[TAG] Oscar Literário: Vencedores

A espera acabou. É chegada a hora de anunciarmos os vencedores da terceira edição do Oscar Literário do blog Ponto de Acumulação. Se você perdeu o anúncio dos indicados, confira a lista aqui. E agora sem mais delongas: and the Oscar goes to…

MELHOR WORLDBUILDING

O homem de azul e púrpura

quatrocantos
Ilustração do próprio autor Vilson Gonçalves, representado um dos povos de Quatrocantos

O livro do Vilson tem alguns problemas de trama e ritmo. Porém, o mundo criado pelo autor é magnífico. É um mundo rico, cheio de detalhes, muito bem pensado. Mas o aspecto mais interessante é que é um universo baseado na culturas pré-colombianas. Poucos livros de fantasia focam nessa temática. Por esses motivos ele vence nessa categoria.

EDIÇÃO MAIS BONITA

Rubra – A guerreira carmesim

rubra

A edição desse livro é primorosa. Capa belíssima e uma diagramação caprichada, cheia de detalhes. Leva essa com louvor.

MELHOR CONTO DE AUTOR NACIONAL

Boi, de Lauro Kociuba

boi bumba color
boi bumbá

Meu conto favorito da antologia Raízes de vento e sangue. Tanto pela trama amarrada e encantadora, quanto pela estrutura narrativa inteligente (intercalando presente e passado\lenda e fato), quanto pelo plot twist. Mas o que mais me encanta nesse conto é esse lance de como os fatos são distorcidos quando viram lendas.

MELHOR CONTO DE AUTOR ESTRANGEIRO

A última pergunta, de Isaac Asimov

a-ultima-pergunta

Não há o que dizer sobre esse conto, só sentir. Um texto sublime, recheado de conceitos físicos complexos. Já falei desse conto aqui.

MELHOR TRAMA

O nome do vento

nome do vento

A história de vida de Kvothe, o Sem Sangue, o Arcano, o Matador do Rei, é encantadoramente maravilhosa. É uma trama absurdamente bem estruturada, ágil, daquelas que ansiamos por mais e mais, e no final nos arrependemos de ter lido com tanto afã.

MELHOR PERSONAGEM SECUNDÁRIO FEMININO

Auri (O nome do vento)

auri

Como não se encantar com essa personagem doce e misteriosa? Em alguns momentos, ela chega a ser mais interessante que o protagonista, ofuscando o brilho da lenda vida Kvothe.

MELHOR PERSONAGEM SECUNDÁRIO MASCULINO

Major Major Major Major (Ardil 22)

major major
major Major, no filme que foi inspirado no livro.

De todos os personagens absurdos desse romance satírico, major Major é certamente o mais icônico, tanto pela sua história de vida quanto pela suas idiossincrasias.

MELHOR PROTAGONISTA FEMININA

Úrsula Iguarán (Cem anos de solidão)

Úrsula Iguarán

Cem anos de solidão é repleto de personagens inesquecíveis. Apesar do tom meio fantasioso da história, seus personagens são reais. É como se você pudesse encontrar com qualquer um deles ali, na esquina. Vi na figura de Úrsula Iguarán diversas mulheres que conheci durante a vida, em especial uma de minhas avós. Ela leva esse prêmio com louvor.

MELHOR PROTAGONISTA MASCULINO

Kvothe (O nome do vento)

kvothe
O ruivo mais foda da literatura fantástica

Kvothe é um personagem que tinha tudo para dar errado: ele é simplesmente bom em tudo (menos em se relacionar com mulheres). Assim, ele poderia ser bem desinteressante, pois que conflitos tem alguém foda em tudo? Não é o caso. Kvothe é um personagem complexo, carismático, do tipo que o leitor não se importa em se deixar levar por seus encantos.

MELHOR AUTOR NACIONAL

Lauro Kociuba (por Raízes de vento e sangue)

lauro

Lauro fez algo que poucos se propuseram a fazer, e o fez de maneira magistral: trabalhou com o folclore brasileiro. Raízes de vento e sangue é uma obra não apenas maravilhosa, mas necessária.Temos um folclore rico, cheio que potenciais boas histórias. Nossos mitos são como uma floresta virgem ansiando por ser explorada. Lauro a explorou, e nós agradecemos por isso.

MELHOR AUTOR ESTRANGEIRO

Neil Gaiman (por Sandman)

gaiman

Uma palavra: Sandman. Sr. Gaiman, o mundo agradece por essa obra-prima atemporal.

MELHOR LIVRO NACIONAL

A lição de anatomia do temível Dr. Louison, de Enéias Tavares

lição de anatomia

Me surpreendi positivamente com essa obra. Não esperava algo tão maravilhoso, ainda mais por ser minha primeira experiência steampunk. Todos os meus receios com relação ao livro foram se desfazendo a medida que avançava a leitura. A escrita do autor é maravilhosa. A estrutura narrativa é bem peculiar, embora não original; mas é fascinante mesmo assim. O fato de Eneias alternar entre diferentes formas de apresentação de texto (epístolas, trechos de diários, transcrições de gravações, etc) poderia ter deixado a obra confusa e desajeitada, mas não, só a deixou ainda mais sublime.

Não há bem ou mal, certo ou errado, belo ou feio nesse livro. Tudo é cinza, tudo é agridoce, toda ação é moralmente questionável, todo personagem é conflituoso. Enéias mostra o que há de mais podre na alma humana, a verdade que todos conhecemos, mas ignoramos. Diante disso, somos apresentados a um dilema moral: atos desumanos justificam o uso de outros atos igualmente terríveis como forma de punição? E quem tem o direito de julgar esses transgressores? Os fins justificam os meios? E quando os próprios fins são questionáveis?

No fim das contas, Dr. Louison nos dá não só uma lição de anatomia, mas de filosofia. E Enéias Tavares nos dá uma lição de narrativa.

 

MELHOR LIVRO ESTRANGEIRO

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márques

cem anos de solidão

Existem histórias que tocam nosso coração. Algumas tocam nossa mente. Mas Cem anos de solidão é uma dessas poucas obras que tocam a alma. Sua leitura me trouxe um sentimento agridoce. Um misto de melancolia com saudosismo e um outro sentimento que só posso explicar como “a sensação de contemplar a vida observando o pôr do sol no mar enquanto ouve uma melodia triste”.

Gabo não apenas descreveu Macondo, a cidade fictícia onde se passa a história. Ele nos transportou para lá, através de sua escrita maravilhosa. Era quase como se pudéssemos sentir seu cheiro, seu clima, a terra sob nossos pés, a chuva sobre nossas cabeças. Quem cresceu em cidade do interior (ou em um bairro com ar mais interiorano, como foi meu caso), reconhecerá em Macondo diversos elementos e situações saudosamente familiares.

Mas o melhor são os habitantes de Macondo. São personagens maravilhosos, humanos, singulares. Terminamos o livro com a sensação de que conhecíamos todos aqueles personagens durante toda a nossa vida. Terminar a leitura foi como dar adeus a velhos conhecidos que sabemos nunca mais rever.

Macondo e seus habitantes são um retrato da vida. Sua fundação, ascensão e queda é uma metáfora para a solidão do título da obra. A solidão: é isso que move a trama. Cada personagem, é único, emblemático, memorável, mas todos, sem exceção, se afundam em uma vida solitária, mesmo estando cercados por outras almas marcadas pelo mesmo estigma. E o fato de você se enxergar ou enxergar conhecidos em alguns deles é o que causa a sensação de melancolia.

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2 comentários sobre “[TAG] Oscar Literário: Vencedores

  1. Que post maravilhoso! Conheci o Vilson (virtualmente) através do Escambau, mas ainda não li “o homem de azul e púrpura”, lembro-me de ficar super curiosa e ansiosa com a ideia dele, preciso ler! Quando li O nome do vento fiquei encantada, corri para comprar e ler O temor do sábio, espero muito o terceiro!

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