Meus microcontos escambau

Olá, pessoal! Para que não sabe, a galera do site Escambau organizou mês passado o I Prêmio Escambau de Microcontos. Funcionava assim: todo dia eles sorteavam uma palavra diferente, e os participantes deveriam escrever um microconto de até 300 caracteres (com espaço) com tal palavra. Toda semana acontecia uma votação e os melhores microcontos eram selecionados.

Eu participei, com pelo menos um conto todo dia. Para mim, foi uma experiência muito boa. Escrever microcontos é um esporte completamente diferente. Exige um poder de síntese muito grande. Tocar o leitor com poucas palavras é complicado. Mas eu fiz, e teve uns microcontos meus que gostei muito. Outros nem tanto. E foi legal ver mais gente engajada, postando textos muito bons. Eram mais de cem microcontos por dia!

Para comemorar o fim deste mês micro-literário, resolvi postar aqui todos os microcontos que escrevi para o desafio. Alguns dias cheguei a postar mais de um, pois a imaginação estava à todo vapor. Alguns microcontos estão conectados. Vide, por exemplo, os microcontos do dia 03 e do dia 26, ou dia 13 e dia 26 . Aliás, muitos deles contam um pouco da vida de Ana, uma personagem que acabei inventando durante o desafio.

Então vamos lá!


Semana 1

(veja o top 35 da primeira semana)

PALAVRA DO DIA 02/10/16: Piloto

Acordar. Escovar os dentes. Vestir-se. Pegar o ônibus. Labutar feito cão. Socializar. Forçar um sorriso. Almoçar. Encarar a hora do rush. Chegar em casa cansado. Jantar. Dormir. Sonhar.

Liga teu piloto automático e finge que é feliz. Continuar lendo

Microconto #5

Sobre angiospermas e gimnospermas

Pra que diabos eu quero saber de angiospermas e gimnospermas, pensou o rapaz.

A aula estava chata, monótona. Desinteressante. Os grupos no WattsApp estavam parados. O rapaz scrollava [sic] o Facebook de forma quase automática, sem nem ao menos prestar atenção no que via. Muito menos prestava atenção à aula, ignorando a voz chiada do professor, que continuava falando sobre angiospermas e gimnospermas.

Assim, como quem não quer nada, eis que surgiu um gif. Um gato saltando de susto após notar um inofensivo pepino atrás de si. A gargalhada foi alta. A aula parou; todos se viraram para fitar o rapaz que se contorcia de rir, como se tivessem lhe contado a piada mais engraçada da galáxia. Ele riu com gosto e o professor o repreendeu com fúria, por ter atrapalhado sua importantíssima aula sobre angiospermas e gimnospermas.

O rapaz ainda chorava de rir quando chegou à Coordenação. Foi mandando para casa. Lembrou-se do gato da irmã. Passou no supermercado e comprou um pepino.

[Conto] Libertação em três atos

Olá, pessoal! Este pequeno texto é uma resposta ao desafio lançado por Fábio M. Barreto e Rob Gordon em seu podcast Gente que Escreve (por sinal muito bom, todos deveriam ouvir). Espero que gostem.

Libertação em três atos

– Mas que porra é essa, Júlia?

Ângelo segurava furioso um pequeno pedaço de papel, no qual estava esboçado um simples desenho em tons cinzas.

Júlia tremia. Inspirou profundamente e tentou falar com voz equilibrada.

– Ângelo, é apenas um desenho.

– Pro caralho com esses estúpidos desenhos! Vá fazer minha janta, estou morrendo de fome. Uma vagabunda dessas, não faz nada que preste nessa casa!

– Não me chame de vagabunda!

Júlia recuou ante o olhar de ódio do homem. Não deveria ter falado aquilo e agora todo seu corpo temia.

– É vagabunda sim! – Rasgou o papel em vários pedaços.

– Não!

Jogou os pedaços no chão.

– Limpe esta porra agora e faça minha janta. Continuar lendo