[Resenha] O castelo das águias

Estou devendo várias resenhas aqui no blog. Li vários livros este ano, resenhei poucos. Pretendo remediar essa situação. Por isso, hoje trago minhas impressões sobre mais uma fantasia nacional.

Obra: O castelo das águias (Athelgard #1)

Autor: Ana Lúcia Merege

Editora: Draco

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 191

Sinopse:

O Castelo das Águias é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual. Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo. Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

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O castelo das águias é uma daquelas obras gostosas de ler, pois a escrita é leve e fluída, e a narradora é encantadora. Acompanhamos a história de Anna de Bryke, a mais nova Mestre de Sagas da Escola de Artes Mágicas de Vrindavahn. Qualquer sentimento que isso possa lhe invocar devido à Harry Potter é completamente dispensável. O que temos aqui é uma trama mais madura, contada pelo ponto de vista de uma jovem professora. Não que HP seja ruim, pelo contrário. Mas o tom dado pela autora aqui é diferente, mais pé no chão. Continuar lendo

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[Resenha] Laranja Mecânica

Hoje trago uma resenha de um clássico: Laranja Mecânica. Não assisti ao filme do Kubrick (mas o farei em breve), então esta resenha será livre de comparações e vícios.

 

Obra: Laranja mecânica

Autor: Anthony Burgess

Editora: Aleph

Gênero: Distopia

Número de páginas: 224

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Mais do que uma história pontuada pela violência exacerbada, Laranja mecânica é uma obra reflexiva. O tema central do livro é como colocar as teorias do Behaviorismo em prática. Alex, nosso narrador e protagonista, é uma cobaia de um experimento cujo propósito é a correção de comportamento violento a partir de estímulos. Mas então fica reflexão: ao sermos privados do direito de escolher fazer o bem ou o mal, ainda somos humanos? Afinal, seria o livre-arbítrio o que nos define? Continuar lendo

[Resenha] A canção dos shenlongs

Olá, pessoal! Hoje trago mais uma resenha de uma obra nacional. Confiram.

 

Obra: A canção dos shenlongs

Autor: Diogo Andrade

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: fantasia épica

Número de páginas: 83

Sinopse:

Os tempos mudaram. A ascensão do Império de Housai obrigou os monges guerreiros shenlongs a se isolarem cada vez mais. Com o passar dos anos, os Quatro Templos sagrados se tornaram seu último refúgio. Os Antigos se foram. Seus descendentes desapareceram. Aqueles que resistem à nova ordem estão enfraquecidos.

Por mais de mil anos, o Templo da Montanha, Shanjin, se manteve firme em Linshen. E para Mu, Shanjin é sua casa. Chegou ao templo ainda criança junto de seu irmão, Ruk. E, quando Ruk é expulso da ordem monástica, Mu vive o conflito entre a dor da perda e se manter como um shenlong, fiel aos ensinamentos e o caminho de retidão.

Os problemas se agravam quando um espadachim misterioso traz a notícia da grande ameaça que pode abalar os Quatro Templos. O exílio não durará. Agora, os shenlongs de Shanjin devem reforçar suas defesas e se preparar para o combate. Pois, desta vez, nem a Barreira será suficiente para protegê-los.

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A canção dos shenglongs é uma daquelas obras curtas que tem o propósito de introduzir um novo universo de fantasia. Nesse sentido, ela cumpre muito bem o seu papel. Apesar de não sabermos muito a respeito do mundo que está ao redor de Shanjin, o autor soube mostrar bem como é a rotina no local, introduzindo de forma suave todo que precisamos saber sobre os shenlongs. Continuar lendo

[Resenha] Passagem para a escuridão

Olá pessoal. Após algum tempo de inatividade, volto a escrever no blog, desta vez trazendo resenha de obra nacional.

Obra: Passagem para a escuridão

Autor: Danilo Sarcinelli

Editora: independente (disponível na Amazon e no site do autor)

Gênero: fantasia sombria

Páginas: 298

Sinopse:

Guiados pela crença no deus-sol Ravi, que ajudou a humanidade a derrotar a Legião Negra do demônio Arkmal, a família Dante tornou a Tibéria um reino próspero e pacífico. Ou, pelo menos, é o que parece na superfície.

Quando o herdeiro ao trono César Dante é exilado após um ato impensável, a corte tiberiana divide-se em facções com planos próprios para o reino. E estão dispostos a tudo para garantir que consigam chegar ao poder.

Às vésperas do aniversário de dezoito anos do príncipe Lúcio Dante, um atentado põe em movimento um plano que mudará a Tibéria e os reinos vizinhos para sempre.

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Passagem para a escuridão é uma boa pedida para quem procura uma trama fantástica nacional. O livro não é perfeito, mas pode-se dizer que Danilo entrou com o pé direito no hall dos autores brasileiros, já preparando o terreno para o próximo volume. Continuar lendo

[Resenha] Ardil-22

Olá, pessoal! Hoje trago nova resenha aqui no blog. Trata-se do clássico, porém pouco conhecido, romance de Joseph Heller, Ardil 22.

Obra: Ardil-22

Autor: Joseph Heller

Editora: BestBolso

Gênero: romance satírico

Páginas: 560

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O livro é ambientado na segunda guerra, e nele acompanhamos a saga do capitão Yossarian, um bombardeador da Força Aérea Americana. Este livro consagrou o autor, Joseph Heller, e a história é inspirada livremente em sua experiência pessoal durante a guerra. A trama se desenrola, na maior parte, na ilha de Pianosa, onde se localiza o acampamento do esquadrão de Yossarian. Continuar lendo

[Resenha] Limbo

Olá, pessoal! Hoje trago uma resenha que já deveria ter feito há muito tempo. Trata-se da obra Limbo, do Thiago D’evecque.

 

Obra: Limbo

Autor: Thiago d’Evecque

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: dark fantasy

Número de páginas: 165

Sinopse:

O Limbo é para onde todas as almas vão após a morte. Além de humanos, deuses esquecidos e espíritos lendários também vagam pelo plano. Muitas almas sabem exatamente onde estão e por que; a maioria, entretanto, ainda tem a impressão de estar viva. A morte é um hábito difícil de se acostumar.

Um dos espíritos residentes no Limbo acorda sem nenhuma lembrança de sua identidade. Ele descobre que a Terra está prestes a ser destruída pelos próprios humanos e fica encarregado de enviar doze almas heroicas de volta. Elas reencarnarão no plano dos homens e tentarão reverter o quadro apocalíptico.

Contudo, poucas almas encaram o retorno com bons olhos. O espírito deve, então, forçá-las. Armado, de preferência. Assim, resolve visitar um velho amigo: Azazel, anjo ferreiro e primeiro escolhido da lista.

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A premissa do livro é bem clara. Temos o protagonista\narrador que acorda sem memória no Limbo. Apesar de não lembrar que é, ele sabe que tem uma missão: enviar de volta para a Terra 12 almas que estavam esquecidas no Limbo, na esperança de salvar a humanidade. Um a um, ele vista os escolhidos e tenta convencê-los a retornar (ou força-los a isso). A primeira vista, pode parecer algo repetitivo. E de fato, o começo é. Mas a coisa melhora a partir da quarta alma. O legal é que todas as doze almas são figuras conhecidas da cultura popular (ou pelo menos em alguma cultura; por exemplo, a segunda alma, Tomoe Gozen é uma guerreira lendária japonesa). Cada uma das almas tinha uma característica prezada pelo narrador, que, na sua visão, seria útil para a salvação da humanidade. Continuar lendo

[Resenha] Hellraiser – renascido do inferno

Sem lágrimas, por favor. É um verdadeiro desperdício de bom sofrimento

Obra: Hellraiser – renascido do inferno

Autor:Clive Baker

Editora:DarkSide Books

Gênero: Horror

Número de páginas: 160

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Hellraiser – Renascido do inferno é a primeira obra que li deste gênero, que é o horror mais gore. Confesso que esperava outra coisa, mas a realidade me surpreendeu, de forma positiva. Nunca assisti ao filme baseado no livro, o que é bom, pois deixará essa resenha livre de comparações.

O conceito do livro é bem interessante. Somos apresentados, logo no começo, aos Cenobitas, que são uma espécie de seres de outra dimensão, bastante originais. O livro começa com o personagem Frank tentando invocar tais criaturas, pois ele deseja experimentar sensações de prazer extremas, que supostamente os Cenobitas podem oferecer. É claro que a coisa dá errado, e Frank descobre da pior maneira que o conceito de prazer para este seres é diferente do nosso. A história em si começa quando Rory, o irmão de Frank, muda-se com sua esposa Julia para a casa onde o irmão fizera o ritual de conjuramento.

Pois bem, o primeiro capítulo é primoroso. A maneira como o autor descreveu a experiência de Frank, com todas aquelas sensações extremas, foi sublime. Baker conseguiu expressar em palavras o inexpressável aos sentidos humanos, tão limitados e frágeis. O primeiro capítulo já vale o livro todo. Depois a qualidade cai um pouco, mas nada muito grave. O autor soube construir o suspense necessário, e o clímax da história não deixa a desejar.

Já os personagens eu achei meio fracos. O autor não perde tempo caracterizando-os, ou explorando o drama deles. A construção de personagens poderia ser melhor, e realmente não cheguei a me apegar a nenhum deles. Além disso, achei suas motivações bem toscas. Em resumo: são personagens genéricos de histórias de terror.

Já a escrita de Baker me agradou bastante. Ela é leve e flui bem. A leitura não é nada cansativa, e dá para ler o livro numa sentada. A linguagem é maravilhosa, quase poética, o que me surpreendeu em um livro de terror.

Até o inverno – a estação mais dura e implacável – com a aproximação de fevereiro, sonha com a chama que o derreterá. Tudo fadiga com o tempo, e começa a buscar alguma oposição para salvar-se de si próprio.

Em resumo, este livro foi uma grata surpresa. Já quero ler mais do autor.