[Conto] A Passagem ou (A morte por dois pontos de vista)

Esse é um texto um pouco antigo, escrito na época que fiz o curso de escrita criativa com o Rodrigo van Kampen. Espero que gostem.

 

A Passagem ou (A morte por dois pontos de vista)

Acordei com uma trucidante dor no peito. Meu corpo inteiro tremia e minha garganta estava entalada. Meus olhos captavam nada, exceto uma brancura infinita. Tudo que chegava aos meus ouvidos era um chiado constante. Levantar foi uma tarefa mais difícil que imaginara. Meu coração parecia uma britadeira.

Naquele cenário branco sem fim, avistei um birô e um ser atrás dele. Caminhei até lá. O homem parecia um monge beneditino pálido, mas a túnica era de um púrpura berrante. Ele lia um livro cuja capa era completamente negra, mascava um chiclete azul e ouvia algo nuns fones de ouvido.

— Olá? — eu disse. — Poderia me dizer onde estou e…

— Você morreu — o homem respondeu, desviando o olhar apenas um pouco do livro. — Ataque cardíaco, no meio de um churrasco. Assine aqui. Continuar lendo

Indicação da semana | [Música] Mazzy Star

Resolvi criar uma nova coluna aqui no blog, a fim de aumentar a frequência das publicações. A partir de hoje, todo domingo teremos a Indicação da semana. A ideia é recomendar, toda semana, alguma coisa. Vale qualquer coisa: música, filme, livro, série, anime, HQ, mangá, blog, vídeo, documentário, etc. A ideia surgiu de uma ideia antiga que tentei por em prática no blog, mas não vingou: a Newsletter. Dava muito trabalho escrevê-la toda semana. Porém, uma simples indicação é algo rápido e simples.

Portanto, sem mais delongas, vamos à sugestão desta semana.

Abrindo com chave de esta coluna, temos a banda de rock alternativo Mazzy Star. Ela foi fundada em 1989, em Santa Monica, California. Segundo a Wikipedia, o estilo da banda varia entre folk, dream pop e neo-psicodelia. Não importa os rótulos, o fato é que eu gosto do estilo deles. E, principalmente, da voz da vocalista, Hope Sandoval. É um das mais belas vozes que já ouvi. Recomendo os álbuns So tonight that I might see e Among my swan. Continuar lendo

Fulano & seus sicranos

Escolher o nome de uma banda deve ser um dos maiores desafios para quem está querendo montar uma. O nome é seu cartão de visitas, e como tal deve ser interessante, chamar a atenção de alguma forma. Dar nomes de bandas é uma arte. E, como toda arte, ela tem seus padrões e vertentes.

Um desses padrões é o que eu apelidei de Fulano & seus sicranos. Talvez isso toque uma campanha em sua cabeça. Talvez você lembre de uma banda de rock brasileira chamada Renato e seus Blue Caps. Originalmente essa banda se chamava Bacaninhas do Rock da Piedade, mas alguém, muito sabiamente, sugeriu mudar para Renato e seus Blue Caps. O nome é inspirado na grupo Gene Vincent and the Blue Caps, cujos sucessos incluem Be-Bop-A-Lula, Unchained melody e Over the rainbow.

É claro que essas não são as únicas bandas cujo nome segue este paradigma “líder do grupo” + “algo inusitado\curioso”. Eis uma seleção de alguns grupos musicais com este padrão.

Mike and The Mechanics

É uma banda de pop rock inglesa fundada em 1985 por Mike Rutherford (guitarrista da banda Genesis). Emplacaram o hit Over my shoulder em 1994. Se você nunca ouviu essa baladinha dançante você não vive na Terra.

KC and The Sunshine Band Continuar lendo

Quem interpretaria os personagens do meu livro no cinema?

Para quem não sabe, estou participando do NaNoWriMo este ano. A escrita anda num ritmo meio lento, e acho que não vou atingir a meta a tempo, mas sem problemas. Pois bem, mas está rolando um desafio diário. A princípio o desafio consiste em postar fotos no Instagram referentes ao tema proposto no dia, mas eu estou postando no meu Facebook mesmo. O desafio do dia de hoje, porém, merece uma postagem no blog.

Desafio do dia 22: quem interpretaria seu protagonista em um filme?

Meu livro tem vários protagonistas. Mesmo se eu escolhesse um, não ia ficar legal, pois todos são relevantes. Então resolvi apelar e fazer logo o cast completo de uma possível adaptação do meu livro para o cinema (se bem que uma série com uns 10 episódios é mais apropriado, dado o tamanho da história). Não foi fácil escolher, pois queria atores os mais próximos possíveis de como eu imagino meus personagens. Ainda levei em conta a etnia (quis que todos que interpretariam personagens do clã da Espada tivessem traços asiáticos, e os do clã Dragão tivessem traços latinos, por exemplo). E tentei pegar uns atores bons, pelo menos para personagens importantes. Depois de muito pensar, cheguei a este resultado.

Nota: nomes marcados com um asterisco * são personagens com capítulos POV.



Benedict Cumberbatch como Myrv’\Lyuzäk*

Lyuzäk é o líder da Trupe Celestial, uma gangue de treze mercenários (codinome: Mestre, tatuagem: cristal. Sim, todo membro da Trupe tem um codinome e uma tatuagem, representando um dos treze signos). Seu verdadeiro nome é Myrv’khuf e descobre-se logo no começo que ele é um dos Emissários do Caos, ou seja, um subordinado de uma entidade conhecida apenas como Mestre do Caos ou Grande Mestre. Mas ele tem sua lealdade testada quando começa a se envolver com os humanos, especialmente quando adota uma para ser sua filha.

Sua afinidade mágica é extensiva\espiritual\elemental (telecinesia, manipulação de energia mecânica, cura espiritual, envenenamento espiritual, pirogênese, manipulação térmica). Espécie: sabe-se apenas que não é humano, mas se disfarça de um. Continuar lendo

[Resenha] Brasil cyberpunk 2115 #2 – Recall

Obra:Brasil Cyberpunk 2115 #2 – Recall

Autor: Rodrigo Assis Mesquita

Editora: publicação independente

Gênero: cyberpunk

Sinopse:

As pessoas recebem um chip de identidade ao nascer. Em 2115, uma corporação lança androides indistinguíveis de humanos. O Governo contra-ataca e adota um recall para monitorar os cidadãos. “Sem chip, sem direitos”. Hel, em dúvida da sua humanidade, envolve-se em uma conspiração que pode resultar na mudança de política ou na própria morte.

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Vejam só outra capa linda da Gaby Firmo ❤

Este livro é o segundo volume da série Brasil cyberpunk, do Rodrigo de Assis Mesquita. Leia a resenha da primeira novela da saga aqui.

Bem, como está dito aí na sinopse, a trama começa quando o governo lança a campanha de recall, já que agora há androides muito parecidos com humanos, e esta é uma maneira de diferenciar os dois. A primeira observação que faço aqui é essa inversão de valores no texto. Na história, quem tem os chips são os humanos e não os androides. Na verdade, vai mais além. Graças aos amelhoramentos os humanos do universo de Brasil cyberpunk é que parecem ser os seres artificiais. Achei muito boa essa brincadeira de conceitos que o Rodrigo fez. A obra, de fato, é está cheia de críticas inteligente e bem-humoradas à nossa sociedade atual. Continuar lendo

[Newsletter] #03 – Lost, easter eggs, Star Wars e um desafio

Ponto de Acumulação

(de ideias, fatos e pensamentos)

 

O que repousa na sombra da estátua? (ou porque resolvi me tornar escritor)

Todo viciado possui sua droga de entrada. Aquela que lhe introduziu no mundo dos vícios. Não importa qual seja o vício, é certo que houve o primeiro. No caso do meu vício em séries de TV, minha porta de entrada foi Lost. E foi por causa deste seriado que resolvi me tornar escritor.

Lost não é a melhor série que já foi produzida. Mas ela foi um grande marco. Pioneira. Merece algum crédito. Seu problema é que os roteiristas se perderam (sim, o trocadilho foi intencional; sim, foi um trocadilho ruim). Mas apesar dos pesares, eu gostei. Não direi que não gostei do final, mas ao contrário de muita gente com quem conversei, ele pareceu bem claro para mim.

O motivo para eu apreciar tanto esta série é certamente o mesmo de ela ter feito tanto sucesso. É o fato de a trama ser recheada de mistérios. Mistérios atiçam a curiosidade. Atiçaram a minha. Atiçaram a milhões de fãs mundo a fora. Queríamos saber o que vinha depois; queríamos entender que p&@* estava acontecendo naquela ilha. Simples assim. Os caras sabiam como prender nossa atenção. Os fãs eram tão obcecados com a trama que discutiam teorias em fóruns na internet. (Eu era mais o cara que lia as teorias, mas tudo bem.) Continuar lendo

[Newsletter] #01 – Watchmen, Hunter x Hunter e o último teorema de Fermat

Olá, pessoal! Esta última semana foi bem tensa para mim, devido a duas listas que tinha que entregar (para quem não sabe, eu faço doutorado em matemática). Na verdade, creio que este semestre inteiro será difícil (até mesmo minhas leituras estão comprometidas, o que significa menos resenhas).

Pensado em um meio de não deixar o blog morrer e inspirado nas versões do Rodrigo e do Thiago, resolvi criar minha própria newsletter. Ou pelo menos, algo similar a uma. Tentarei fazer postagens semanais com pequenos textos curtos (ou não) sobre assuntos diversos. A ideia é seguir a filosofia do blog, ou seja, falar sobre quase tudo, especialmente cultura pop (e matemática).

Essa postagem funcionará mais como uma versão beta da coisa. Diferentemente das versões de meus colegas escritores e blogueiros, não irei pedir para se inscreverem na minha newsletter, nem pedirei seu e-mail ou algo do gênero. A princípio. Com o tempo, observando o andar da carruagem, veremos isso. Continuar lendo

[Conto] Quarenta e dois

Olá, pessoal! Hoje trago a você um conto que escrevi ano passado, a pedido da galera do Clube de Autores de Fantasia. Isso foi por ocasião do Dia da Toalha, que queríamos comemorar em grande estilo. Entre outras coisas, rolou este conto, o qual me diverti muito escrevendo. Ele foi postado originalmente no site do CAF e depois no Wattpad. Mas como meu amigo Ariel Ayres (um grande fã de Adams) nunca o leu, resolvi revisá-lo (a revisão estava horrível) e postar aqui no blog. Agora não tem desculpa para não lê-lo, Ariel.

Bem, é isso. Espero que gostem. Ah, aviso logo que vai ser textão (7.467 palavras). Apertem os cintos, pois vamos ligar nosso motor de improbabilidade infinita.

Quarenta e dois

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Encontro marcado, no Milliways

Existe uma teoria que diz que se uma dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo, e porque ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.

E existe ainda uma terceira teoria, defendida por um jovem físico da conceituada Universidade de Maximegalon, que diz que isso acontece toda quinta-feira, na hora do almoço.

Não que a hora do almoço seja um conceito absoluto. Na verdade, a hora do almoço é algo tão irreal e mutável quando a inflação ou a dívida externa. O que realmente importa, e os Frades Almoçadores de Voondon já sabiam disso, não é quando mas onde o almoço é feito. Estudiosos do Departamento de Cybercultura, Desing Exterior e Retropsicologia Reversa da Universidade de Maximegalon, após anos de estudos de campo pesados e sérios feitos em festas nas casas de praia de Santraginus V regadas à Dinamite Pangalática, chegaram à conclusão de que:

a) Do ponto de vista puramente fisiológico, filosófico, sociológico ou metafísico, não interessa quando a refeição é feita desde que

b) Seja feita em restaurantes ricamente decorados, com garçons-robôs altamente educados e com direito à um showzinho de cortesia.

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[Resenha] Promessas antigas

Olá, pessoal!

Hoje trago mais uma resenha para vocês, de um autor que já é quase frequentador de carteirinha aqui no blog: Lauro Kociuba. Já resenhei dois de seus livros, que se passam no universo de Alvores (confiram aqui e aqui). Outra autora nacional que já teve sua obra resenhada foi a Janayna Bianchi, com seu Lobo de Rua, novela do universo da Galeria Creta.

Mas ei, porque estou falando da obra da Jana mesmo, se a resenha é do conto do Lauro? Simples: porque este conto é na verdade um crossover dos dois universos! Isso mesmo, Alvores e Galeria Creta juntos em um mesmo conto. Por n razões (a principal é inconsistência) tenho receio de crossovers, mas este é maravilhoso. Sem mais delongas, vamos à resenha.

Obra:Promessas antigas: um conto Alvor na Galeria Creta

Autor: Lauro Kociuba

Editora: publicação independente (ebook disponível na Amazon)

Gênero: Fantasia urbana

Número de páginas: 46

Sinopse:

Quando um autor meio maluco resolve invadir, sem nenhuma delicadeza, o universo literário alheio, o que pode acontecer? O que, o que, o que?

Alvores na Galeria Creta, um conto que ficou meio grandinho, grandinho mesmo, mas absolutamente agradável de fazer (e ler quem sabe, não é? É sim). Vocês vão acabar me conhecendo (me chamo Elvis, aqui ao menos, é sim). Vão acompanhar minha jornada absolutamente fantástica e grandiosa, com doses de heroísmo e honradez imensas! Imensas, imensas, imensas. Tive que viajar à São Paulo, voltando à Galeria Creta depois de trinta anos para cumprir uma promessa. Porque eu sempre cumpro, sempre, sempre, sempre.
Regado à referências musicais dos anos 80, uma dose de humor ácido, um sabor agridoce no fundo da língua e alguns outros desejos, esse é o conto Promessas Antigas.

E não, não é necessário ter lido nada de nenhum dos dois universos ou dos dois autores, não mesmo. Mas, é uma oportunidade imensa para começar a conhecer, não é? Com certeza.

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10 motivos para você assistir Battlestar Galactica

Olá pessoal!

Rumores recentes indicam que um filme de Battlestar Galactica pode estar sendo produzido pela Universal e os fãs (e isso inclui esta pessoa que agora vos fala) estão eufóricos. Na minha opinião, Battlestar Galactica é um dos melhores shows de TV de todos os tempos e este artigo é uma tentativa de mostrar meu ponto. Não direi que BSG é perfeito. Há erros de roteiro e alguns dos mistérios não foram completamente elucidados no final. Mesmo assim eu acho é uma série que vale a pena assistir. E agora que há a possibilidade de um filme, porque não dar uma chance a este seriado e fazer uma maratona?

Esse texto foi escrito pensando mais no leitor que nunca assistiu ou ainda está no começo da série. Haverá alguns spoilers aqui ou acolá, mas como eu sou gente boa, indicarei precisamente o momento em que começa e termina o spoiler, bem como a temporada correspondente.

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Poster da série

Vamos começar do começo. Battlestar Galactica é uma série de ficção exibida pela Syfy, entre 2004 e 2008. Ela é na verdade um remake de uma série dos anos 70. A série original tentou pegar carona no sucesso de Star Wars. Eu nunca assisti a original, apenas o remake, mas pelo que li, a produção mais recente é muito melhor. E bem, independente da série antiga, a nova é muito boa por si só e no final eu espero tê-lo convencido a assisti-la.

A série em si é precedida por uma minissérie com dois longos episódios, exibida em 2003. Continuar lendo