Oscar Literário | Entrevista: Thiago Lee

O segundo indicado ao Oscar Literário de Melhor Autor Nacional entrevistado esta semana é o Thiago Lee. Confiram a entrevista.

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Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Olá a todos, sou o Thiago Lee, escritor de ficção, sergipano, podcaster e trouxa, não necessariamente nessa ordem. Comecei a investir na carreira de escritor em 2014 depois de postar uns contos de terror num fórum especializado e receber vários elogios. A partir daí, publiquei vários outros contos e fui finalista do prêmio Brasil em Prosa da Amazon em 2015. Publiquei Réquiem para a Liberdade em 2016 e daí pra frente foi um caminho sem volta. Sou host do podcast Curta Ficção juntamente com a Jana Bianchi e o Rodrigo Assis Mesquita, e em 2018 publicarei meu segundo romance através de um edital da Prefeitura de São Paulo, um realismo fantástico cujo título provisório é O Homem Vazio. Continuar lendo

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Oscar Literário | Entrevista: Ana Lúcia Merege

Olá, pessoal. Para quem ainda não viu, está rolando a terceira edição do Oscar Literário aqui no blog. Assim como na edição do ano passado, resolvi fazer entrevistas com os indicados na categoria Melhor Autor Nacional. Hoje, com vocês, a querida Ana Lúcia Merege.

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Para começar, apresente-se aos leitores. Fale um pouco sobre você.

Sou carioca, estou chegando aos 50. Quando criança queria ser arqueóloga, mas a paixão pelos livros falou mais alto e em mais de um sentido: tornei-me escritora, contadora de histórias, pesquisadora e bibliotecária. Continuar lendo

[Resenha] Deixe as estrelas falarem

Olá, pessoal! Hoje trago outra resenha de autor nacional.

 

Obra: Deixe as estrelas falarem

Autor: Lady Sybylla

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Ficção científica / space opera

Número de páginas: 133

Sinopse:

Rosa não vê a hora de voltar para sua nave, o cargueiro independente Amaterasu. Reúne sua tripulação, mas se vê em uma situação desesperadora quando se percebe sem dinheiro, com a nave ancorada em um espaço-porto. Eis que um contrabando misterioso surge e uma oportunidade rara de fazer muito dinheiro em pouco tempo. Mas o trabalho não virá sem consequências para Rosa e sua tripulação.

 

estrelas

 

Lady Sybylla nos presenteia com uma história simples, porém cativante. É até um pouco diferente. Não temos aqui uma nave de batalha comandada por um capitão heroico enfrentando uma guerra épica. Não, aqui as coisas são em escalar menor: temos uma simples nave de carga, comandada por uma capitã bastante humana, enfrentando um conflito bem pessoal. Isso de modo algum tira mérito da história, muito pelo contrário. Continuar lendo

[TAG] Oscar Literário 2018: Indicados

Em 2016 rolou aqui no blog a primeira edição do Oscar Literário. É uma tag maneira que vi no blog Sem Serifa. A ideia é homenagear os livros lidos ano passado e escolhermos as melhores leituras através de um concurso estilo Oscar.

As regras originais são:

– Fazer entre 3 e 5 indicações em cada categoria (mas às vezes eu indico 6 kkkkk);

– Indicar apenas livros que você leu no ano passado;

– Criar um post para as indicações e, depois de algum tempo (de preferência, na semana do Oscar), um post para a premiação.

Vi pela blogosfera muita gente fazendo a tag, mas não necessariamente a criada pelo Sem Serifa. Até as categorias eram diferentes. Aqui também tomei a liberdade de alterar algumas categorias.

Eis os indicados desse ano. Continuar lendo

[Resenha] A face dos deuses

Olá, pessoal! Hoje trago a última resenha do ano.

Obra: A face dos deuses (As crônicas da aurora #1)

Autor:  Gleyzer Wendrew

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia sombria

Número de páginas: 167

Sinopse:

Heros Kinnhäert, rei de Maäen, ainda é atormentado pelos horrores vividos durante a Longa Guerra, e tudo que deseja é descansar em paz, mas ao saber da terrível aliança entre dois grandes senhores, vê-se preso em uma teia de conspirações nunca antes vista, e não medirá esforços para evitar a destruição de seu país…
No Norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto e se depara com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos… Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?
Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.

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A face dos deuses é uma fantasia sombria, e nesse aspecto não decepciona. O tom macabro, frio e cruel da história muito me agrada, o que também faz dessa uma leitura que não é para todo mundo. Há muita violência gráfica, sangue, tortura, e outros atos absolutamente chocantes. A violência é tão banal que poderia ser um elemento ruim, estando lá apenas para chocar, mas não é o caso. Apesar de não necessariamente servir para avançar a trama, ela está inserida muito bem dentro do contexto do mundo criado, tornando-a um elemento natural daquele universo. Continuar lendo

[Resenha] O homem de azul e púrpura

Hoje trago mais uma resenha de autor nacional. Estou devendo várias resenhas de livros que li este anos. Tentarei remediar a situação.

 

Obra: O homem de azul e púrpura (A canção de Quatrocantos #1)

Autor: Vilson Gonçalves

Editora: Buriti

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 228

 

azul e púrpura

 

O aspecto mais sensacional desse livro é com certeza o worldbuilding. Não somente por ser incrível e fabuloso por si só, mas pela sua originalidade e ousadia. Em um cenário lit fan nacional dominado por mundos com roupagem europeia medieval, surge um autor com a coragem de escrever em um universo inspirado nas culturas pré-colombianas. Isso por si só já é louvável. Torna-se ainda mais espetacular quando passamos a conhecer Quatrocantos, e nos impressionamos com a riqueza e a exuberância desse mundo. Vilson usou e abusou da criatividade para criar Quatrocantos. Continuar lendo

[Resenha] Mantenha o sistema

Olá, pessoal. Hoje trago mais uma resenha, desta vez de um livro pouco conhecido do mestre Orwell.  Sou fã do autor desde A revolução dos bichos e 1984. E fazia tempo que Mantenha o sistema estava na minha lista de leitura.

 

Obra: Mantenha o sistema

Autor: George Orwell

Editora: Itatiaia

Gênero: Drama

Número de páginas: 256

matenha o sistema

O livro é uma crítica descarada e pesada ao consumismo e ao capitalismo, cheio de reflexões sociais. O protagonista, Gordon Comstock, é um vendedor de livros e escritor fracassado que declarou guerra ao dinheiro. Diante do dilema moral da sociedade moderna (aderir ao sistema ou seguir seus ideais e fazer o que gosta) Gordon escolheu viver com pouco dinheiro. Tinha um “bom emprego”, rentável, numa companhia de marketing, mas largou tudo para tentar publicar livros, e acabou mofando em uma livraria. Assim encontramos nosso protagonista no primeiro capítulo. A trama do livro gira torno da questão: conseguirá Gordon atingir seus objetivos sem sucumbir ao deus do dinheiro?

A escrita de Orwell não é grande coisa, mas é precisa e direita. Os diálogos soam bem artificiais, mecânicos, sem graça. O autor os utiliza como ferramenta para passar suas ideologias. Orwell também usa e abusa da voz do narrador para esse propósito. Isso torna o livro pouco sutil, jogando na cara do leitor a mensagem principal. Mas não é um erro grave aqui.

O ponto alto, justamente o que adoro nos livros de Orwell, é o arco do protagonista. O autor sabe trabalhar o drama deles, e que drama, senhores. Orwell, como sempre, não tem pena de fazer o protagonista sofrer a afundar cada vez mais, com breves momentos de alívio. E tudo que acontece é muito coerente.

Eu sempre elogio o final dos livros do Orwell, pois são os melhores. O final de Mantenha o sistema, porém, deixou a desejar. Certamente é coerente com a trama, mas não é nada memorável. Isso porém não tira o brilho da obra. Apenas minhas expectativas que não foram atendidas.

 

Veredito final: para todos aqueles que pretendem declarar guerra contra o dinheiro.