[Resenha] O homem vazio

Olá, pessoal! Estive sumido, mas voltei do Rio de Janeiro do Lado de Lá para escrever esta resenha.

Obra: O homem vazio

Autor: Thiago Lee

Editora:  Independente (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia urbana

Número de páginas: 378

Sinopse:

Otto está desaparecendo, e ele sabe disso.

Tímido e solitário, Otto divide seu tempo entre o trabalho, o trânsito infernal e os hospitais, que visita frequentemente com a mãe enferma. Em meio a uma onda de sumiços na cidade, ele descobre a São Paulo do Lado de Lá, uma realidade paralela que engole cada um dos desaparecidos.

E ele pode ser o próximo.

Uma a uma, as pessoas na vida de Otto começam a esquecer que ele existe: conhecidos, colegas de trabalho, familiares. É quando ele é visitado por um rapaz idêntico a ele — um duplo — que vive na São Paulo do Lado de Lá. Os dois, então, precisarão da ajuda de Ana, irmã que Otto não vê há anos, para impedir que os sumiços continuem.

vazio

 

Esse livro retrata a alma da sociedade moderna. Trata de temas atuais e importantes, que precisam ser discutidos, tais como: superficialidade das relações humanas, impessoalidade das redes sociais, solidão, vazio existencial, necessidade de aprovação, amizades. Vivemos numa sociedade que preza pelos valores errados, nos sentimos cada vez mais desconectados das pessoas, ao passo que estamos cada vez conectados com as mídias sociais. Buscamos por atenção na internet, mas nos falta calor humano. O subtexto desse livro é um grande soco no estômago, pois ele expõe o vazio que há em nós.

E por isso simpatizamos (e empatizamos) de cara com os protagonistas. Tanto Otto quanto Ana são exemplos da juventude vazia de hoje. São personagens muito bem construídos, trabalhados com esmero, seus dramas são palpáveis, dá para sentir o sabor amargo de suas angústias. Aliás, não somente eles, mas todos os personagens são muito bons. Quase todos tem mais de uma camada, e nunca são preto no branco, são personagens com tons cinzas. Até mesmo os protagonistas têm traços duvidosos no caráter, o que os torna ainda mais reais.

O tom fantástico do livro é encantador. A São Paulo do Lado de Lá é conceitualmente impressionante, e dá realmente para perceber as inspirações no realismo mágico. Coisas acontecem sem muita explicação, e muito da dinâmica mágica é deixada para especulação do leitor. Isso pode ser ruim para quem busca uma narrativa mais fechada. De minha parte, achei que a história pedia por um pouco mais de esclarecimentos na parte fantástica, mas nada que atrapalhasse a experiência literária.

A história é contada em primeira pessoa, alternando, na maior parte, entre os pontos de vista dos irmãos Otto e Ana. Porém, não senti uma real diferenciação das vozes dos narradores, parecia que estava lendo algo contado pela mesma pessoa. Isso porém, não me incomodou muito, e no geral achei a escrita do Lee bastante agradável. É uma narração bem direta, sem muitos floreios, mas funcional.

Lee consegue impor um bom ritmo à história, construindo uma atmosfera de mistério urgente, nos impelindo a sempre ler mais um capítulo, na ânsia de obtermos respostas. Confesso que entrei duas madrugadas a dentro, mergulhando nessa história alucinante. A trama, porém, perde fôlego no ato final, e parece se perder um pouco no meio das próprias subtramas. Após o “clímax” ainda havia vários arcos para serem fechados. E mesmo o ponto alto para mim foi meio decepcionante, mais pelo fato de que a solução final poderia ter acontecido em qualquer ponto da história. Entendo que o livro foca mais numa jornada interna dos personagens, é um arco de autodescobrimento, mesmo assim, para mim ficou uma sensação de que a trama principal poderia ter se resolvido nas primeiras trinta páginas. Outro ponto é que o derradeiro final soou muito Disney pra mim, mas aí já é questão de gosto pessoal.

Apesar do final, eu amei o livro. Sua leitura foi uma grande experiência, e realmente me peguei refletindo sobre os temas tratados nele. Já o considero um clássico moderno da literatura brasileira, e uma leitura obrigatória para qualquer pessoa do século XXI. Lee consegue fazer uma crítica metafórica à geração atual sem cair em obviedades sem sutileza ou criar uma narrativa hermética e obscura, e ainda nos presenteia com uma história emocionante.

 

Veredito final: para todos aqueles que sentem o peso do vazio no século XXI

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