Oscar Literário | Entrevista: Rodrigo Assis Mesquita

Olá, pessoal! Hoje trazemos nossa última entrevista com autores nacionais, para o Oscar Literário. Com vocês, Rodrigo Assis Mesquita.

rodrigomesquitaperfil

Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Meu nome é Rodrigo Assis Mesquita e sou adepto da pré-pós-verdade, da liberdade dentro da cabeça e do brigadeiro de colher. Escrevo principalmente ficção científica e fantasia, com contos e novelas publicados e despublicados.

Depois de um hiato de mais de uma década, voltei a escrever em 2015 inspirado pelo concurso Brasil em Prosa, da Amazon, e pela qualidade inacreditável da novela (então indie) Lobo de Rua, da Jana Pin.

Atualmente, participo do podcast Curta Ficção ao lado do Thiago Lee e da própria Jana e estou num projeto embrionário de histórias seriadas junto com outros autores e editores.

Isso tudo sem deixar de estudar escrita criativa. Continuar lendo

As crônicas de Erys – prólogo

Olá, pessoal! Hoje trago uma novidade. Para quem não sabe, eu estou escrevendo um livro. É uma fantasia épica meio medieval. (Meio, porque o mundo não é bem medieval; tá mais para era pré-industrial, mas enfim…). Já faz algum tempo (dois anos?) que estou trabalhando nessa história. Já teve várias versões, passou por várias revisões e pelo olhar crítico de leitores beta e uma leitora crítica. Após muitas considerações, resolvi mudar toda a estrutura da história, e agora estou revisando os capítulos, excluindo alguns e adicionando outros.

Queria dizer que hoje terminei de reescrever (ainda falta revisar) a primeira (de cinco) partes da história. Para comemorar, resolvi disponibilizar o prólogo para degustação. Também queria dizer que eu sei que tem uma galera que não aprova essa parada de prólogo, mas eu acho que cada caso é um caso. Meu estilo de escrita é lento, a história demora para emplacar, eu gosto de ficar apresentando personagens, explorando worldbuilding, plantando as sementes dos mistérios, etc. Além de que, neste caso específico, a história é não-linear (eu gosto de dizer que se o livro fosse um filme, seria dirigido pelo Tarantino). Então como a história é lenta, pode ser que tenha leitor que queira desistir logo. Assim, o prólogo, que é curto, e vai direto ao ponto, é importante. Ele planta a curiosidade na mente dos leitores e prepara uma arma de Chekhov que será disparada mais adiante na história (desculpem o trocadilho ruim, não resisti). Eu acho importante o autor despertar a curiosidade do leitor, porque é isso que o fará continuar lendo sua história.

Então basicamente é isso. Você pode ler o prólogo logo a seguir. Leia também:

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Dicas, sugestões, críticas, opiniões são sempre bem vindas 😀


Prólogo

Cidade de Nova Aymon, Estados Unificados de Käli

13/13/2.358 EL

Viemos da luz das estrelas, e para elas retornaremos.

Jhören encarava o corpo do menino morto jazia sobre mesa de pedra. Já estava com as nádegas doloridas de tanto ficar sentado. Resolveu levantar-se. Recostou-se contra a parede fria e ficou a observar a dança monótona das sombras projetadas pelas chamas das velas na parede oposta. Não havia janelas no recinto. O ambiente era insalubre, mórbido. Um profundo silêncio imperava no local. A tensão e a impaciência dos que ali se faziam presentes era quase palpável. Jhören tentava não encarar o garoto, pois a visão lhe trazia memórias que gostaria de esquecer. As memórias vinham, mesmo assim.

Klaus Reolyn cochilava na cadeira, ao seu lado. Ou, talvez, fingia cochilar. Kir Jelhuká Tamëy lia um livro, do outro lado da sala, aproveitando a luz das velas. Era A última badalada dos sinos de Hali, de Deméon Shüny. Kir Dunza Davö estava sentado, encarando as paredes. Não parava de mexer os pés.

— É uma coisa trágica, a morte — ele disse. — Eu me lembro da primeira vez que a encarei de perto.

Kir Jelhuká olhou de relance por cima do livro. Klaus abriu os olhos e encarou Dunza. Jhören perguntou:

— E como foi isso, kir?

— Foi nas praias de Älju. Eu vi uma garotinha se afogar no mar — ele respondeu. — Pessoas correram, entraram no mar. Eu inclusive. Foi em vão. Era apenas uma garotinha, contra toda a força e imponência do mar. Foi levada pela maré.

— Realmente trágico — kir Jelhuká falou, e voltou a ler seu livro.

— Isso não é o mais trágico, kir. Eu soube depois a história daquela garotinha. Ela nunca havia visto o mar antes — Dunza continuou. — Quando a família mudou-se para Älju, a menina ficou encantada com a grandiosidade do oceano. Tudo dia, no final da tarde, a menina pedia para a mãe levá-la à praia, para contemplar o mar. Sua mãe disse-me que isso tornou-se sua obsessão. Um dia, a senhora se distraiu por um instante e o mar levou sua filha.

Kir Jelhuká abaixou o livro e disse:

— Uma tola, isso sim.

Ela voltou a ler. Dunza aquietou-se e recolheu-se na penumbra.

Jhören ouviu passos apressados subindo as escadas, que logo pararam à porta. Uma voz fez-se ouvir, perguntando pelo corpo. Ele pode escutar com clareza a resposta de Andälle Shwavz, que fazia vigia lá fora, dizendo que todos esperavam dentro da sala.

A porta abriu-se. Três cavaleiros entraram. Jhören reconheceu kir Lourath Evelyn e sua pupila Lynöre Flynn. Lourath era um homem alto, de andar desengonçado e fala rápida. Usava grandes óculos de lentes élficas, e, às vezes, seu bagunçado cabelo loiro caia por cima de seu rosto, encobrindo sua visão. Em seu pescoço, ele usava uma joia de Jyrah-A’lëvyn em forma de lua. Vestia roupas leves, e em seu cinto estava amarrado uma fita vermelha.

Já Lynöre era baixa e andava sempre com a expressão fechada, como se sentisse uma eterna dor de barriga. O que mais se destacava nela eram seus cabelos, de um belo tom prateado. Era tocada pela lua, como o povo de Lys costumava dizer. A moça usava um vestido solto e uma fita amarela na cintura. Quando seus olhares se cruzaram, ela desviou, e seu rosto tomou uma expressão ainda mais séria.

Como ela lembra a irmã, Jhören pensou. Tentou afastar o pensamento, mas foi em vão.

O terceiro guardião era um sujeito magro, de olhar severo. Sua pele era negra e seu cabelo, crespo. Usava uma faixa preta na cintura, donde Jhören concluiu que era o grão-mestre da Fortaleza da Torre. O homem entrou apressado e atirou uns pergaminhos na mesinha de canto.

— Quem é o vhan aqui? — ele perguntou. Jelhuká levantou-se. — Explique o que aconteceu.

— O rapaz matou treze pessoas numa praça, hoje cedo — ela respondeu. — Depois caiu morto.

— Isso eu já sei. Quero os detalhes. Ele é um nyflyn? Não haviam outras crianças com ele?

A guardiã ainda mantinha o semblante sério, inabalável.

— Sim, eram sete crianças no total — ela continuou. — É difícil dizer se são usuários de ny. Embora ele aparentemente tenha usado mágica, é muito jovem para fazer o que fez por conta própria. As outras perderam a memória, pelo menos temporariamente. Não lembram de nada, depois que entraram na Torre. Duas delas aparentam sofrer de grave distúrbio mental e uma perdeu a visão.

— Entendo. Bem, era esperado, não é mesmo? Foram vistas pela última vez entrando na Torre de Aymon! — o grão-mestre falou. — Onde está o garoto que deu o testemunho? Aquele que desistiu de entrar na Torre.

— Eu o dispensei. Já falou tudo que tinha para falar. Estava muito abalado. Tudo que precisa saber, kir, está no relatório — ela apontou para os pergaminhos.

— Mas este foi o único a falecer, não é mesmo? — ele insistiu, apontando para o corpo na grande mesa de pedra. — Diga-me, houve ou não uso de magia?

— É claro que houve — kir Lourath interrompeu. Começou a percorrer a sala. — Não consegue senti-la neste exato momento? Toda esta sala está envolta em um estranho thy. Mas, por favor, kir Jelhuká, continue seu relato.

— Bem, já que mencionou isso, realmente todos nós sentimos um poderoso thy emanando do garoto.

Só de ouvir isso, Jhören sentiu um arrepio na espinha. Suas mãos ficaram frias. Ele moveu o peso do corpo para a outra perna. Tentou apagar da memória a lembrança da terrível sensação que tomara conta de seu espírito naquela manhã. A sala parecia cada vez mais fria.

— Este é o momento que todos esperávamos ouvir, não? — Lourath falou, se aproximando do defunto. — Descreva esse thy.

— Demoníaco. Esta é a palavra. Foi a pior sensação que já senti em minha vida — Jelhuká disse. — Muitas pessoas que estavam na praça desmaiaram na mesma hora.

— Acha que isso é capaz de matar uma pessoa? — Lourath perguntou.

— Não acho isso, mas é um thy que incute um medo irracional em nossas mentes.

— O que matou os moradores então? — o grão-mestre quis saber.

— Já disse. Foi o garoto. Ele parecia um animal selvagem, estava descontrolado — Jelhuká relatou. — Armado com uma faca, ele foi capaz de atacar treze pessoas antes que pudéssemos fazer alguma coisa. As pessoas desmaiavam antes que pudessem fugir. Eram como presa fácil. Foi um pânico generalizado.

“Entendo, entendo”, Lourath disse, batendo na mesa de pedra com o nó do dedo. O grão-mestre virou-se para ele.

— Sabe o que se passa aqui, kir?

— Não teriam me chamado aqui se eu já não tivesse uma ideia, Tynald.

Lourath lançou um olhar para Jelhuká. Ela virou-se para os outros e falou:

— Saiam. Todos vocês. Você também Dunza. Seu trabalho aqui já acabou. E nem pensem em tentar ouvir pela porta. Andälle, Klaus e Jhören, voltem para a estalagem e espere por mim lá.

Jhören encarou os amigos. Klaus fez que ia argumentar, mas Andälle fez sinal com a cabeça pedindo que não. Os três dirigiram-se em direção à porta e Jhören cruzou olhares com Lynöre.

Muito bem, Jhören, como iniciar um diálogo civilizado com Lynöre sem que os dois acabem discutindo novamente?

Ouviu a voz de Lourath.

— Lynöre, você fica. Você também, Jhören. O resto de vocês, podem ir.

Jhören encarou Andälle, e com um meio sorriso ela se despediu. Dunza já saíra antes disso. O último a deixar o recinto foi Klaus, que fechou a porta com suavidade. Jhören olhou para kir Jelhuká e, após um momento de reflexão, ela assentiu com a cabeça. Ele posicionou-se ao lado de Lynöre, que lhe lançou um olhar severo, antes de se afastar um passo para o lado. Lourath ajeitou os óculos e tomou a palavra:

— Não é preciso dizer que o que será dito e visto aqui deve permanecer em segredo. É sigiloso nível 4, pelo menos. Confiarei que as palavras aqui ditas não sairão desta sala.

Ele percorreu a sala com o olhar. Quando fixou os olhos em Jelhuká, esta falou:

— É uma Relíquia da Eternidade, não é?

— Não tenho dúvidas — o guardião disse, dando a volta ao redor da mesa onde estava o defunto.

— Nós o revistamos, mas não encontramos nada.

— Ei! Gostariam de me explicar o que está acontecendo? — Tynald protestou. — O que é essa tal de relíquia da eternidade?

— Melhor que explicar, eu te mostrarei — Lourath falou. — Mas antes, precisamos saber com qual tipo de Relíquia estamos lidando. Livro das Magias, apareça.

O guardião esticou o braço. Um ny surgiu do nada e logo em seguida um livro se materializou, flutuando acima de sua mão.

— Pelo olho de Feiten! — Jhören disse. Lynöre e Tynald também proferiam palavras de espanto. — O que é isso?

— Isso é uma das Relíquias da Eternidade, meu jovem. É o Livro das Magias. — Lourath respondeu. — E eu posso usá-la para descobrir qual relíquia está em posse deste menino aqui. Vejamos.

O tal livro abriu-se. Jhören sentiu de novo um ny. Lourath pareceu ler o que estava escrito e falou:

— Hum… Fúria Milenar… Isso é interessante. Senhoras e senhores, estamos lidando com a Relíquia do Demônio.

— E o que esta relíquia faz? — Jelhuká perguntou. — É perigosa?

— Quase inofensiva sozinha contra um nyflyn. Segundo o Livro, ela precisa de um hospedeiro com forte afinidade empática — ele disse. Olhou para o defunto. — Não parece ser o caso. O menino nem devia saber utilizar magia. Morreu porque não suportou o ny da Relíquia.

— E onde está essa tal relíquia? — Tynald perguntou. — Não a vejo aqui.

— Se o Livro estiver correto, o cristal está dentro da cabeça do garoto — Lourath falou. — Precisamos tirá-la daí. Vejamos.

Lourath fechou o livro e este desapareceu, tão de repente como surgira.

Pelas barbas de Nuban, mas o que é isso? Lourath não estava brincando quando falou que isso envolvia assuntos sigilosos nível 4.

O guardião debruçou-se sobre o corpo e pôs a mão em sua testa. Fechou os olhos e pareceu se concentrar bastante. “Sim, sim, estou sentido…” ele murmurava. Elevou seu poder.

Pelo olho de Feiten! Mas que ny é esse?

Quase como uma reação natural, Jhören sentiu uma perturbação no thy, emanando do garoto morto. Sentiu um arrepio e a semente do medo foi plantada em seu espírito. A flutuação vinha em ondas, cada vez mais fortes. Lourath mantinha o semblante sério, mas os outros presentes pareciam abalados com aquela estranha manifestação de thy. A sensação de um medo primordial tomou conta do recinto. Lynöre soltou um grito abafado enquanto jogava seu corpo contra a parede. Jhören segurou sua mão, mas a jovem pareceu se assustar ainda mais com seu gesto que com poderoso thy que permeava a sala.

— Estou bem — ela disse, seca, puxando sua mão.

Lourath continuava se concentrando. “Vamos lá, vamos lá!” ele murmurava. Aos poucos, a presença ameaçadora foi desvanecendo. “Isso, isso!”, agora dizia o guardião. O grão-mestre tentava ver mais de perto o que acontecia. Todos foram tomados por uma súbita curiosidade, quando sentiram um ny emanando do garoto.

— Não é possível, ele está morto — Lynöre sussurrou. — Como pode emanar ny?

Neste momento ela olhou para Jhören, talvez procurando uma resposta, mas isso ele não poderia lhe dar. O corpo do rapaz começou a levitar. Lourath continuava com um mão sobre sua testa. O guardião elevou sua mão. Jhören vislumbrou um ponto luminoso na testa do garoto. Era como luz de uma estrela, cintilante e azulada. O homem afastava cada vez mais sua mão. “Está vindo” ele dizia. No instante seguinte Lynöre murmurou espantada, quando um pequeno cristal emergiu de dentro da cabeça do defunto. Era pequeno, do tamanho de uma joia de anel ou uma semente. Emitia uma pulsante luz azul que, Jhören percebeu, estava em sintonia com as ondas de ny que chegavam a ele. Lynöre expressou tudo que ele gostaria de dizer naquele momento:

— Eu não entendo. Este cristal está emitindo ny?

Seu mestre admirava a joia, que flutuava a poucos centímetros de sua mão. Seu brilho estava diminuindo.

— Sim, querida, o ny vem desta joia.

— Isso é um totem de intensificação? — o grão-mestre perguntou.

— Mais importante, — Jhören falou — o que isso estava fazendo dentro… da cabeça dele?

O homem esboçou um sorriso. O brilho do cristal agora estava quase morto, e já quase não havia sinal do ny.

— Muitas perguntas, muitas perguntas — o guardião murmurou. — Isto é mais que um simples totem de intensificação de magia, meus caros. Não é um artefato mágico qualquer. — Ele ergueu a mão, o cristal ainda flutuando. — Isso é o ápice da magia ysdiniana. Uma pequena amostra de um imenso conhecimento milenar. Senhoras e senhores, contemplem! Contemplem uma das Relíquias da Eternidade!

 

[Newsletter] #03 – Lost, easter eggs, Star Wars e um desafio

Ponto de Acumulação

(de ideias, fatos e pensamentos)

 

O que repousa na sombra da estátua? (ou porque resolvi me tornar escritor)

Todo viciado possui sua droga de entrada. Aquela que lhe introduziu no mundo dos vícios. Não importa qual seja o vício, é certo que houve o primeiro. No caso do meu vício em séries de TV, minha porta de entrada foi Lost. E foi por causa deste seriado que resolvi me tornar escritor.

Lost não é a melhor série que já foi produzida. Mas ela foi um grande marco. Pioneira. Merece algum crédito. Seu problema é que os roteiristas se perderam (sim, o trocadilho foi intencional; sim, foi um trocadilho ruim). Mas apesar dos pesares, eu gostei. Não direi que não gostei do final, mas ao contrário de muita gente com quem conversei, ele pareceu bem claro para mim.

O motivo para eu apreciar tanto esta série é certamente o mesmo de ela ter feito tanto sucesso. É o fato de a trama ser recheada de mistérios. Mistérios atiçam a curiosidade. Atiçaram a minha. Atiçaram a milhões de fãs mundo a fora. Queríamos saber o que vinha depois; queríamos entender que p&@* estava acontecendo naquela ilha. Simples assim. Os caras sabiam como prender nossa atenção. Os fãs eram tão obcecados com a trama que discutiam teorias em fóruns na internet. (Eu era mais o cara que lia as teorias, mas tudo bem.) Continuar lendo

[Newsletter] #02 – True Detective, conhecimento matemático e primos gêmeos

Olá, pessoal. Hoje trago a segunda Newsletter do blog. Não está tão completa e diversificada como a primeira, mas é porque tive pouco tempo para prepará-la. Mas espero que gostem.

Ponto de Acumulação

(de ideias, fatos e pensamentos)

The light is winning

A internet aqui em casa está indo de mal a pior. De vez em quando ela me deixa na mão. Agora que ela está caindo com mais frequência, resolvi fazer algo útil quando isso acontece. Portanto estou reassistindo  esta que é sem sombra de dúvidas umas das melhores obras-primas produzida pela humanidade. Estou falando, é claro, de True Detective. Tenho a primeira temporada ainda no meu note 🙂

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Se você ainda não viu essa série, recomendo que veja logo. É simplesmente fantástica. Não é, certamente, uma série família. Pelo contrário, a história é crua, fria, sombria, e está cagando para a moral e os bons costumes da família tradicional brasileira. É uma série que choca e incomoda. Porém, mais que isso, é uma série para fazer refletir sobre a natureza humana. Assista com a mente aberta e livre de preconceitos. São abordados temas delicados como religião, paganismo, pedofilia, adultério, prostituição e insanidade. É uma história forte e complexa, mas poética.

Mas apesar de tudo, lembre-se de, na próxima vez que você contemplar o céu noturno, não focar sua atenção na escuridão dele e dizer que ela está vencendo. Observe bem as estrelas cintilantes e sua luz. No início havia apenas apenas escuridão. Agora temos as estrelas cintilantes. Ao que parece, a luz está vencendo. Continuar lendo

[Newsletter] #01 – Watchmen, Hunter x Hunter e o último teorema de Fermat

Olá, pessoal! Esta última semana foi bem tensa para mim, devido a duas listas que tinha que entregar (para quem não sabe, eu faço doutorado em matemática). Na verdade, creio que este semestre inteiro será difícil (até mesmo minhas leituras estão comprometidas, o que significa menos resenhas).

Pensado em um meio de não deixar o blog morrer e inspirado nas versões do Rodrigo e do Thiago, resolvi criar minha própria newsletter. Ou pelo menos, algo similar a uma. Tentarei fazer postagens semanais com pequenos textos curtos (ou não) sobre assuntos diversos. A ideia é seguir a filosofia do blog, ou seja, falar sobre quase tudo, especialmente cultura pop (e matemática).

Essa postagem funcionará mais como uma versão beta da coisa. Diferentemente das versões de meus colegas escritores e blogueiros, não irei pedir para se inscreverem na minha newsletter, nem pedirei seu e-mail ou algo do gênero. A princípio. Com o tempo, observando o andar da carruagem, veremos isso. Continuar lendo

Oscar literário – Premiados

Olá, pessoal! Para quem não sabe o blog Sem Serifa lançou a tag Oscar Literário. Eu resolvi aderir à brincadeira e no começo do mês eu anunciei os indicados à premiação. Hoje é chegada a hora de anunciar os vencedores. Foi bem divertido, mas algumas decisões não foram fáceis

Sem mais delongas, eis os vencedores.

PREMIADOS

Melhor criatura fantástica ou extraterrestre Continuar lendo

10 motivos para você assistir Battlestar Galactica

Olá pessoal!

Rumores recentes indicam que um filme de Battlestar Galactica pode estar sendo produzido pela Universal e os fãs (e isso inclui esta pessoa que agora vos fala) estão eufóricos. Na minha opinião, Battlestar Galactica é um dos melhores shows de TV de todos os tempos e este artigo é uma tentativa de mostrar meu ponto. Não direi que BSG é perfeito. Há erros de roteiro e alguns dos mistérios não foram completamente elucidados no final. Mesmo assim eu acho é uma série que vale a pena assistir. E agora que há a possibilidade de um filme, porque não dar uma chance a este seriado e fazer uma maratona?

Esse texto foi escrito pensando mais no leitor que nunca assistiu ou ainda está no começo da série. Haverá alguns spoilers aqui ou acolá, mas como eu sou gente boa, indicarei precisamente o momento em que começa e termina o spoiler, bem como a temporada correspondente.

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Poster da série

Vamos começar do começo. Battlestar Galactica é uma série de ficção exibida pela Syfy, entre 2004 e 2008. Ela é na verdade um remake de uma série dos anos 70. A série original tentou pegar carona no sucesso de Star Wars. Eu nunca assisti a original, apenas o remake, mas pelo que li, a produção mais recente é muito melhor. E bem, independente da série antiga, a nova é muito boa por si só e no final eu espero tê-lo convencido a assisti-la.

A série em si é precedida por uma minissérie com dois longos episódios, exibida em 2003. Continuar lendo