[Resenha] O auto da maga Josefa

O blog anda quase morto, mas há algumas resenhas estou devendo. É questão de honra.

 

Obra: O auto da maga Josefa

Autor: Paola Siviero

Editora: Dame Blanche (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 250

Sinopse:

Toda lenda tem raízes na realidade e Toninho sabe disso melhor do que ninguém – a seca é apenas uma das muitas maldições que assolam o Agreste. Fantasmas, vampiros e gigantes não assustam esse jovem caçador de demônios, mas ele se surpreende ao conhecer a misteriosa Josefa, que também percorre as estradas áridas do Nordeste atrás de criaturas malignas. As intenções da maga em lutar contra os seres de outro mundo talvez sejam obscuras, mas a jornada ao seu lado certamente será uma aventura inesquecível…

 

 

josefa

 

Macho véi, esse é o tipo de livro que devia ser leitura obrigatória em nossas escolas, especialmente em escolas nordestinas. É possivelmente o tipo de história que faria alguém se encantar pela literatura em geral. Mas é certamente uma história que encantaria qualquer pessoa, inserindo o leitor dentro de um universo fascinante e original.

A imersão é completa. Paola conseguiu, com sua escrita caprichada e sublime, nos teletransportar para o sertão nordestino de maneira orgânica. Eu, como um legítimo cearense, não apenas me vi representado, mas me vi resgatado por um estranho sentimento de nostalgia. Uma sensação saudosa de poder ler o linguajar próprio do agreste em um texto, linguagem essa que eu já quase havia esquecido. Isso foi simplesmente maravilhoso. Acho que mesmo uma pessoa que não conhece as particularidades desse linguajar não terá dificuldade de imergir na história, talvez sem esse toque saudosista.

Os personagens são encantadores, especialmente a dupla de protagonistas. A química entre os dois é muito boa. Mas não se engane: apesar de parecer que a história gira em torno dos dois, Toninho e Josefa, a verdadeira protagonista é a maga. Apesar de a história ser episódica (o que às vezes afeta o ritmo da narrativa), existe uma trama maior correndo nas entocas. Cada episódio é uma peça a mais no quebra-cabeça, onde vamos descobrindo mais e mais sobre nossa querida maga.

O “ato final” eu achei maravilhoso, porque tem: revelação bombástica, mas que só os mais atentos vão perceber; subversão de expectativa; e uma das melhores homenagens à cultura nordestina que já vi (como se o livro inteiro já não fosse uma homenagem, não é mesmo?). Também dá margem para uma continuação. Será? Bem, estou satisfeito com esse universo, mas seria bom conhecer mais dele.

 

Veredito final: para aqueles que gostam de uma história arretada.

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