[Resenha] O homem de azul e púrpura

Hoje trago mais uma resenha de autor nacional. Estou devendo várias resenhas de livros que li este anos. Tentarei remediar a situação.

 

Obra: O homem de azul e púrpura (A canção de Quatrocantos #1)

Autor: Vilson Gonçalves

Editora: Buriti

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 228

 

azul e púrpura

 

O aspecto mais sensacional desse livro é com certeza o worldbuilding. Não somente por ser incrível e fabuloso por si só, mas pela sua originalidade e ousadia. Em um cenário lit fan nacional dominado por mundos com roupagem europeia medieval, surge um autor com a coragem de escrever em um universo inspirado nas culturas pré-colombianas. Isso por si só já é louvável. Torna-se ainda mais espetacular quando passamos a conhecer Quatrocantos, e nos impressionamos com a riqueza e a exuberância desse mundo. Vilson usou e abusou da criatividade para criar Quatrocantos. Continuar lendo

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[Resenha] Mantenha o sistema

Olá, pessoal. Hoje trago mais uma resenha, desta vez de um livro pouco conhecido do mestre Orwell.  Sou fã do autor desde A revolução dos bichos e 1984. E fazia tempo que Mantenha o sistema estava na minha lista de leitura.

 

Obra: Mantenha o sistema

Autor: George Orwell

Editora: Itatiaia

Gênero: Drama

Número de páginas: 256

matenha o sistema

O livro é uma crítica descarada e pesada ao consumismo e ao capitalismo, cheio de reflexões sociais. O protagonista, Gordon Comstock, é um vendedor de livros e escritor fracassado que declarou guerra ao dinheiro. Diante do dilema moral da sociedade moderna (aderir ao sistema ou seguir seus ideais e fazer o que gosta) Gordon escolheu viver com pouco dinheiro. Tinha um “bom emprego”, rentável, numa companhia de marketing, mas largou tudo para tentar publicar livros, e acabou mofando em uma livraria. Assim encontramos nosso protagonista no primeiro capítulo. A trama do livro gira torno da questão: conseguirá Gordon atingir seus objetivos sem sucumbir ao deus do dinheiro?

A escrita de Orwell não é grande coisa, mas é precisa e direita. Os diálogos soam bem artificiais, mecânicos, sem graça. O autor os utiliza como ferramenta para passar suas ideologias. Orwell também usa e abusa da voz do narrador para esse propósito. Isso torna o livro pouco sutil, jogando na cara do leitor a mensagem principal. Mas não é um erro grave aqui.

O ponto alto, justamente o que adoro nos livros de Orwell, é o arco do protagonista. O autor sabe trabalhar o drama deles, e que drama, senhores. Orwell, como sempre, não tem pena de fazer o protagonista sofrer a afundar cada vez mais, com breves momentos de alívio. E tudo que acontece é muito coerente.

Eu sempre elogio o final dos livros do Orwell, pois são os melhores. O final de Mantenha o sistema, porém, deixou a desejar. Certamente é coerente com a trama, mas não é nada memorável. Isso porém não tira o brilho da obra. Apenas minhas expectativas que não foram atendidas.

 

Veredito final: para todos aqueles que pretendem declarar guerra contra o dinheiro.

[Resenha] O castelo das águias

Estou devendo várias resenhas aqui no blog. Li vários livros este ano, resenhei poucos. Pretendo remediar essa situação. Por isso, hoje trago minhas impressões sobre mais uma fantasia nacional.

Obra: O castelo das águias (Athelgard #1)

Autor: Ana Lúcia Merege

Editora: Draco

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 191

Sinopse:

O Castelo das Águias é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual. Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo. Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

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O castelo das águias é uma daquelas obras gostosas de ler, pois a escrita é leve e fluída, e a narradora é encantadora. Acompanhamos a história de Anna de Bryke, a mais nova Mestre de Sagas da Escola de Artes Mágicas de Vrindavahn. Qualquer sentimento que isso possa lhe invocar devido à Harry Potter é completamente dispensável. O que temos aqui é uma trama mais madura, contada pelo ponto de vista de uma jovem professora. Não que HP seja ruim, pelo contrário. Mas o tom dado pela autora aqui é diferente, mais pé no chão. Continuar lendo

[Resenha] Laranja Mecânica

Hoje trago uma resenha de um clássico: Laranja Mecânica. Não assisti ao filme do Kubrick (mas o farei em breve), então esta resenha será livre de comparações e vícios.

 

Obra: Laranja mecânica

Autor: Anthony Burgess

Editora: Aleph

Gênero: Distopia

Número de páginas: 224

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Mais do que uma história pontuada pela violência exacerbada, Laranja mecânica é uma obra reflexiva. O tema central do livro é como colocar as teorias do Behaviorismo em prática. Alex, nosso narrador e protagonista, é uma cobaia de um experimento cujo propósito é a correção de comportamento violento a partir de estímulos. Mas então fica reflexão: ao sermos privados do direito de escolher fazer o bem ou o mal, ainda somos humanos? Afinal, seria o livre-arbítrio o que nos define? Continuar lendo

[Resenha] A canção dos shenlongs

Olá, pessoal! Hoje trago mais uma resenha de uma obra nacional. Confiram.

 

Obra: A canção dos shenlongs

Autor: Diogo Andrade

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: fantasia épica

Número de páginas: 83

Sinopse:

Os tempos mudaram. A ascensão do Império de Housai obrigou os monges guerreiros shenlongs a se isolarem cada vez mais. Com o passar dos anos, os Quatro Templos sagrados se tornaram seu último refúgio. Os Antigos se foram. Seus descendentes desapareceram. Aqueles que resistem à nova ordem estão enfraquecidos.

Por mais de mil anos, o Templo da Montanha, Shanjin, se manteve firme em Linshen. E para Mu, Shanjin é sua casa. Chegou ao templo ainda criança junto de seu irmão, Ruk. E, quando Ruk é expulso da ordem monástica, Mu vive o conflito entre a dor da perda e se manter como um shenlong, fiel aos ensinamentos e o caminho de retidão.

Os problemas se agravam quando um espadachim misterioso traz a notícia da grande ameaça que pode abalar os Quatro Templos. O exílio não durará. Agora, os shenlongs de Shanjin devem reforçar suas defesas e se preparar para o combate. Pois, desta vez, nem a Barreira será suficiente para protegê-los.

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A canção dos shenglongs é uma daquelas obras curtas que tem o propósito de introduzir um novo universo de fantasia. Nesse sentido, ela cumpre muito bem o seu papel. Apesar de não sabermos muito a respeito do mundo que está ao redor de Shanjin, o autor soube mostrar bem como é a rotina no local, introduzindo de forma suave todo que precisamos saber sobre os shenlongs. Continuar lendo

Perguntas para escritores

Tá rolando pelo Twiiter e Facebook uma brincadeira. Não sei bem quem começou isso, mas são 20 perguntas sobre escrita. Respondi algumas delas no Facebook, mas resolvi responder todas aqui no blog.

 

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1 – Por quanto tempo você tem escrito?

Desde 2012. Mais precisamente, desde o NaNoWriMo de 2012. Mas já escrevia alguns textos menores e (pasmem!) poesia desde tempos imemoriais. Na verdade, desde quando eu tinha um computador. Lembro que um dos meus primeiros textos era um conto sobre uma garotinha que se recusava a falar “bom dia” e em vez disso falava “feliz dia novo”. Sim, é bem tosco :v

2 – O primeiro par que você escreveu.

Não sei se entendi direito. Vou pegar a interpretação da Jana Bianchi e assumir que é coisa de fanfic. Nesse caso, se eu fosse escrever uma fanfic sobre um par romântico, seria Arthur Dent e Trillian, da série O guia do mochileiro das galáxias. Continuar lendo

[Conto] A travessia

Nesse domingo trago mais um texto de minha autoria. Espero que apreciem 🙂


A travessia

 

A passarela para pedestres devia ter uns sete ou oito metros de altura, mas para mim parecia um prédio de trinta andares. Sob ela, uma larga avenida, com um intenso fluxo de veículos e nenhuma faixa de pedestres ou sinal à vista.

Suspirei e passei a mão pelo cabelo.

Descera do ônibus há pouco mais de um minuto e tudo que fizera nesse meio tempo foi encarar a passarela. Não muito, claro, pois o sol incidia direto em meu rosto. Passei a mão pela testa, limpado um pouquinho de suor. Verifiquei as horas no relógio.

Pus as mãos no bolso da calça jeans e caminhei bem devagar à escada que levava para a passarela. A cacofonia dos carros mal me deixava concentrar em meus pensamentos. O lixo jogado no muro perto do primeiro degrau não cheirava ruim, mas sua presença incomodava. Na parede, uma pichação qualquer ininteligível e ao lado a frase “Quem tem medo de viver não nasce” escrita em vermelho berrante. Continuar lendo