[Resenha] O homem vazio

Olá, pessoal! Estive sumido, mas voltei do Rio de Janeiro do Lado de Lá para escrever esta resenha.

Obra: O homem vazio

Autor: Thiago Lee

Editora:  Independente (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia urbana

Número de páginas: 378

Sinopse:

Otto está desaparecendo, e ele sabe disso.

Tímido e solitário, Otto divide seu tempo entre o trabalho, o trânsito infernal e os hospitais, que visita frequentemente com a mãe enferma. Em meio a uma onda de sumiços na cidade, ele descobre a São Paulo do Lado de Lá, uma realidade paralela que engole cada um dos desaparecidos.

E ele pode ser o próximo.

Uma a uma, as pessoas na vida de Otto começam a esquecer que ele existe: conhecidos, colegas de trabalho, familiares. É quando ele é visitado por um rapaz idêntico a ele — um duplo — que vive na São Paulo do Lado de Lá. Os dois, então, precisarão da ajuda de Ana, irmã que Otto não vê há anos, para impedir que os sumiços continuem.

vazio

 

Esse livro retrata a alma da sociedade moderna. Trata de temas atuais e importantes, que precisam ser discutidos, tais como: superficialidade das relações humanas, impessoalidade das redes sociais, solidão, vazio existencial, necessidade de aprovação, amizades. Vivemos numa sociedade que preza pelos valores errados, nos sentimos cada vez mais desconectados das pessoas, ao passo que estamos cada vez conectados com as mídias sociais. Buscamos por atenção na internet, mas nos falta calor humano. O subtexto desse livro é um grande soco no estômago, pois ele expõe o vazio que há em nós. Continuar lendo

[Resenha] Boas meninas não fazem perguntas

Obra: Boas meninas não fazem perguntas

Autor: Lucas Mota

Editora: Publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Distopia

Número de páginas: 159

Sinopse:

Após uma descoberta científica questionável, a Metrópole superou seus anos de recessão econômica através da legalização do comércio de mulheres.
Cansada de ser tratada como um produto, Marina decide fugir. Para isso, precisará enfrentar a Força, um departamento policial com alta tecnologia especializado na vigilância e aprisionamento feminino. Isso, é claro, se puder se livrar de sua coleira, que emite choques ao ser removida além de denunciar sua localização.

 

51ya06dEOxL

 

Este livro é uma leitura necessária. É uma crítica social pesada. É um soco no estômago da sociedade machista. Mas também é um livro que poderia ter a escrita mais polida.

Vamos lá. Temos aqui uma mensagem crua e direta, sem rodeios. Nada de simbolismos figurativos ou filosofias nas entrelinhas (não que eu não aprecie isso, pelo contrário, amo demais). Mas Lucas escolheu jogar na cara do leitor e gritar com todas as forças: a sociedade do livro é uma exageração da sociedade de merda em que vivemos. Existe um elemento de proximidade aqui. Nossa sociedade atual não está tão distante da distopia apresentada no livro (mesmo levando em conta que a justificativa para a existência dessa sociedade distópica seja um tanto fantasiosa). Isso é o que dá um peso tão grande à obra. Ao mostrar uma versão exagerada, mas plausível, do que somos como sociedade machista, percebemos o quão errada e doente é a nossa sociedade, e o quanto o feminismo se faz necessário. Continuar lendo

[Resenha] Araruama: o livro das sementes

Obra: Araruama: o livro das sementes

Autor: Ian Fraser

Editora: Moinhos

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 242

 

araruama

 

Esse é outro livro que se destaca pela construção de mundo. O universo criado por Ian é inspirado em diversas culturas indígenas da América, e eu acho essa ideia totalmente válida. Assim como falei na resenha de O homem de azul e púrpura, é um tipo de abordagem necessária, e que se destaca pela originalidade, e pela iniciativa do autor de escrever em um universo fora do padrão Europa medieval.

Achei legal que é um mundo muito jovem que está amadurecendo, digamos assim. Ele ainda está em formação, a cultura está mutando, as pessoas estão mudando, coisas estão sendo inventadas, novas ameaças estão surgindo, novas coisas que antes não tinham nome estão sendo nomeadas. Por isso mesmo que o subtítulo da obra é O livro das sementes. É um mundo que ainda florescerá. Ou, como está escrito na sinopse: essa é uma história de quando o mundo ainda era cru. Continuar lendo

[Resenha] Ordem Vermelha

Obra: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação

Autor: Felipe Castilho

Editora: Intrínsica

Gênero: Fantasia sombria

Número de páginas: 448

 

ordem vermelha

Essa obra é foda, mas com ressalvas. Ordem Vermelha é a prova de que literatura fantástica pode (e deve) ser relevante. É a prova de que temas atuais e necessários podem (e devem) ser trabalhados dentro de uma trama de fantasia. Até porque, o gênero fantástico é perfeito para servir de metáforas\analogias\simbolismos do mundo real. É exatamente isso que Felipe Castilho faz em sua obra. Mas é preciso deixar bem claro que ele comete alguns deslizes. Continuar lendo

[Resenha] O Quatro

Obra: O Quatro

Autor: Ariel Ayres

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia urbana\terror cósmico

Número de páginas: 227

quatro

Então, ele livro me deixou bem dividido. Vamos começar pelas partes que gostei:

O Narrador. Veja bem, eu disse Narrador, não narrador. É um conceito interessante. Além de narrador, ele também é um personagem, mas não temos aqui um narrador-personagem. Está mais para um ser onisciente que é de algum modo responsável pelos eventos do livro, mas que está só observando mesmo. Ou melhor, ele observa e comenta, e seus comentários são muito bons. Ele realmente interage com o leitor, dando uma falsa impressão de quebra da quarta parede. Ele é sádico, cínico, odeia a raça humana, e só quer ver o circo pegar fogo. E vai mesmo. Continuar lendo

[Resenha] Deixe as estrelas falarem

Olá, pessoal! Hoje trago outra resenha de autor nacional.

 

Obra: Deixe as estrelas falarem

Autor: Lady Sybylla

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Ficção científica / space opera

Número de páginas: 133

Sinopse:

Rosa não vê a hora de voltar para sua nave, o cargueiro independente Amaterasu. Reúne sua tripulação, mas se vê em uma situação desesperadora quando se percebe sem dinheiro, com a nave ancorada em um espaço-porto. Eis que um contrabando misterioso surge e uma oportunidade rara de fazer muito dinheiro em pouco tempo. Mas o trabalho não virá sem consequências para Rosa e sua tripulação.

 

estrelas

 

Lady Sybylla nos presenteia com uma história simples, porém cativante. É até um pouco diferente. Não temos aqui uma nave de batalha comandada por um capitão heroico enfrentando uma guerra épica. Não, aqui as coisas são em escalar menor: temos uma simples nave de carga, comandada por uma capitã bastante humana, enfrentando um conflito bem pessoal. Isso de modo algum tira mérito da história, muito pelo contrário. Continuar lendo

[Resenha] A face dos deuses

Olá, pessoal! Hoje trago a última resenha do ano.

Obra: A face dos deuses (As crônicas da aurora #1)

Autor:  Gleyzer Wendrew

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia sombria

Número de páginas: 167

Sinopse:

Heros Kinnhäert, rei de Maäen, ainda é atormentado pelos horrores vividos durante a Longa Guerra, e tudo que deseja é descansar em paz, mas ao saber da terrível aliança entre dois grandes senhores, vê-se preso em uma teia de conspirações nunca antes vista, e não medirá esforços para evitar a destruição de seu país…
No Norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto e se depara com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos… Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?
Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.

face

A face dos deuses é uma fantasia sombria, e nesse aspecto não decepciona. O tom macabro, frio e cruel da história muito me agrada, o que também faz dessa uma leitura que não é para todo mundo. Há muita violência gráfica, sangue, tortura, e outros atos absolutamente chocantes. A violência é tão banal que poderia ser um elemento ruim, estando lá apenas para chocar, mas não é o caso. Apesar de não necessariamente servir para avançar a trama, ela está inserida muito bem dentro do contexto do mundo criado, tornando-a um elemento natural daquele universo. Continuar lendo