Sobre a Arte da Escrita | Diálogos: como eles podem enriquecer seu texto

Resolvi criar uma coluna sobre dicas de escrita aqui no blog. Não que isso vá se tornar algo rotineiro (afinal, o que é rotineiro aqui neste blog semi-abandonado pelo blogueiro?). Talvez essa coluna nem passe desta postagem. Só sei que toda vez que eu tiver algo que julgar relevante para falar sobre o assunto, talvez eu fale (o fator preguiça também entra nessa equação).

Talvez você esteja perguntando com que propriedade eu falo sobre esse assunto. Em outras palavras: quem sou eu na fila do pão literário? Quase ninguém, para falar a verdade. Minhas credenciais nesse tópico resumem-se a minha experiência como leitor\aspirante a cinéfilo, alguma experiência com escrita (que não passa de uns poucos contos e um romance ainda não publicado) e uma dose de bom senso. Mas aprendi uma coisa ou outra sobre escrita enquanto estudava para finalizar meu romance. Espero que baste. Feito este disclaimer, podemos prosseguir.

Meu objetivo é tentar te convencer de como diálogos pode ser um recurso literário muito útil e, se usados de maneira inteligente, como tornam o texto mais rico. Eu, como escritor, gosto muito de utilizá-los. Meu texto é praticamente só isso. Bem, é coisa de estilo. Diálogos são a alma do texto. Se eu conseguir te convencer disso no final desta postagem, terei cumprido minha missão.

Vamos pensar assim: qual o objetivo de um livro? Contar uma história. Sim, mas não somente isso. A trama não é tudo em um romance. Um bom livro tem personagens cativantes, que devem ser construídos de maneira inteligente. Um bom livro não subestima seu leitor, dando todas as informações de mão beijada: ele tem subtexto, mensagens nas entrelinhas, temas sendo explorados. Alguns diriam que um bom livro faz mais uso de ‘show’ em vez de ‘tell’ ou não enche o saco do leitor com infodumps. Tomemos isso como premissa, para não ofender os mais sensíveis. Enfim, um bom livro tem tudo isso. E existem várias formas de se trabalhar esses elementos. Não tecerei comentários sobre todas essas maneiras. Veremos como fazer tudo isso utilizando um bom diálogo. Continuar lendo

Indicação da semana | [Filme] Deus da carnificina

Continuando a coluna na qual eu indicarei livros, filmes, músicas ou qualquer outra coisa que achar interessante, hoje falarei sobre Deus da carnificina.

Título: Deus da carnificina (Original: Carnage)

Diretor: Roman Polanski

Gênero: drama\comédia

Ano: 2011

Duração: 80 min

carnage_poster

Este é um filme baseado na peça de teatro Le Dieu du carnage (“O deus da carnificina”) da roteirista e atriz francesa Yasmina Reza. A adaptação ficou por conta do diretor Roman Polanski (O bebê de Rosemary, O pianista, Chinatown) e conta com um elenco de peso, como é possível ver no poster acima. Continuar lendo

Quem interpretaria os personagens do meu livro no cinema?

Para quem não sabe, estou participando do NaNoWriMo este ano. A escrita anda num ritmo meio lento, e acho que não vou atingir a meta a tempo, mas sem problemas. Pois bem, mas está rolando um desafio diário. A princípio o desafio consiste em postar fotos no Instagram referentes ao tema proposto no dia, mas eu estou postando no meu Facebook mesmo. O desafio do dia de hoje, porém, merece uma postagem no blog.

Desafio do dia 22: quem interpretaria seu protagonista em um filme?

Meu livro tem vários protagonistas. Mesmo se eu escolhesse um, não ia ficar legal, pois todos são relevantes. Então resolvi apelar e fazer logo o cast completo de uma possível adaptação do meu livro para o cinema (se bem que uma série com uns 10 episódios é mais apropriado, dado o tamanho da história). Não foi fácil escolher, pois queria atores os mais próximos possíveis de como eu imagino meus personagens. Ainda levei em conta a etnia (quis que todos que interpretariam personagens do clã da Espada tivessem traços asiáticos, e os do clã Dragão tivessem traços latinos, por exemplo). E tentei pegar uns atores bons, pelo menos para personagens importantes. Depois de muito pensar, cheguei a este resultado.

Nota: nomes marcados com um asterisco * são personagens com capítulos POV.



Benedict Cumberbatch como Myrv’\Lyuzäk*

Lyuzäk é o líder da Trupe Celestial, uma gangue de treze mercenários (codinome: Mestre, tatuagem: cristal. Sim, todo membro da Trupe tem um codinome e uma tatuagem, representando um dos treze signos). Seu verdadeiro nome é Myrv’khuf e descobre-se logo no começo que ele é um dos Emissários do Caos, ou seja, um subordinado de uma entidade conhecida apenas como Mestre do Caos ou Grande Mestre (leia o prólogo da história). Mas ele tem sua lealdade testada quando começa a se envolver com os humanos, especialmente quando adota uma para ser sua filha.

Sua afinidade mágica é extensiva\espiritual\elemental (telecinesia, manipulação de energia mecânica, cura espiritual, envenenamento espiritual, pirogênese, manipulação térmica). Espécie: sabe-se apenas que não é humano, mas se disfarça de um. Continuar lendo

[Resenha] Brasil cyberpunk 2115 #2 – Recall

Obra:Brasil Cyberpunk 2115 #2 – Recall

Autor: Rodrigo Assis Mesquita

Editora: publicação independente

Gênero: cyberpunk

Sinopse:

As pessoas recebem um chip de identidade ao nascer. Em 2115, uma corporação lança androides indistinguíveis de humanos. O Governo contra-ataca e adota um recall para monitorar os cidadãos. “Sem chip, sem direitos”. Hel, em dúvida da sua humanidade, envolve-se em uma conspiração que pode resultar na mudança de política ou na própria morte.

recall
Vejam só outra capa linda da Gaby Firmo ❤

Este livro é o segundo volume da série Brasil cyberpunk, do Rodrigo de Assis Mesquita. Leia a resenha da primeira novela da saga aqui.

Bem, como está dito aí na sinopse, a trama começa quando o governo lança a campanha de recall, já que agora há androides muito parecidos com humanos, e esta é uma maneira de diferenciar os dois. A primeira observação que faço aqui é essa inversão de valores no texto. Na história, quem tem os chips são os humanos e não os androides. Na verdade, vai mais além. Graças aos amelhoramentos os humanos do universo de Brasil cyberpunk é que parecem ser os seres artificiais. Achei muito boa essa brincadeira de conceitos que o Rodrigo fez. A obra, de fato, é está cheia de críticas inteligente e bem-humoradas à nossa sociedade atual. Continuar lendo

As crônicas de Erys – prólogo

Olá, pessoal! Hoje trago uma novidade. Para quem não sabe, eu estou escrevendo um livro. É uma fantasia épica meio medieval. (Meio, porque o mundo não é bem medieval; tá mais para era pré-industrial, mas enfim…). Já faz algum tempo (dois anos?) que estou trabalhando nessa história. Já teve várias versões, passou por várias revisões e pelo olhar crítico de leitores beta e uma leitora crítica. Após muitas considerações, resolvi mudar toda a estrutura da história, e agora estou revisando os capítulos, excluindo alguns e adicionando outros.

Queria dizer que hoje terminei de reescrever (ainda falta revisar) a primeira (de cinco) partes da história. Para comemorar, resolvi disponibilizar o prólogo para degustação. Também queria dizer que eu sei que tem uma galera que não aprova essa parada de prólogo, mas eu acho que cada caso é um caso. Meu estilo de escrita é lento, a história demora para emplacar, eu gosto de ficar apresentando personagens, explorando worldbuilding, plantando as sementes dos mistérios, etc. Além de que, neste caso específico, a história é não-linear (eu gosto de dizer que se o livro fosse um filme, seria dirigido pelo Tarantino). Então como a história é lenta, pode ser que tenha leitor que queira desistir logo. Assim, o prólogo, que é curto, e vai direto ao ponto, é importante. Ele planta a curiosidade na mente dos leitores e prepara uma arma de Chekhov que será disparada mais adiante na história (desculpem o trocadilho ruim, não resisti). Eu acho importante o autor despertar a curiosidade do leitor, porque é isso que o fará continuar lendo sua história.

Então basicamente é isso. Você pode ler o prólogo logo a seguir. Leia também:

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Dicas, sugestões, críticas, opiniões são sempre bem vindas 😀


Prólogo

Cidade de Nova Aymon, Estados Unificados de Käli

13/13/2.358 EL

Viemos da luz das estrelas, e para elas retornaremos.

Jhören encarava o corpo do menino morto jazia sobre mesa de pedra. Já estava com as nádegas doloridas de tanto ficar sentado. Resolveu levantar-se. Recostou-se contra a parede fria e ficou a observar a dança monótona das sombras projetadas pelas chamas das velas na parede oposta. Não havia janelas no recinto. O ambiente era insalubre, mórbido. Um profundo silêncio imperava no local. A tensão e a impaciência dos que ali se faziam presentes era quase palpável. Jhören tentava não encarar o garoto, pois a visão lhe trazia memórias que gostaria de esquecer. As memórias vinham, mesmo assim.

Klaus Reolyn cochilava na cadeira, ao seu lado. Ou, talvez, fingia cochilar. Kir Jelhuká Tamëy lia um livro, do outro lado da sala, aproveitando a luz das velas. Era A última badalada dos sinos de Hali, de Deméon Shüny. Kir Dunza Davö estava sentado, encarando as paredes. Não parava de mexer os pés.

— É uma coisa trágica, a morte — ele disse. — Eu me lembro da primeira vez que a encarei de perto.

Kir Jelhuká olhou de relance por cima do livro. Klaus abriu os olhos e encarou Dunza. Jhören perguntou:

— E como foi isso, kir?

— Foi nas praias de Älju. Eu vi uma garotinha se afogar no mar — ele respondeu. — Pessoas correram, entraram no mar. Eu inclusive. Foi em vão. Era apenas uma garotinha, contra toda a força e imponência do mar. Foi levada pela maré.

— Realmente trágico — kir Jelhuká falou, e voltou a ler seu livro.

— Isso não é o mais trágico, kir. Eu soube depois a história daquela garotinha. Ela nunca havia visto o mar antes — Dunza continuou. — Quando a família mudou-se para Älju, a menina ficou encantada com a grandiosidade do oceano. Tudo dia, no final da tarde, a menina pedia para a mãe levá-la à praia, para contemplar o mar. Sua mãe disse-me que isso tornou-se sua obsessão. Um dia, a senhora se distraiu por um instante e o mar levou sua filha.

Kir Jelhuká abaixou o livro e disse:

— Uma tola, isso sim.

Ela voltou a ler. Dunza aquietou-se e recolheu-se na penumbra.

Jhören ouviu passos apressados subindo as escadas, que logo pararam à porta. Uma voz fez-se ouvir, perguntando pelo corpo. Ele pode escutar com clareza a resposta de Andälle Shwavz, que fazia vigia lá fora, dizendo que todos esperavam dentro da sala.

A porta abriu-se. Três cavaleiros entraram. Jhören reconheceu kir Lourath Evelyn e sua pupila Lynöre Flynn. Lourath era um homem alto, de andar desengonçado e fala rápida. Usava grandes óculos de lentes élficas, e, às vezes, seu bagunçado cabelo loiro caia por cima de seu rosto, encobrindo sua visão. Em seu pescoço, ele usava uma joia de Jyrah-A’lëvyn em forma de lua. Vestia roupas leves, e em seu cinto estava amarrado uma fita vermelha.

Já Lynöre era baixa e andava sempre com a expressão fechada, como se sentisse uma eterna dor de barriga. O que mais se destacava nela eram seus cabelos, de um belo tom prateado. Era tocada pela lua, como o povo de Lys costumava dizer. A moça usava um vestido solto e uma fita amarela na cintura. Quando seus olhares se cruzaram, ela desviou, e seu rosto tomou uma expressão ainda mais séria.

Como ela lembra a irmã, Jhören pensou. Tentou afastar o pensamento, mas foi em vão.

O terceiro guardião era um sujeito magro, de olhar severo. Sua pele era negra e seu cabelo, crespo. Usava uma faixa preta na cintura, donde Jhören concluiu que era o grão-mestre da Fortaleza da Torre. O homem entrou apressado e atirou uns pergaminhos na mesinha de canto.

— Quem é o vhan aqui? — ele perguntou. Jelhuká levantou-se. — Explique o que aconteceu.

— O rapaz matou treze pessoas numa praça, hoje cedo — ela respondeu. — Depois caiu morto.

— Isso eu já sei. Quero os detalhes. Ele é um nyflyn? Não haviam outras crianças com ele?

A guardiã ainda mantinha o semblante sério, inabalável.

— Sim, eram sete crianças no total — ela continuou. — É difícil dizer se são usuários de ny. Embora ele aparentemente tenha usado mágica, é muito jovem para fazer o que fez por conta própria. As outras perderam a memória, pelo menos temporariamente. Não lembram de nada, depois que entraram na Torre. Duas delas aparentam sofrer de grave distúrbio mental e uma perdeu a visão.

— Entendo. Bem, era esperado, não é mesmo? Foram vistas pela última vez entrando na Torre de Aymon! — o grão-mestre falou. — Onde está o garoto que deu o testemunho? Aquele que desistiu de entrar na Torre.

— Eu o dispensei. Já falou tudo que tinha para falar. Estava muito abalado. Tudo que precisa saber, kir, está no relatório — ela apontou para os pergaminhos.

— Mas este foi o único a falecer, não é mesmo? — ele insistiu, apontando para o corpo na grande mesa de pedra. — Diga-me, houve ou não uso de magia?

— É claro que houve — kir Lourath interrompeu. Começou a percorrer a sala. — Não consegue senti-la neste exato momento? Toda esta sala está envolta em um estranho thy. Mas, por favor, kir Jelhuká, continue seu relato.

— Bem, já que mencionou isso, realmente todos nós sentimos um poderoso thy emanando do garoto.

Só de ouvir isso, Jhören sentiu um arrepio na espinha. Suas mãos ficaram frias. Ele moveu o peso do corpo para a outra perna. Tentou apagar da memória a lembrança da terrível sensação que tomara conta de seu espírito naquela manhã. A sala parecia cada vez mais fria.

— Este é o momento que todos esperávamos ouvir, não? — Lourath falou, se aproximando do defunto. — Descreva esse thy.

— Demoníaco. Esta é a palavra. Foi a pior sensação que já senti em minha vida — Jelhuká disse. — Muitas pessoas que estavam na praça desmaiaram na mesma hora.

— Acha que isso é capaz de matar uma pessoa? — Lourath perguntou.

— Não acho isso, mas é um thy que incute um medo irracional em nossas mentes.

— O que matou os moradores então? — o grão-mestre quis saber.

— Já disse. Foi o garoto. Ele parecia um animal selvagem, estava descontrolado — Jelhuká relatou. — Armado com uma faca, ele foi capaz de atacar treze pessoas antes que pudéssemos fazer alguma coisa. As pessoas desmaiavam antes que pudessem fugir. Eram como presa fácil. Foi um pânico generalizado.

“Entendo, entendo”, Lourath disse, batendo na mesa de pedra com o nó do dedo. O grão-mestre virou-se para ele.

— Sabe o que se passa aqui, kir?

— Não teriam me chamado aqui se eu já não tivesse uma ideia, Tynald.

Lourath lançou um olhar para Jelhuká. Ela virou-se para os outros e falou:

— Saiam. Todos vocês. Você também Dunza. Seu trabalho aqui já acabou. E nem pensem em tentar ouvir pela porta. Andälle, Klaus e Jhören, voltem para a estalagem e espere por mim lá.

Jhören encarou os amigos. Klaus fez que ia argumentar, mas Andälle fez sinal com a cabeça pedindo que não. Os três dirigiram-se em direção à porta e Jhören cruzou olhares com Lynöre.

Muito bem, Jhören, como iniciar um diálogo civilizado com Lynöre sem que os dois acabem discutindo novamente?

Ouviu a voz de Lourath.

— Lynöre, você fica. Você também, Jhören. O resto de vocês, podem ir.

Jhören encarou Andälle, e com um meio sorriso ela se despediu. Dunza já saíra antes disso. O último a deixar o recinto foi Klaus, que fechou a porta com suavidade. Jhören olhou para kir Jelhuká e, após um momento de reflexão, ela assentiu com a cabeça. Ele posicionou-se ao lado de Lynöre, que lhe lançou um olhar severo, antes de se afastar um passo para o lado. Lourath ajeitou os óculos e tomou a palavra:

— Não é preciso dizer que o que será dito e visto aqui deve permanecer em segredo. É sigiloso nível 4, pelo menos. Confiarei que as palavras aqui ditas não sairão desta sala.

Ele percorreu a sala com o olhar. Quando fixou os olhos em Jelhuká, esta falou:

— É uma Relíquia da Eternidade, não é?

— Não tenho dúvidas — o guardião disse, dando a volta ao redor da mesa onde estava o defunto.

— Nós o revistamos, mas não encontramos nada.

— Ei! Gostariam de me explicar o que está acontecendo? — Tynald protestou. — O que é essa tal de relíquia da eternidade?

— Melhor que explicar, eu te mostrarei — Lourath falou. — Mas antes, precisamos saber com qual tipo de Relíquia estamos lidando. Livro das Magias, apareça.

O guardião esticou o braço. Um ny surgiu do nada e logo em seguida um livro se materializou, flutuando acima de sua mão.

— Pelo olho de Feiten! — Jhören disse. Lynöre e Tynald também proferiam palavras de espanto. — O que é isso?

— Isso é uma das Relíquias da Eternidade, meu jovem. É o Livro das Magias. — Lourath respondeu. — E eu posso usá-la para descobrir qual relíquia está em posse deste menino aqui. Vejamos.

O tal livro abriu-se. Jhören sentiu de novo um ny. Lourath pareceu ler o que estava escrito e falou:

— Hum… Fúria Milenar… Isso é interessante. Senhoras e senhores, estamos lidando com a Relíquia do Demônio.

— E o que esta relíquia faz? — Jelhuká perguntou. — É perigosa?

— Quase inofensiva sozinha contra um nyflyn. Segundo o Livro, ela precisa de um hospedeiro com forte afinidade empática — ele disse. Olhou para o defunto. — Não parece ser o caso. O menino nem devia saber utilizar magia. Morreu porque não suportou o ny da Relíquia.

— E onde está essa tal relíquia? — Tynald perguntou. — Não a vejo aqui.

— Se o Livro estiver correto, o cristal está dentro da cabeça do garoto — Lourath falou. — Precisamos tirá-la daí. Vejamos.

Lourath fechou o livro e este desapareceu, tão de repente como surgira.

Pelas barbas de Nuban, mas o que é isso? Lourath não estava brincando quando falou que isso envolvia assuntos sigilosos nível 4.

O guardião debruçou-se sobre o corpo e pôs a mão em sua testa. Fechou os olhos e pareceu se concentrar bastante. “Sim, sim, estou sentido…” ele murmurava. Elevou seu poder.

Pelo olho de Feiten! Mas que ny é esse?

Quase como uma reação natural, Jhören sentiu uma perturbação no thy, emanando do garoto morto. Sentiu um arrepio e a semente do medo foi plantada em seu espírito. A flutuação vinha em ondas, cada vez mais fortes. Lourath mantinha o semblante sério, mas os outros presentes pareciam abalados com aquela estranha manifestação de thy. A sensação de um medo primordial tomou conta do recinto. Lynöre soltou um grito abafado enquanto jogava seu corpo contra a parede. Jhören segurou sua mão, mas a jovem pareceu se assustar ainda mais com seu gesto que com poderoso thy que permeava a sala.

— Estou bem — ela disse, seca, puxando sua mão.

Lourath continuava se concentrando. “Vamos lá, vamos lá!” ele murmurava. Aos poucos, a presença ameaçadora foi desvanecendo. “Isso, isso!”, agora dizia o guardião. O grão-mestre tentava ver mais de perto o que acontecia. Todos foram tomados por uma súbita curiosidade, quando sentiram um ny emanando do garoto.

— Não é possível, ele está morto — Lynöre sussurrou. — Como pode emanar ny?

Neste momento ela olhou para Jhören, talvez procurando uma resposta, mas isso ele não poderia lhe dar. O corpo do rapaz começou a levitar. Lourath continuava com um mão sobre sua testa. O guardião elevou sua mão. Jhören vislumbrou um ponto luminoso na testa do garoto. Era como luz de uma estrela, cintilante e azulada. O homem afastava cada vez mais sua mão. “Está vindo” ele dizia. No instante seguinte Lynöre murmurou espantada, quando um pequeno cristal emergiu de dentro da cabeça do defunto. Era pequeno, do tamanho de uma joia de anel ou uma semente. Emitia uma pulsante luz azul que, Jhören percebeu, estava em sintonia com as ondas de ny que chegavam a ele. Lynöre expressou tudo que ele gostaria de dizer naquele momento:

— Eu não entendo. Este cristal está emitindo ny?

Seu mestre admirava a joia, que flutuava a poucos centímetros de sua mão. Seu brilho estava diminuindo.

— Sim, querida, o ny vem desta joia.

— Isso é um totem de intensificação? — o grão-mestre perguntou.

— Mais importante, — Jhören falou — o que isso estava fazendo dentro… da cabeça dele?

O homem esboçou um sorriso. O brilho do cristal agora estava quase morto, e já quase não havia sinal do ny.

— Muitas perguntas, muitas perguntas — o guardião murmurou. — Isto é mais que um simples totem de intensificação de magia, meus caros. Não é um artefato mágico qualquer. — Ele ergueu a mão, o cristal ainda flutuando. — Isso é o ápice da magia ysdiniana. Uma pequena amostra de um imenso conhecimento milenar. Senhoras e senhores, contemplem! Contemplem uma das Relíquias da Eternidade!

 

[Resenha] Androides sonham com ovelhas elétricas?

“Claro, alguns animais deles, sem dúvida, também eram réplicas eletrônicas; Rick certamente nunca meteu o nariz nos assuntos alheios, assim como seus vizinhos nunca se meteram no real funcionamento de sua ovelha. Nada poderia ser mais deselegante. Perguntar ‘sua ovelha é genuína?’ seria, possivelmente, uma quebra na etiqueta pior que indagar se os dentes de um cidadão, seu cabelo ou seus órgãos internos eram autênticos.”

Androides sonham com ovelhas elétricas? é um clássico da literatura de ficção, que considero leitura obrigatória. Como uma grande fã de Blade Runner, o filme inspirado no livro, há muito tempo queria ler essa distopia de Philip K. Dick (que, aliás, teve várias de suas obras adaptadas para o cinema). Eu gostaria de poder evitar comparações com o filme nesta resenha, mas receio que será impossível, pelo menos para mim. Tentarei evitar o máximo de spoilers possíveis, mas aqui ou acolá vai aparecer algum bem de leve, mas nada muito importante. Então vamos nessa.

androides-sonham-com-ovelhas-eletricas-cinta

Obra:Androides sonham com ovelhas elétricas?

Autor: Philip K. Dick

Editora: Aleph

Gênero: Distopia

Número de páginas:272

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Oscar literário – Premiados

Olá, pessoal! Para quem não sabe o blog Sem Serifa lançou a tag Oscar Literário. Eu resolvi aderir à brincadeira e no começo do mês eu anunciei os indicados à premiação. Hoje é chegada a hora de anunciar os vencedores. Foi bem divertido, mas algumas decisões não foram fáceis

Sem mais delongas, eis os vencedores.

PREMIADOS

Melhor criatura fantástica ou extraterrestre Continuar lendo