Sobre a Arte da Escrita | Diálogos: como os utilizei na prática

Na primeira parte dessa postagem, falei sobre diálogos e como eles deixam o texto mais rico. Comentei como o Quentin Tarantino escreve diálogos primorosos e como utilizar essa técnica para evitar infodump. Agora, na segunda parte, mostrarei como utilizei tudo isso na prática: no romance que escrevi.

Peço desculpas por está puxando a brasa para a minha sardinha, mas é a vida. Não é somente ataque de oportunidade pra falar do meu livro ou preguiça de pensar em outra coisa. Tem outros motivos. Primeiro, o texto já está lapidado. Diferente do exemplo que postei na primeira parte, no qual pensei por meia hora, aqui eu trabalhei o texto várias vezes, durante meses. Segundo, como é um texto meu, sei exatamente o que eu queria ao inserir essa ou aquela frase. Assim, fica mais fácil eu explicar as técnicas que apliquei, e o raciocínio que usei ao escrever dessa ou daquela maneira.

Farei isso em duas partes. Na primeira, mostrarei como lidei com infodump em meu texto. Na segunda, mostrarei como foi a construção de uma das personagens. Todo isso utilizando diálogos, claro. Continuar lendo

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Sobre a Arte da Escrita | Diálogos: como eles podem enriquecer seu texto

Resolvi criar uma coluna sobre dicas de escrita aqui no blog. Não que isso vá se tornar algo rotineiro (afinal, o que é rotineiro aqui neste blog semi-abandonado pelo blogueiro?). Talvez essa coluna nem passe desta postagem. Só sei que toda vez que eu tiver algo que julgar relevante para falar sobre o assunto, talvez eu fale (o fator preguiça também entra nessa equação).

Talvez você esteja perguntando com que propriedade eu falo sobre esse assunto. Em outras palavras: quem sou eu na fila do pão literário? Quase ninguém, para falar a verdade. Minhas credenciais nesse tópico resumem-se a minha experiência como leitor\aspirante a cinéfilo, alguma experiência com escrita (que não passa de uns poucos contos e um romance ainda não publicado) e uma dose de bom senso. Mas aprendi uma coisa ou outra sobre escrita enquanto estudava para finalizar meu romance. Espero que baste. Feito este disclaimer, podemos prosseguir.

Meu objetivo é tentar te convencer de como diálogos pode ser um recurso literário muito útil e, se usados de maneira inteligente, como tornam o texto mais rico. Eu, como escritor, gosto muito de utilizá-los. Meu texto é praticamente só isso. Bem, é coisa de estilo. Diálogos são a alma do texto. Se eu conseguir te convencer disso no final desta postagem, terei cumprido minha missão.

Vamos pensar assim: qual o objetivo de um livro? Contar uma história. Sim, mas não somente isso. A trama não é tudo em um romance. Um bom livro tem personagens cativantes, que devem ser construídos de maneira inteligente. Um bom livro não subestima seu leitor, dando todas as informações de mão beijada: ele tem subtexto, mensagens nas entrelinhas, temas sendo explorados. Alguns diriam que um bom livro faz mais uso de ‘show’ em vez de ‘tell’ ou não enche o saco do leitor com infodumps. Tomemos isso como premissa, para não ofender os mais sensíveis. Enfim, um bom livro tem tudo isso. E existem várias formas de se trabalhar esses elementos. Não tecerei comentários sobre todas essas maneiras. Veremos como fazer tudo isso utilizando um bom diálogo. Continuar lendo

Indicação da semana | [Conto] A última pergunta

A indicação desta semana é um dos textos mais belos e simbólicos que já li. Estou falando do já clássico A última pergunta, um conto de Isaac Asimov. O texto aborda um conceito da física chamado entropia. Calma, eu explico. Em termos físicos, a entropia mede a irreversibilidade de um sistema. Posto em termos mais humanos, digamos que ela mede o quanto um sistema está ‘desorganizado’, embora isso não seja muito preciso. A segunda lei da afirma que, num sistema termodinamicamente isolado, a entropia tende a aumentar. Ou, posto em termos imprecisos de senso comum, a desordem só aumenta. Reverter a desordem dá muito trabalho. Pense assim: é mais fácil quebrar um ovo do que reconstruir um ovo quebrado.

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Eu juro que Asimov explica e expõe melhor esse tema em seu conto. A última pergunta foi feita ao Multivac, um supercomputador, por um engenheiro embriagado. A pergunta, posta em termos simples, é essa: pode a entropia ser revertida? A resposta obtida não é satisfatória. O conto segue então dando saltos temporais cada vez mais longos, e em todos os momentos, a última pergunta continua perturbando as mentes humanas. Como a história termina, só lendo para saber, mas eu garanto que vale muito a pena. Aqui vemos a genialidade de Asimov, e este conto parece ser seu texto favorito. Ele trata de um tema que interessa a todos: será que haverá um fim para tudo? A busca pela imortalidade é o que está por detrás da insistente pergunta, a qual o computador mais potente do universo não consegue responder.

Você pode ler o conto (em português) aqui. Se preferir em inglês, leia-o aqui. Porém eu recomendo muito a leitura desta versão em quadrinhos do conto. É emocionante (malditos ninjas cortadores de cebola). Você pode também ouvir o audiobook do conto.

Gostaria de aproveitar o embalo, e indicar outro conto do Asimov, chamado A última resposta. É sobre um cientista que morre e se encontra com uma entidade chamada a Voz. Ouça o audiobook do conto aqui. Falarei apenas isto. Leia os contos A última pergunta e A última resposta nesta ordem e tirem suas próprias conclusões. Até a próxima!

 

Oscar literário 2017: premiados

Ladies and gentlemen, the Oscar goes to…

Enfim, é chegada a hora de revelarmos os vencedores dessa segunda edição do Oscar Literário aqui no blog. Lembrando que isso é uma tag criada pelo blog Sem Serifa, confiram a tag deles também. Se ainda não viu, confiram a lista com os indicados. E semana passada entrevistamos todos os cinco autores nacionais indicados. Procurem as entrevistas no blog, então bem legais 🙂

E agora, sem mais delongas, eis os grandes vencedores da noite. Continuar lendo

Oscar Literário | Entrevista: Rodrigo Assis Mesquita

Olá, pessoal! Hoje trazemos nossa última entrevista com autores nacionais, para o Oscar Literário. Com vocês, Rodrigo Assis Mesquita.

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Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Meu nome é Rodrigo Assis Mesquita e sou adepto da pré-pós-verdade, da liberdade dentro da cabeça e do brigadeiro de colher. Escrevo principalmente ficção científica e fantasia, com contos e novelas publicados e despublicados.

Depois de um hiato de mais de uma década, voltei a escrever em 2015 inspirado pelo concurso Brasil em Prosa, da Amazon, e pela qualidade inacreditável da novela (então indie) Lobo de Rua, da Jana Pin.

Atualmente, participo do podcast Curta Ficção ao lado do Thiago Lee e da própria Jana e estou num projeto embrionário de histórias seriadas junto com outros autores e editores.

Isso tudo sem deixar de estudar escrita criativa. Continuar lendo

Oscar Literário | Entrevista: Thiago d’Evecque

Hoje trazemos nossa quarta entrevista com os indicados na categoria “Melhor autor nacional” do Oscar Literário. Conheçam o Thiago d’Evecque.

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Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Meu nome é Thiago d’Evecque e sou escritor, jornalista, carioca e autor de Limbo e de alguns contos. Tento tocar ukulele e sou um amante das coisas refinadas da vida: chouriço, paçoca e — prepare-se — pão com requeijão e Toddy (ou Nescau, se você não tiver bom gosto). Não são coisas separadas, é tudo junto. Sim, é o que parece: eu passo requeijão no pão e salpico o Toddy, o pó, por cima.

Também sou bem estranho, como ficou claro.

Gosto de ler de tudo — de Dan Brown a Tolkien —, mas prefiro fantasia. Meus autores favoritos são Terry Pratchett e Douglas Adams e eles são os culpados diretos por eu ter começado a escrever. Nunca vou perdoá-los.

Tudo relacionado a fantasia me atrai, desde séries até videogames (atualmente jogando Disgaea 2 novamente). São fontes de inspiração e ideias inesgotáveis para mim.

Tenho um blog, o pequenosdeuses.com.br, onde falo sobre escrita, histórias, filmes e tudo mais, apesar de ninguém nunca me pedir. Sou faixa preta em procrastinação e até [continuar depois]

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Oscar Literário | Entrevista: Soraya Coelho

E eis a terceira entrevista com os indicados na categoria ‘Melhor autor nacional’ do Oscar Literário 2017. Com vocês, Soraya Coelho.

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Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Oi pessoal! Eu sou a Soraya, uma analista de adwords que escreve e estuda sobre o mercado dos livros nas horas vagas. Sim, eu sou uma das responsáveis por aqueles anúncios que perseguem vocês, perdão! Como minha mãe era professora, cresci dentro de uma escola, então ler e escrever sempre foram coisas muito naturais para mim. Em 2015 eu conheci o Clube de Autores de Fantasia e comecei a perceber a importância da técnica e do estudo para a escrita. Desde então, estou tentando me profissionalizar, por assim dizer. Escrevi e publiquei os dois contos que estão concorrendo ao Oscar desse ano e, agora no começo de 2017, comecei um MBA para formação de Editores. Continuar lendo