[Resenha] Hellraiser – renascido do inferno

Sem lágrimas, por favor. É um verdadeiro desperdício de bom sofrimento

Obra: Hellraiser – renascido do inferno

Autor:Clive Baker

Editora:DarkSide Books

Gênero: Horror

Número de páginas: 160

hellraiser

Hellraiser – Renascido do inferno é a primeira obra que li deste gênero, que é o horror mais gore. Confesso que esperava outra coisa, mas a realidade me surpreendeu, de forma positiva. Nunca assisti ao filme baseado no livro, o que é bom, pois deixará essa resenha livre de comparações.

O conceito do livro é bem interessante. Somos apresentados, logo no começo, aos Cenobitas, que são uma espécie de seres de outra dimensão, bastante originais. O livro começa com o personagem Frank tentando invocar tais criaturas, pois ele deseja experimentar sensações de prazer extremas, que supostamente os Cenobitas podem oferecer. É claro que a coisa dá errado, e Frank descobre da pior maneira que o conceito de prazer para este seres é diferente do nosso. A história em si começa quando Rory, o irmão de Frank, muda-se com sua esposa Julia para a casa onde o irmão fizera o ritual de conjuramento.

Pois bem, o primeiro capítulo é primoroso. A maneira como o autor descreveu a experiência de Frank, com todas aquelas sensações extremas, foi sublime. Baker conseguiu expressar em palavras o inexpressável aos sentidos humanos, tão limitados e frágeis. O primeiro capítulo já vale o livro todo. Depois a qualidade cai um pouco, mas nada muito grave. O autor soube construir o suspense necessário, e o clímax da história não deixa a desejar.

Já os personagens eu achei meio fracos. O autor não perde tempo caracterizando-os, ou explorando o drama deles. A construção de personagens poderia ser melhor, e realmente não cheguei a me apegar a nenhum deles. Além disso, achei suas motivações bem toscas. Em resumo: são personagens genéricos de histórias de terror.

Já a escrita de Baker me agradou bastante. Ela é leve e flui bem. A leitura não é nada cansativa, e dá para ler o livro numa sentada. A linguagem é maravilhosa, quase poética, o que me surpreendeu em um livro de terror.

Até o inverno – a estação mais dura e implacável – com a aproximação de fevereiro, sonha com a chama que o derreterá. Tudo fadiga com o tempo, e começa a buscar alguma oposição para salvar-se de si próprio.

Em resumo, este livro foi uma grata surpresa. Já quero ler mais do autor.

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[TAG] Oscar Literário 2017: indicados

Ano passado rolou aqui no blog o Oscar Literário. É uma tag muito legal que vi primeiro no blog Sem Serifa, mas que muitos outros blogs já participaram. A ideia é homenagear os livros lidos ano passado e escolhermos as melhores leituras através de um concurso estilo Oscar.

As regras são:

– Fazer entre 3 e 5 indicações em cada categoria;

– Indicar apenas livros que você leu no ano passado;

– Criar um post para as indicações e, depois de algum tempo (de preferência, na semana do Oscar), um post para a premiação.

Vi pela blogosfera muita gente fazendo a tag, mas não necessariamente a criada pelo Sem Serifa. Até as categorias eram diferentes. Aqui também tomei a liberdade de alterar algumas categorias.

Mas enfim, sem mais delongas, eis os indicados:

Melhor livro estrangeiro

Androides sonham com ovelhas elétricas? (Philip K. Dick)

O oceano no fim do caminho (Neil Gaiman)

A mão esquerda da escuridão (Ursula K. Le Guin)

A menina submersa: Memórias (Caitlín R. Kiernan)

A viagem ao centro da terra (Julio Verne) Continuar lendo

[Resenha] O feiticeiro – volume 1: O estrangeiro

Olá, pessoal! Hoje trago mais uma resenha de um livro nacional. Conheci o trabalho da Má Matiazi através do Catarse e resolvi apoiar. Finalmente arranjei tempo para ler.

Obra:O feiticeiro – volume 1: O estrangeiro

Autor: Má Matiazi

Editora: Espectral edições

Gênero: Fantasia medieval

Número de páginas:480

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Pois bem, o livro conta a história de Andy Mideline. Em seu mundo comum, ele vive em uma pequena aldeia em um reino distante, afastado das grandes cidades e reinos. Nota-se, logo no início, que ele é especial, sendo sensível à magia. Ele é o sétimo filho de seus pais, e vive bem e feliz com eles e seus dez irmãos. Seu pai, porém, esconde um grande segredo, e pouco fala sobre suas origens nebulosas.

Então, como toda boa aventura, acontece o chamado à aventura. Andy descobre ser o herdeiro do trono do reino de Elderwood e vê-se forçado a deixar a família para morar em uma terra distante e desconhecida. Daí, eu imagino, o nome deste primeiro volume. Mesmo sendo o futuro soberano do reino, Andy sente-se um estrangeiro naquelas terras, longe da família e de seus costumes, tendo ainda que aturar uma relação conturbada com seu avô, o rei Lucius III. Há ainda outros aspectos que talvez expliquem o título ‘o estrangeiro’, mas não vou falar para evitar spoilers. Continuar lendo

[Resenha] A garota no trem

Olá, pessoal! Recentemente estreou nos cinemas o filme ‘A garota no trem’, baseado no romance homônimo de Paula Hawkins. Não assisti o filme, e nem pretendo fazê-lo, pelo menos no cinema. Isso porquê a experiência de ler o livro não foi boa. Li este livro ano passado, antes mesmo de saber que ia ter uma adaptação cinematográfica e, com certeza, foi minha decepção literária de 2015. Na época eu não fiz uma resenha, mas, inspirado no vídeo-resenha da Najara Rodrigues, resolvi compartilhar aqui no blog as minhas impressões.

Obra: A garota no trem

Autor:Paula Hawkins

Editora:Record

Gênero: Thriller

Número de páginas: 378

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Primeiro, quero dizer que o fato de os personagens serem depressivos, patéticos e mal resolvidos a ponto de fazer você se sentir mal enquanto ler o livro não significa que o mesmo não tenha qualidade. Significa que a autora soube escrever bem o drama deles e isso, ao meu ver, é mérito para ela. Isso também não quer dizer que eu apreciei a experiência.

Segundo, o livro demora para ficar minimamente interessante. Mas o mistério é até legal e foi certamente bem construído. O plot twist é meio previsível, mas como eu não estava prestando muita atenção na leitura, não percebi. No final, eu voltei e reli alguns capítulos e percebi que as pistas estavam todas lá. Algumas eu tinha visto, e até achei que fosse erro de continuação ou plot hole. Mas não liguei as pontas :\

O final, porém, foi muito meia-boca. A escrita também. A construção de personagens foi ridícula. A impressão que dá é que todas as mulheres da história são depressivas, paranoicas, loucas, passionais, carentes, inseguras e dependentes de um homem. Sério isso? Sinceramente, eu acho que as mulheres da vida real são mais complexas e interessantes do que isso. Sem falar que não foi nada divertido ler a história pelo ponto de vista delas.

Só não é pior porque realmente gostei da maneira como a autora construiu o mistério. E também pelo fato de, muito sabiamente, usar o ponto de vista de um narrador nada confiável. Ela merece este mérito.

Veredito final: Homens: não percam seu tempo lendo isso. Mulheres: também não percam seu tempo; vocês são melhores que as personagens retratadas na história; se deem valor, por favor.

Quem interpretaria os personagens do meu livro no cinema?

Para quem não sabe, estou participando do NaNoWriMo este ano. A escrita anda num ritmo meio lento, e acho que não vou atingir a meta a tempo, mas sem problemas. Pois bem, mas está rolando um desafio diário. A princípio o desafio consiste em postar fotos no Instagram referentes ao tema proposto no dia, mas eu estou postando no meu Facebook mesmo. O desafio do dia de hoje, porém, merece uma postagem no blog.

Desafio do dia 22: quem interpretaria seu protagonista em um filme?

Meu livro tem vários protagonistas. Mesmo se eu escolhesse um, não ia ficar legal, pois todos são relevantes. Então resolvi apelar e fazer logo o cast completo de uma possível adaptação do meu livro para o cinema (se bem que uma série com uns 10 episódios é mais apropriado, dado o tamanho da história). Não foi fácil escolher, pois queria atores os mais próximos possíveis de como eu imagino meus personagens. Ainda levei em conta a etnia (quis que todos que interpretariam personagens do clã da Espada tivessem traços asiáticos, e os do clã Dragão tivessem traços latinos, por exemplo). E tentei pegar uns atores bons, pelo menos para personagens importantes. Depois de muito pensar, cheguei a este resultado.

Nota: nomes marcados com um asterisco * são personagens com capítulos POV.



Benedict Cumberbatch como Myrv’\Lyuzäk*

Lyuzäk é o líder da Trupe Celestial, uma gangue de treze mercenários (codinome: Mestre, tatuagem: cristal. Sim, todo membro da Trupe tem um codinome e uma tatuagem, representando um dos treze signos). Seu verdadeiro nome é Myrv’khuf e descobre-se logo no começo que ele é um dos Emissários do Caos, ou seja, um subordinado de uma entidade conhecida apenas como Mestre do Caos ou Grande Mestre (leia o prólogo da história). Mas ele tem sua lealdade testada quando começa a se envolver com os humanos, especialmente quando adota uma para ser sua filha.

Sua afinidade mágica é extensiva\espiritual\elemental (telecinesia, manipulação de energia mecânica, cura espiritual, envenenamento espiritual, pirogênese, manipulação térmica). Espécie: sabe-se apenas que não é humano, mas se disfarça de um. Continuar lendo

As crônicas de Erys – capítulo 2

Como eu sou muito lesado, da última vez que eu postei um capítulo do meu livro, eu postei o capítulo 3, dizendo ser o capítulo 2. Para remediar este mal, agora sim eu postarei o verdadeiro capítulo 2. Espero que gostem 🙂

Leiam os outros capítulos

Prólogo

Capítulo 1

Capítulo 3


Capítulo 2 – O bêbado, o feiticeiro e a pupila

Barhend estava sentado no canto mais escuro da Taberna do Dragão Solitário, numa mesa ao fundo do salão, quase escondido na penumbra. A noite era fria, mas o ar ali era caloroso. De onde estava, via todo o recinto. Na mesa mais próxima, um casal comia em silêncio uma refeição simples. Poderiam ser pai e filha, não fosse tão distintos fisicamente. O homem era alto e magro, pele pálida e cabelos pretos desgrenhados. Trajava roupas escuras e um casaco negro. Aparentava ter meia idade. Já a garota devia ter uns nove ou dez anos. Era baixa e tinha os traços do Dragão: pele morena e cabelos castanho avermelhados.

As outras mesas estavam apinadas de camponeses e peões que trabalhavam nas plantações dos campos quase inférteis da região. A taberna estava movimentada, e Barhend observou por alguns instantes o andar macio de Kassandry, a taberneira, bailando entre as mesas. Um grupo de músicos se preparava para subir ao palco, enquanto um bardo solitário tomava um drinque no balcão. O cheio de álcool e suor impregnava no ar, assim como o sabor seco da poeira do deserto.

Eram quatro músicos: um trazia a rabeca, outro um violino e o terceiro se encarregava de um tamborete. A quarta era uma dama jovial, que ergueu sua mão e, quando se fez notar por todos na taberna, falou: Continuar lendo

[Resenha] Brasil cyberpunk 2115 #2 – Recall

Obra:Brasil Cyberpunk 2115 #2 – Recall

Autor: Rodrigo Assis Mesquita

Editora: publicação independente

Gênero: cyberpunk

Sinopse:

As pessoas recebem um chip de identidade ao nascer. Em 2115, uma corporação lança androides indistinguíveis de humanos. O Governo contra-ataca e adota um recall para monitorar os cidadãos. “Sem chip, sem direitos”. Hel, em dúvida da sua humanidade, envolve-se em uma conspiração que pode resultar na mudança de política ou na própria morte.

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Vejam só outra capa linda da Gaby Firmo ❤

Este livro é o segundo volume da série Brasil cyberpunk, do Rodrigo de Assis Mesquita. Leia a resenha da primeira novela da saga aqui.

Bem, como está dito aí na sinopse, a trama começa quando o governo lança a campanha de recall, já que agora há androides muito parecidos com humanos, e esta é uma maneira de diferenciar os dois. A primeira observação que faço aqui é essa inversão de valores no texto. Na história, quem tem os chips são os humanos e não os androides. Na verdade, vai mais além. Graças aos amelhoramentos os humanos do universo de Brasil cyberpunk é que parecem ser os seres artificiais. Achei muito boa essa brincadeira de conceitos que o Rodrigo fez. A obra, de fato, é está cheia de críticas inteligente e bem-humoradas à nossa sociedade atual. Continuar lendo