[Resenha] O homem de azul e púrpura

Hoje trago mais uma resenha de autor nacional. Estou devendo várias resenhas de livros que li este anos. Tentarei remediar a situação.

 

Obra: O homem de azul e púrpura (A canção de Quatrocantos #1)

Autor: Vilson Gonçalves

Editora: Buriti

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 228

 

azul e púrpura

 

O aspecto mais sensacional desse livro é com certeza o worldbuilding. Não somente por ser incrível e fabuloso por si só, mas pela sua originalidade e ousadia. Em um cenário lit fan nacional dominado por mundos com roupagem europeia medieval, surge um autor com a coragem de escrever em um universo inspirado nas culturas pré-colombianas. Isso por si só já é louvável. Torna-se ainda mais espetacular quando passamos a conhecer Quatrocantos, e nos impressionamos com a riqueza e a exuberância desse mundo. Vilson usou e abusou da criatividade para criar Quatrocantos.

A maneira como ele faz isso na prática, porém, deixa a desejar. O autor é descritivo demais. Ele descrever praticamente tudo: costumes, vestimentas, comidas, habitações, raças, etc. Isso torna a leitura muito cansativa, deixando o ritmo bastante lento. São páginas e páginas de uma detalhada exposição do mundo de Quatrocantos, que faz o livro em vários momentos parecer um almanaque.

Até mesmo os diálogos, em sua maioria, são expositivos, servindo apenas para nos mostrar mais aspectos do mundo, no maior estilo “As you know, Bob” ou utilizando um personagem-orelha. A narrativa também foca mais em contar do que mostrar, na ânsia do autor de nos apresentar mais um detalhe do universo criado.

Os personagens (ou, pelo menos, aqueles que mais aparecem) são bons, bem distintos um do outro. O protagonista Wayar (o homem de azul e púrpura, por causa da cor de suas vestimentas, símbolo de sua família) é um tipo particular de personagem que acho muito interessante. Ele é aquele sujeito que fez coisas incríveis na vida, e sua fama espalhou-se pelo mundo, sendo admirado por onde passa. Sua fama o precede, e com razão. Chamo esse tipo de personagem de “lenda-viva”. É clichê, eu sei, mas eu gosto. Porém, por mais legal que seja o personagem, ele não tem um arco propriamente dito. Ele termina a história do mesmo jeito que começou. Não me importo com este detalhe, na verdade, mas precisa ser mencionado.

Quem realmente experimentou a jornada do herói (ou, pelo menos, partes dela) no livro foi Pukakiru, o líder da guarda da caravana de Waynar. Ele foi meu personagem favorito. Ele realmente evoluiu como pessoa, de modo que o Pukakiru do início da jornada é diferente do Pukakiru do fim desta. É muitas vezes através dos olhos desse personagem que conhecemos Quatrocantos, já que ele pouco conhece do mundo, assim como nós.

Não há nada de espetacular na trama, e a culpa disso é falta de conflito. Apesar de sabermos que uma guerra acabara de terminar, e ainda há resquícios dela em algumas partes do mundo, ela não influi para que haja um verdadeiro conflito na história. Há sim um pouco de ação e emoção em algumas partes, mas são coisas pontuais. Embora bem escritas e envolventes, não tem relação com uma trama maior, e estão lá, possivelmente, apenas para dar emoção ao livro.

Em resumo, a trama é essencialmente uma grande jornada, na qual acompanhamos a carava de Waynar. Jornada esta que parece apenas uma desculpa para nos apresentar o mundo de Quatrocantos. Mas é um mundo tão fascinante que nós perdoamos.

Veredito final: recomendo para todos aqueles que estão cansados do modelo europeu em um mundo de fantasia.

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