[Resenha] Araruama: o livro das sementes

Obra: Araruama: o livro das sementes

Autor: Ian Fraser

Editora: Moinhos

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 242

 

araruama

 

Esse é outro livro que se destaca pela construção de mundo. O universo criado por Ian é inspirado em diversas culturas indígenas da América, e eu acho essa ideia totalmente válida. Assim como falei na resenha de O homem de azul e púrpura, é um tipo de abordagem necessária, e que se destaca pela originalidade, e pela iniciativa do autor de escrever em um universo fora do padrão Europa medieval.

Achei legal que é um mundo muito jovem que está amadurecendo, digamos assim. Ele ainda está em formação, a cultura está mutando, as pessoas estão mudando, coisas estão sendo inventadas, novas ameaças estão surgindo, novas coisas que antes não tinham nome estão sendo nomeadas. Por isso mesmo que o subtítulo da obra é O livro das sementes. É um mundo que ainda florescerá. Ou, como está escrito na sinopse: essa é uma história de quando o mundo ainda era cru. Continuar lendo

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[Resenha] Ordem Vermelha

Obra: Ordem Vermelha: Filhos da Degradação

Autor: Felipe Castilho

Editora: Intrínsica

Gênero: Fantasia sombria

Número de páginas: 448

 

ordem vermelha

Essa obra é foda, mas com ressalvas. Ordem Vermelha é a prova de que literatura fantástica pode (e deve) ser relevante. É a prova de que temas atuais e necessários podem (e devem) ser trabalhados dentro de uma trama de fantasia. Até porque, o gênero fantástico é perfeito para servir de metáforas\analogias\simbolismos do mundo real. É exatamente isso que Felipe Castilho faz em sua obra. Mas é preciso deixar bem claro que ele comete alguns deslizes. Continuar lendo

[Resenha] O Quatro

Obra: O Quatro

Autor: Ariel Ayres

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia urbana\terror cósmico

Número de páginas: 227

quatro

Então, ele livro me deixou bem dividido. Vamos começar pelas partes que gostei:

O Narrador. Veja bem, eu disse Narrador, não narrador. É um conceito interessante. Além de narrador, ele também é um personagem, mas não temos aqui um narrador-personagem. Está mais para um ser onisciente que é de algum modo responsável pelos eventos do livro, mas que está só observando mesmo. Ou melhor, ele observa e comenta, e seus comentários são muito bons. Ele realmente interage com o leitor, dando uma falsa impressão de quebra da quarta parede. Ele é sádico, cínico, odeia a raça humana, e só quer ver o circo pegar fogo. E vai mesmo. Continuar lendo

[Resenha] Guerras Cthullu

Obra: Guerras Cthullu

Autor: vários autores

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: terror cósmico

Número de páginas: 230

cthullu

Como um fã do legado de H.P. Lovecraft, e um apoiador da literatura fantástica nacional, eu não poderia deixar de conferir Guerras Cthulhu. Adorei a leitura. Os quatro contos são bem distintos um do outro, deixando bem claro que temos aqui quatro autores de estilos próprios.

Mas algo que me chamou a atenção, e não poderia deixar de mencionar, é o esmero que eles tiveram com a pesquisa (pelo menos nos três primeiros contos). Nota-se isso facilmente ao observamos as notas de rodapé no final, explicando vários termos e elementos inseridos ao longo das histórias. Os autores realmente se preocuparam em escrever tramas complexas, orgânicas, com uma riqueza de detalhes impressionante. A quantidade de referências é enorme, algo que deixaria o Capitão América orgulhoso (inclusive uma referência a Nietzsche que me fez dar um sorriso espontâneo). Os autores se mantiveram fieis aos mitos de Cthulhu, mas também não perderam o senso de realidade, quando necessário.

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[TAG] Oscar Literário: Vencedores

A espera acabou. É chegada a hora de anunciarmos os vencedores da terceira edição do Oscar Literário do blog Ponto de Acumulação. Se você perdeu o anúncio dos indicados, confira a lista aqui. E agora sem mais delongas: and the Oscar goes to…

MELHOR WORLDBUILDING

O homem de azul e púrpura

quatrocantos
Ilustração do próprio autor Vilson Gonçalves, representado um dos povos de Quatrocantos

O livro do Vilson tem alguns problemas de trama e ritmo. Porém, o mundo criado pelo autor é magnífico. É um mundo rico, cheio de detalhes, muito bem pensado. Mas o aspecto mais interessante é que é um universo baseado na culturas pré-colombianas. Poucos livros de fantasia focam nessa temática. Por esses motivos ele vence nessa categoria.

EDIÇÃO MAIS BONITA

Rubra – A guerreira carmesim

rubra

A edição desse livro é primorosa. Capa belíssima e uma diagramação caprichada, cheia de detalhes. Leva essa com louvor.

MELHOR CONTO DE AUTOR NACIONAL Continuar lendo

Oscar Literário | Entrevista: Lauro Kociuba

O terceiro entrevistado para o Oscar Literário é o dono da barba mais top no mundo da fantasia nacional. Com vocês, Lauro Kociuba.

lauro

Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.
Bom, meu nome é Lauro Kociuba, sou um escritor de fantasia, ficção científica e as vezes dou uma passeada no horror. Tenho 33 anos como humano e 4 como escritor, publiquei meu primeiro livro no final de 2014, de forma independente através de financiamento coletivo. Desde então tenho alimentado minha ansiedade e afobação, continuando as publicações digitais e independentes, desenvolvendo um orgulho e gosto pela publicação digital. Gosto de desafios e ousadias, tentando sempre descobrir novas possibilidades no meu estilo e narrativa e, apesar de não me considerar muita coisa, tenho gostado de reler um parágrafo ou outro que escrevo. Continuar lendo

[Conto] A Passagem ou (A morte por dois pontos de vista)

Esse é um texto um pouco antigo, escrito na época que fiz o curso de escrita criativa com o Rodrigo van Kampen. Espero que gostem.

 

A Passagem ou (A morte por dois pontos de vista)

Acordei com uma trucidante dor no peito. Meu corpo inteiro tremia e minha garganta estava entalada. Meus olhos captavam nada, exceto uma brancura infinita. Tudo que chegava aos meus ouvidos era um chiado constante. Levantar foi uma tarefa mais difícil que imaginara. Meu coração parecia uma britadeira.

Naquele cenário branco sem fim, avistei um birô e um ser atrás dele. Caminhei até lá. O homem parecia um monge beneditino pálido, mas a túnica era de um púrpura berrante. Ele lia um livro cuja capa era completamente negra, mascava um chiclete azul e ouvia algo nuns fones de ouvido.

— Olá? — eu disse. — Poderia me dizer onde estou e…

— Você morreu — o homem respondeu, desviando o olhar apenas um pouco do livro. — Ataque cardíaco, no meio de um churrasco. Assine aqui. Continuar lendo