: como os utilizei na prática

Na primeira parte dessa postagem, falei sobre diálogos e como eles deixam o texto mais rico. Comentei como o Quentin Tarantino escreve diálogos primorosos e como utilizar essa técnica para evitar infodump. Agora, na segunda parte, mostrarei como utilizei tudo isso na prática: no romance que escrevi.

Peço desculpas por está puxando a brasa para a minha sardinha, mas é a vida. Não é somente ataque de oportunidade pra falar do meu livro ou preguiça de pensar em outra coisa. Tem outros motivos. Primeiro, o texto já está lapidado. Diferente do exemplo que postei na primeira parte, no qual pensei por meia hora, aqui eu trabalhei o texto várias vezes, durante meses. Segundo, como é um texto meu, sei exatamente o que eu queria ao inserir essa ou aquela frase. Assim, fica mais fácil eu explicar as técnicas que apliquei, e o raciocínio que usei ao escrever dessa ou daquela maneira.

Farei isso em duas partes. Na primeira, mostrarei como lidei com infodump em meu texto. Na segunda, mostrarei como foi a construção de uma das personagens. Todo isso utilizando diálogos, claro.

Me conte uma história, mas faça direito

Muita gente que escreve fantasia comete um erro grave. Quantos livros você já leram no qual o prólogo mais parece uma enciclopédia, relatando fatos históricos, geopolítica e mitologia de um mundo inventado? Eu só aceito isso na Bíblia. O resto não tem desculpa. Considere, por exemplo, estas informações sobre o mundo do meu romance:

No início do segundo milênio da quarta era, o reino de Lyás, cujo povo descende da linhagem do clã dragão, foi conquistado pelo rei Alberyen, do reino de Vyz. Os soberanos das terras da ninfa estenderam sua sombra sobre o que antes fora o glorioso Império Dragão. Todas as cidades da região passaram a ser distritos da capital Vyzar.

As terras de Vyz são abençoadas por Yzys, a deusa das Flores e da Serenidade, e os descendentes da ninfa desfrutam de um reino idílico e frutífero. Já a terra do clã dragão é desértica e seca, e quase nada cresce lá. Com exceção de gëuba e buike, presente dos antigos deuses draconianos. Duas especiarias muito caras e bastante apreciadas em todo o continente, e até fora dele. Antes, Lyás sobrevivia da exportação desses produtos. Após a conquista, o governo de Vyz passou a controlar a exportação e a taxar o comércio. A maior parte dos lucros ia para a capital ou para os governo local. Pouco sobrava para a população. Em poucos anos, a fome a pobreza passaram a assolar os distritos subjugados.

Eis que ergueu-se um líder, Stahe Kruige, que liderou a povo contra a capital. O conflito durou por meses, e ficou conhecido nas canções como “a revoada dos dragões”. Stahe foi preso e morto em praça pública, e a rebelião esfriou. Mas a chama da rebelião jamais morreu. Cinquenta anos depois, após uma terrível seca, Vyzar aumentou as taxas. O povo, mazelado e negligenciado, ergueu novamente sua voz e suas foices. A segunda revoada dos dragões foi ainda mais sangrenta que a primeira. A terra seca embebedou-se do sangue dos filhos dos dragões.

Mais eis que da escuridão surge uma esperança. Um mago, vindo do estrangeiro. A semente da terceira revoada dos dragões foi enterrada. No solo seco de deserto, ela germinará.

Isso poderia ser muito bem o prólogo do meu livro. Ainda bem que não é! Tenho certeza que espantaria alguns leitores e editores com esse trecho. O que fiz aqui foi puro infodump. O que fiz em meu romance foi diluir todas essas informações em diálogos. Vejamos.

A primeira coisa que fiz foi mencionar as especiarias gëuba e buike, que são a fonte de toda a treta. Leiam este diálogo, entre o caixeiro viajante Lyuzäk e o senhor feudal Juän Moha’ra. Os dois conversam enquanto saberiam a janta.

— Lorde, esta carne aqui… Divino, divino.

— Não é verdade? O mais nobre corte de gado nyscari, cozido com ervas élficas e temperos de Myr. Mas o toque especial vem Lyás: raspas de sementes de gëuba e buike picotado. Agora, meu caro Lyuzäk, você sempre me surpreende. Da última vez que o vi, você tinha uma filha a menos.

[Note ainda como eu uso o diálogo para introduzir, de forma sutil, o worldbuilding. Com uma frase inocente e aparentemente irrelevante, já sabemos que existem elfos nesse mundo e sabemos que Lyás exporta gëuba e buike, seja lá o que isso seja. Também dar a entender que Moha’ra e Lyuzäk se conhecem a muito tempo, o que fica ainda mais evidenciado pela resposta do caixeiro viajante.]

— E tu, milorde, tinha algumas tapeçarias a menos no castelo, que, aliás, é maior do que eu recordava.

Um pouco depois disse, lê-se:

[Lorde Moha’ra falando com Lyuzäk] — Onde conseguiu estas sementes?

— Consegui algumas nas terras de Lyás. Comprei direto com a fonte.

— Terras de Lyás? Vejo que suas andanças o levaram longe, meu amigo — o lorde disse, e lançou um olhar para a menina. [filha adotiva de Lyuzäk, que possui o fenótipo da região de Lyás] — Como estão as terras do dragão?

— Quentes. Fervilhantes, na verdade.

— Oh, eu ouvir falar sobre isso. Outra revolta, hã? Contra a capital.

— A segunda em menos de um século. Eles chamaram de segunda revoada dos dragões. Mas, como a primeira, não levou a nada. Os revoltosos não tem força contra Vyzar.

[Com essa única reposta, já somos introduzidos ao clima do conflito. Sabemos que as terras de Lyás estavam em guerra contra a capital do reino suserano. O motivo? Ainda não está claro, mas ficará. E, ao que parece, a revolta surtiu em nada]

— Dragões que não conseguem matar uma ninfa! Quase poético. Algo digno de um escrito de Deméon Shüny.

[Personagens fazendo referências a personagens históricos dentro da história do livro: acho isso massa. E até dá um ar mais realista ao diálogo. Deméon Shüny foi um famoso escritor no universo do meu romance]

No capítulo seguinte, Lyuzäk retorna à Lyás e conversa com o morador, Barhend, em uma taberna. Se você quiser saber coisas a respeito de um país ou região, conversar com as pessoas que vivem por lá é uma boa. Mostra não apenas o que está acontecendo, mas como o povo vê a situação. Além disso, muitas vezes, a opinião de alguém diz mais sobre ela que da situação em si.

[Lyuzäk falando com Barhend] — O povo aqui é muito animado, hã?

— Isso não se pode negar — ele disse, após sorver um gole da cerveja, que desceu quente. — A música é a cura para o cansaço da labuta diária.

— Sim, verdade. É impressionante como uma boa música é contagiante.

[Uma maneira boa de iniciar um diálogo com um desconhecido: falar sobre um assunto comum. Ambos estavam em uma taberna, curtindo a música oferecida pela banda. “Small talks” são uma boa maneira de fazer a conversa fluir, além de dar um tom realista. Insiram “small talks” em seus livros! Além disso, embora não esteja claro, eu estou trabalhando o tema do romance aqui, qual seja, como o ambiente afeta as pessoas, e vice-versa. A música é contagiante. Se você estiver trabalhando um tema em seu texto, tente inseri-lo ao longo dos diálogos]

— Concordo, meu amigo. Eu sou Barhend, filho de Thurén.

— Eu sou Lyuzäk, filho do mundo — o outro falou, com inconfundível sotaque do oeste. — Esta é minha filha Arisha.

— Filho do mundo, hã? O que te traz a Króz? Certamente não é a poeira das ruas.

— Ficaria surpreso se eu disser que vim apenas apreciar boa música?

— E valeu a viagem?

— Até agora sim — o homem de preto respondeu. Tomou um gole de sua bebida. — Eu sou um caixeiro viajante. Vim tentar a sorte nestas terras.

[Com uma frase, já começamos a sentir o ambiente: Króz é uma cidade na borda de um deserto. O clima, a vegetação, o solo, tudo é seco. Além disso, é estabelecido que Lyuzäk é um caixeiro viajante, o que lhe dá propriedade para falar sobre coisas dos outros reinos]

— Sorte, hã? Nosso povo não conhece esta palavra. Aqui é só labuta e sofrimento, e um pouco de calor humano à noite. Sinto dizer, Lyuzäk, mas acho que terá que tentar sua sorte em outro lugar.

[Aqui vemos como um habitante enxerga a situação do seu povo. Obviamente, os moradores da capital terão uma opinião diferente.]

— É, percebi isto quando cheguei. Mas a música é boa — ele disse. Bebeu mais. — Viajei muito por Niith. Gëuba e buike são duas especiarias muito apreciadas. O povo de Lys adora. Eu vi plantações de buike a perder de vista nos campos fora da cidade.

— E quase todo o lucro vai para os intendentes locais e para a capital.

— É, eu sei disto. Agora entendo porque seu povo lutou na primeira e na segunda revoada dos dragões.

[Sem dizer explicitamente com todas as palavras, agora entendemos o motivo das duas revoltas: Lyás tinha potencial para ser um reino rico, vivendo da exportação das especiarias que crescem por lá. Mas não é, pois não é um reino livre, e o lucro vai para a capital.]

— Lutas que não valeram de nada. Não temos força contra a capital. Só tivemos perdas. Meu avô perdeu a vida na segunda revoada. Meu pai perdeu a mão direita. Este é o nosso legado. Poeira, trabalho e sofrimento.

[Aqui fica estabelecido o drama: o povo de Lyás não tem poder para enfrentar os opressores. Também vemos que Barhend tem uma atitude conformista a respeito do assunto. Se isso reflete ou não a opinião do povo, não é claro. Mas não interessa aqui].

Depois, temos um grande salto no tempo. Arisha, a filha adotiva de Lyuzäk, já adulta, arranja uma oportunidade de conversa com os conselheiros que governam a cidade de Vyzar.

— Você deve ser Arisha Trum, representante de Króz, estou certo? Eu sou Tytösh Claws. Recebi seu pedido formal de reconsideração dos impostos.

— Ah, claro. Peço que pense no assunto, pois nosso povo anda sofrendo muito. Estes últimos anos foram pouco frutíferos, as colheitas….

— Sim, eu li seu pedido, não precisa repetir.

A jovem que acompanhava Tytösh tomou a palavra.

— O Conselho deverá se reunir ainda esta semana e discutir o seu pedido.

— E você é?

A loira fechou sua cara.

— Meu nome é Mëlka Artys, e sou a presidente do Conselho de Vyzar.

[Aqui temos a visão de Vyzar dos fatos, mesmo que subtendida. Ao que parece, reconsiderar os impostos não é a prioridade número um dos governantes. E por que seria, afinal?]

Bem mais na frente, outro personagem também dá sua percepção sobre o assunto e fornece mais detalhes sobre a segunda revolta. Tive que editar um pouco essa parte, para evitar spoilers, mas a essência do diálogo não foi perdida.

— Vyzar é a fonte de nossos males, senhora — Ebelyn disse. — Ela suga de nós o que não temos.

— E o que seria?

— Nossas vidas.

Y’ellänv, o elfo, se intrometeu na conversa.

— Acredito que ele queria dizer que os impostos são altos.

— Dois quintos de toda a produção das cidades do Vale de Rhú e Lyás, e do Planalto de Livház vai para Vyzar — Ebelyn informou. — Mais dois quintos ficam com os intendentes locais. Acha que isso é justo?

— Você acha? — a moça falou.

— Veja, houve uma seca. Eu era uma criança. Tinha lá os meus oito ou nove anos — Ebelyn falou. — Foi uma das piores que houve em anos, ou era isso que diziam os anciões. A produção de nossas especiarias decaiu a quase zero. Acha que recebemos ajuda da capital?

— Nenhuma saca de grãos, eu imagino — a moça disse.

— Isso não é a pior parte. A seca também atingiu Vyzar, então eles tinham uma desculpa. Mas usaram essa mesma desculpa para aumentar as taxas, nos anos depois da secura. Metade da produção ou dos lucros ia para Vyzar.

— Foi quando estourou a segunda revoada dos dragões — o elfo disse. — Estou certo?

— Meu pai e meus irmãos morreram nessa revolta, senhor — Ebelyn falou. — Os que não morreram da seca, morreram por sangue.

Bem, com isso acho que todas as informações relevantes sobre o contexto da revolta foram postas à mesa. E utilizando apenas diálogos! Há ainda outro diálogo, no qual é mencionado o líder da primeira revolta, Stahe Kruige, mas não vou reproduzi-lo aqui. Acho que já consegui mostrar meu ponto.

Diga-me o que tu falas que eu te direi quem tu és!

Ações dizem muito sobre a personalidade de uma pessoa. Mas diálogos também revelar muita coisa nesse aspecto. Já comentei na primeira postagem como Tarantino usou um diálogo inocente para pincelar as personalidades dos envolvidos. Nessa postagem, mostrarei como tentei fazer o mesmo com os meus personagens. Vou pegar uma em particular: Lianny Rykhé.

Antes, o backgroud. Lianny é professora de história da Academia de Nissar, e discípula do arquimestre da Irmandade da Luz. Também é uma maga poderosa. Quais os traços de sua personalidade? Ela é workaholic, metódica, detalhista e determinada. Também tem um problema de TOC, é medrosa e o fato de dedicar muito tempo ao trabalho prejudica um pouco sua interação social.

Agora como estabelecer tudo isso sem dizer explicitamente? Isso mesmo, diálogos. (Mostrar ações também, mas esse não é o foco da postagem). Então selecionei alguns trechos que exemplificam isso.

Assim somos apresentados a nossa personagem (eu considero esse um dos meus melhores diálogos hehehe):

— Ei, Ly! Lianny, aqui.

— Oi, Sy, como vai? Algum problema?

[Observe como as duas se tratam usando apelidos carinhosos. Isso demostra intimidade. As duas se conhecem a muito tempo]

— Não, não. Eu só queria te apresentar uma amiga dos tempos de Lys. Ly, esta é Myskälle Deskain, da Guarda da Lua. Myka, esta é Lianny Rykhé, professora do departamento de História.

— É um prazer conhecê-la, Lianny.

— O prazer é meu, kir. Bem, eu a cumprimentaria, mas minhas mãos estão meio ocupadas agora.

— Tudo bem, não se incomode.

— Lianny é pupila de Jhören Lentt — Sybelle informou. — Na verdade, sua pupila favorita.

— Oh, deve ser uma grande honra ser treinada por uma lenda viva — Myskälle disse. — Vejo que também seguiu os passos dele até no ramo acadêmico.

— Pois é. Jhören meio que me ensinou todo o que sei. Então, Guarda da Lua, hã? Nunca estive em Lys. Dizem que é uma cidade muito bonita.

— Realmente é — Myka disse. — Você deveria ir lá algum dia.

— Eu pretendo. Estou começando a estudar história antiga de Ryv e dos povos do crescente lunar — Lianny respondeu, animada, e apontou com o olhar para a pilha de livros que carregava. — Sempre achei interessante. Afinal, lá é o berço da humanidade. Por isso estou começando a pensar em viajar para Lys, e ver a coisa de perto. É um pouco fora da minha especialidade, mas é bom mudar os ares de vez em quando.

— E qual a sua especialidade?

— A mesma de Jhören. Algo ainda mais antigo que Ryv. Minha tese foi sobre a estrutura social da civilização ysdiniana. Bem, mas agora eu preciso ir. Esta pilha aqui está bem pesada.

[Veem como ela só pensa em trabalho? Além disso, aqui já sabemos tudo sobre ela no que diz respeito à sua ocupação. Todas as informações estão aí. Ao mesmo tempo, estou pincelando o worldbuilding do universo que criei.]

— Ah, por que não passa em casa hoje a noite, Ly? — Sybelle sugeriu. — Podemos ir a Taberna da Alvorada, nós três, e conversar a noite inteira, o que acham?

— Obrigada pelo convite, Sy, mas tenho muito trabalho para fazer. Até mais.

[Ela recusa um evento social com uma amiga para poder se dedicar ao trabalho. Já está bem claro que ela é workholic]

Vejamos o próximo exemplo.

Lianny estava falando com uma das serviçais.

— Tu poderias, por favor, trocar este prato?

Ela apontou para a louça, que ainda estava vazia. A serviçal perguntou, polida:

— Algum problema, senhorita?

— Ah, nada de mais. Mas todos os outros pratos são brancos com detalhes florais azuis.

— Sim, eu vejo isso, senhorita.

— Sim, mas o meu é branco com detalhes florais azuis e vermelhos. Vê, não combinam. Quebra o padrão.

A serviçal olhou para Äiden [seu senhor], e depois para a cavaleira.

— Por favor, Zëli, troque o prato de kir Lianny — o conselheiro pediu, educado. A empregada assim o fez. Äiden falou à cavaleira. — Perdão, kir. Parece-me que confundiram os jogos de pratos.

— Tudo bem, conselheiro — ela disse. — Perdão pelo incômodo.

[Não é preciso dizer mais nada. Aqui já está bem claro que Lianny tem TOC: ela não gosta quando as coisas quebram o padrão]

Por ser muito dedicada no que faz, Lianny acaba esperando o mesmo das outras pessoas. Vejam:

— Ano que vem eu irei para a Academia — Aljäine interrompeu. — Pretendo estudar Artes Literárias.

— Ah, sim! Aljä se dedica muito aos estudos — Kérnely [mãe de Aljäine] exclamou. — É o orgulho da família.

— Fazes muito bem, continua assim, garota — Lianny falou. — Quem me dera que Edrik [seu pupilo] fosse assim.

Aljäine segurou um risinho. O rapaz tentou desconversar.

— Falando assim parece até que não me dedico aos estudos, mestra.

— Tuas notas medianas no Colégio me diziam o contrário. — Ela virou-se para Äiden. — O conselheiro há de concordar que, como sua tutora, é meu dever preocupar-me com suas notas e seu rendimento.

— Perfeitamente, milady! — ele disse. Virou-se para Edrik. — Deveria ter orgulho de ter esta nobre e preocupada cavaleira como sua mentora.

Há ainda outros diálogos que reforçam outras características dela (como o fato de que é medrosa), mas eles contém spoilers. Porém, acho que já deu para pegar a ideia.

É isso, pessoal. Espero que tenham gostado da postagem. Até a próxima!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s