Indicação da semana | [Conto] A última pergunta

A indicação desta semana é um dos textos mais belos e simbólicos que já li. Estou falando do já clássico A última pergunta, um conto de Isaac Asimov. O texto aborda um conceito da física chamado entropia. Calma, eu explico. Em termos físicos, a entropia mede a irreversibilidade de um sistema. Posto em termos mais humanos, digamos que ela mede o quanto um sistema está ‘desorganizado’, embora isso não seja muito preciso. A segunda lei da afirma que, num sistema termodinamicamente isolado, a entropia tende a aumentar. Ou, posto em termos imprecisos de senso comum, a desordem só aumenta. Reverter a desordem dá muito trabalho. Pense assim: é mais fácil quebrar um ovo do que reconstruir um ovo quebrado.

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Eu juro que Asimov explica e expõe melhor esse tema em seu conto. A última pergunta foi feita ao Multivac, um supercomputador, por um engenheiro embriagado. A pergunta, posta em termos simples, é essa: pode a entropia ser revertida? A resposta obtida não é satisfatória. O conto segue então dando saltos temporais cada vez mais longos, e em todos os momentos, a última pergunta continua perturbando as mentes humanas. Como a história termina, só lendo para saber, mas eu garanto que vale muito a pena. Aqui vemos a genialidade de Asimov, e este conto parece ser seu texto favorito. Ele trata de um tema que interessa a todos: será que haverá um fim para tudo? A busca pela imortalidade é o que está por detrás da insistente pergunta, a qual o computador mais potente do universo não consegue responder.

Você pode ler o conto (em português) aqui. Se preferir em inglês, leia-o aqui. Porém eu recomendo muito a leitura desta versão em quadrinhos do conto. É emocionante (malditos ninjas cortadores de cebola). Você pode também ouvir o audiobook do conto.

Gostaria de aproveitar o embalo, e indicar outro conto do Asimov, chamado A última resposta. É sobre um cientista que morre e se encontra com uma entidade chamada a Voz. Ouça o audiobook do conto aqui. Falarei apenas isto. Leia os contos A última pergunta e A última resposta nesta ordem e tirem suas próprias conclusões. Até a próxima!

 

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[Resenha] Brasil cyberpunk 2115 #2 – Recall

Obra:Brasil Cyberpunk 2115 #2 – Recall

Autor: Rodrigo Assis Mesquita

Editora: publicação independente

Gênero: cyberpunk

Sinopse:

As pessoas recebem um chip de identidade ao nascer. Em 2115, uma corporação lança androides indistinguíveis de humanos. O Governo contra-ataca e adota um recall para monitorar os cidadãos. “Sem chip, sem direitos”. Hel, em dúvida da sua humanidade, envolve-se em uma conspiração que pode resultar na mudança de política ou na própria morte.

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Vejam só outra capa linda da Gaby Firmo ❤

Este livro é o segundo volume da série Brasil cyberpunk, do Rodrigo de Assis Mesquita. Leia a resenha da primeira novela da saga aqui.

Bem, como está dito aí na sinopse, a trama começa quando o governo lança a campanha de recall, já que agora há androides muito parecidos com humanos, e esta é uma maneira de diferenciar os dois. A primeira observação que faço aqui é essa inversão de valores no texto. Na história, quem tem os chips são os humanos e não os androides. Na verdade, vai mais além. Graças aos amelhoramentos os humanos do universo de Brasil cyberpunk é que parecem ser os seres artificiais. Achei muito boa essa brincadeira de conceitos que o Rodrigo fez. A obra, de fato, é está cheia de críticas inteligente e bem-humoradas à nossa sociedade atual. Continuar lendo

[Resenha] Androides sonham com ovelhas elétricas?

“Claro, alguns animais deles, sem dúvida, também eram réplicas eletrônicas; Rick certamente nunca meteu o nariz nos assuntos alheios, assim como seus vizinhos nunca se meteram no real funcionamento de sua ovelha. Nada poderia ser mais deselegante. Perguntar ‘sua ovelha é genuína?’ seria, possivelmente, uma quebra na etiqueta pior que indagar se os dentes de um cidadão, seu cabelo ou seus órgãos internos eram autênticos.”

Androides sonham com ovelhas elétricas? é um clássico da literatura de ficção, que considero leitura obrigatória. Como uma grande fã de Blade Runner, o filme inspirado no livro, há muito tempo queria ler essa distopia de Philip K. Dick (que, aliás, teve várias de suas obras adaptadas para o cinema). Eu gostaria de poder evitar comparações com o filme nesta resenha, mas receio que será impossível, pelo menos para mim. Tentarei evitar o máximo de spoilers possíveis, mas aqui ou acolá vai aparecer algum bem de leve, mas nada muito importante. Então vamos nessa.

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Obra:Androides sonham com ovelhas elétricas?

Autor: Philip K. Dick

Editora: Aleph

Gênero: Distopia

Número de páginas:272

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[Conto] Quarenta e dois

Olá, pessoal! Hoje trago a você um conto que escrevi ano passado, a pedido da galera do Clube de Autores de Fantasia. Isso foi por ocasião do Dia da Toalha, que queríamos comemorar em grande estilo. Entre outras coisas, rolou este conto, o qual me diverti muito escrevendo. Ele foi postado originalmente no site do CAF e depois no Wattpad. Mas como meu amigo Ariel Ayres (um grande fã de Adams) nunca o leu, resolvi revisá-lo (a revisão estava horrível) e postar aqui no blog. Agora não tem desculpa para não lê-lo, Ariel.

Bem, é isso. Espero que gostem. Ah, aviso logo que vai ser textão (7.467 palavras). Apertem os cintos, pois vamos ligar nosso motor de improbabilidade infinita.

Quarenta e dois

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Encontro marcado, no Milliways

Existe uma teoria que diz que se uma dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo, e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

E existe ainda uma terceira teoria, defendida por um jovem físico da conceituada Universidade de Maximegalon, que diz que isso acontece toda quinta-feira, na hora do almoço.

Não que a hora do almoço seja um conceito absoluto. Na verdade, a hora do almoço é algo tão irreal e mutável quando a inflação ou a dívida externa. O que realmente importa, e os Frades Almoçadores de Voondon já sabiam disso, não é quando mas onde o almoço é feito. Estudiosos do Departamento de Cybercultura, Desing Exterior e Retropsicologia Reversa da Universidade de Maximegalon, após anos de estudos de campo pesados e sérios feitos em festas nas casas de praia de Santraginus V regadas à Dinamite Pangalática, chegaram à conclusão de que:

a) Do ponto de vista puramente fisiológico, filosófico, sociológico ou metafísico, não interessa quando a refeição é feita desde que

b) Seja feita em restaurantes ricamente decorados, com garçons-robôs altamente educados e com direito à um showzinho de cortesia. Continuar lendo

10 motivos para você assistir Battlestar Galactica

Olá pessoal!

Rumores recentes indicam que um filme de Battlestar Galactica pode estar sendo produzido pela Universal e os fãs (e isso inclui esta pessoa que agora vos fala) estão eufóricos. Na minha opinião, Battlestar Galactica é um dos melhores shows de TV de todos os tempos e este artigo é uma tentativa de mostrar meu ponto. Não direi que BSG é perfeito. Há erros de roteiro e alguns dos mistérios não foram completamente elucidados no final. Mesmo assim eu acho é uma série que vale a pena assistir. E agora que há a possibilidade de um filme, porque não dar uma chance a este seriado e fazer uma maratona?

Esse texto foi escrito pensando mais no leitor que nunca assistiu ou ainda está no começo da série. Haverá alguns spoilers aqui ou acolá, mas como eu sou gente boa, indicarei precisamente o momento em que começa e termina o spoiler, bem como a temporada correspondente.

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Poster da série

Vamos começar do começo. Battlestar Galactica é uma série de ficção exibida pela Syfy, entre 2004 e 2008. Ela é na verdade um remake de uma série dos anos 70. A série original tentou pegar carona no sucesso de Star Wars. Eu nunca assisti a original, apenas o remake, mas pelo que li, a produção mais recente é muito melhor. E bem, independente da série antiga, a nova é muito boa por si só e no final eu espero tê-lo convencido a assisti-la.

A série em si é precedida por uma minissérie com dois longos episódios, exibida em 2003. Continuar lendo

[Resenha] Brasil Cyberpunk 2115

Obra:Brasil Cyberpunk 2115

Autor: Rodrigo Assis Mesquita

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: cyberpunk

Número de páginas: 46

Sinopse:

Em um futuro Brasil devastado pela guerra, a hacker Hel se junta a um grupo de mercenários contratado pelo homem mais rico do planeta para encontrar um artefato raro do século XXI, colocando a própria vida em risco no fogo cruzado entre humanos e androides.

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Olhem só essa capa linda da Gaby Firmo

Olá, pessoal! Estamos aqui com mais uma resenha (a última do ano, provavelmente). Trago a vocês outro autor nacional iniciante, mas com grande potencial. Continuar lendo