[Resenha] Mantenha o sistema

Olá, pessoal. Hoje trago mais uma resenha, desta vez de um livro pouco conhecido do mestre Orwell.  Sou fã do autor desde A revolução dos bichos e 1984. E fazia tempo que Mantenha o sistema estava na minha lista de leitura.

 

Obra: Mantenha o sistema

Autor: George Orwell

Editora: Itatiaia

Gênero: Drama

Número de páginas: 256

matenha o sistema

O livro é uma crítica descarada e pesada ao consumismo e ao capitalismo, cheio de reflexões sociais. O protagonista, Gordon Comstock, é um vendedor de livros e escritor fracassado que declarou guerra ao dinheiro. Diante do dilema moral da sociedade moderna (aderir ao sistema ou seguir seus ideais e fazer o que gosta) Gordon escolheu viver com pouco dinheiro. Tinha um “bom emprego”, rentável, numa companhia de marketing, mas largou tudo para tentar publicar livros, e acabou mofando em uma livraria. Assim encontramos nosso protagonista no primeiro capítulo. A trama do livro gira torno da questão: conseguirá Gordon atingir seus objetivos sem sucumbir ao deus do dinheiro?

A escrita de Orwell não é grande coisa, mas é precisa e direita. Os diálogos soam bem artificiais, mecânicos, sem graça. O autor os utiliza como ferramenta para passar suas ideologias. Orwell também usa e abusa da voz do narrador para esse propósito. Isso torna o livro pouco sutil, jogando na cara do leitor a mensagem principal. Mas não é um erro grave aqui.

O ponto alto, justamente o que adoro nos livros de Orwell, é o arco do protagonista. O autor sabe trabalhar o drama deles, e que drama, senhores. Orwell, como sempre, não tem pena de fazer o protagonista sofrer a afundar cada vez mais, com breves momentos de alívio. E tudo que acontece é muito coerente.

Eu sempre elogio o final dos livros do Orwell, pois são os melhores. O final de Mantenha o sistema, porém, deixou a desejar. Certamente é coerente com a trama, mas não é nada memorável. Isso porém não tira o brilho da obra. Apenas minhas expectativas que não foram atendidas.

 

Veredito final: para todos aqueles que pretendem declarar guerra contra o dinheiro.

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[Resenha] O castelo das águias

Estou devendo várias resenhas aqui no blog. Li vários livros este ano, resenhei poucos. Pretendo remediar essa situação. Por isso, hoje trago minhas impressões sobre mais uma fantasia nacional.

Obra: O castelo das águias (Athelgard #1)

Autor: Ana Lúcia Merege

Editora: Draco

Gênero: Fantasia

Número de páginas: 191

Sinopse:

O Castelo das Águias é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual. Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo. Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

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O castelo das águias é uma daquelas obras gostosas de ler, pois a escrita é leve e fluída, e a narradora é encantadora. Acompanhamos a história de Anna de Bryke, a mais nova Mestre de Sagas da Escola de Artes Mágicas de Vrindavahn. Qualquer sentimento que isso possa lhe invocar devido à Harry Potter é completamente dispensável. O que temos aqui é uma trama mais madura, contada pelo ponto de vista de uma jovem professora. Não que HP seja ruim, pelo contrário. Mas o tom dado pela autora aqui é diferente, mais pé no chão. Continuar lendo

[Resenha] Ardil-22

Olá, pessoal! Hoje trago nova resenha aqui no blog. Trata-se do clássico, porém pouco conhecido, romance de Joseph Heller, Ardil 22.

Obra: Ardil-22

Autor: Joseph Heller

Editora: BestBolso

Gênero: romance satírico

Páginas: 560

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O livro é ambientado na segunda guerra, e nele acompanhamos a saga do capitão Yossarian, um bombardeador da Força Aérea Americana. Este livro consagrou o autor, Joseph Heller, e a história é inspirada livremente em sua experiência pessoal durante a guerra. A trama se desenrola, na maior parte, na ilha de Pianosa, onde se localiza o acampamento do esquadrão de Yossarian. Continuar lendo

[Resenha] A mão esquerda da escuridão

Olá, pessoal. Hoje trago a primeira postagem do ano. Uma resenha de um livro que deveria ter finalizado a leitura em 2016, mas só o fiz agora no início de 2017. Bem, antes tarde do que nunca 🙂

Obra: A mão esquerda da escuridão

Autor: Ursula K. Le Guin

Editora: Aleph

Gênero: Ficção científica

Número de páginas: 292

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“O que é um amigo num mundo onde qualquer amigo pode ser um amante quando muda a fase da lua?”

Esta, para mim, foi a frase mais marcante deste que é um dos mais espetaculares livro que já li e sintetiza bem todo o conflito antropológico da trama. A mão esquerda da escuridão é, antes de tudo, uma reflexão sobre gênero e como a nossa sociedade é moldada a partir da dualidade masculino\feminino. Continuar lendo

[Resenha] O feiticeiro – volume 1: O estrangeiro

Olá, pessoal! Hoje trago mais uma resenha de um livro nacional. Conheci o trabalho da Má Matiazi através do Catarse e resolvi apoiar. Finalmente arranjei tempo para ler.

Obra:O feiticeiro – volume 1: O estrangeiro

Autor: Má Matiazi

Editora: Espectral edições

Gênero: Fantasia medieval

Número de páginas:480

o-feiticeiro

Pois bem, o livro conta a história de Andy Mideline. Em seu mundo comum, ele vive em uma pequena aldeia em um reino distante, afastado das grandes cidades e reinos. Nota-se, logo no início, que ele é especial, sendo sensível à magia. Ele é o sétimo filho de seus pais, e vive bem e feliz com eles e seus dez irmãos. Seu pai, porém, esconde um grande segredo, e pouco fala sobre suas origens nebulosas.

Então, como toda boa aventura, acontece o chamado à aventura. Andy descobre ser o herdeiro do trono do reino de Elderwood e vê-se forçado a deixar a família para morar em uma terra distante e desconhecida. Daí, eu imagino, o nome deste primeiro volume. Mesmo sendo o futuro soberano do reino, Andy sente-se um estrangeiro naquelas terras, longe da família e de seus costumes, tendo ainda que aturar uma relação conturbada com seu avô, o rei Lucius III. Há ainda outros aspectos que talvez expliquem o título ‘o estrangeiro’, mas não vou falar para evitar spoilers. Continuar lendo

[Resenha] Brasil cyberpunk 2115 #2 – Recall

Obra:Brasil Cyberpunk 2115 #2 – Recall

Autor: Rodrigo Assis Mesquita

Editora: publicação independente

Gênero: cyberpunk

Sinopse:

As pessoas recebem um chip de identidade ao nascer. Em 2115, uma corporação lança androides indistinguíveis de humanos. O Governo contra-ataca e adota um recall para monitorar os cidadãos. “Sem chip, sem direitos”. Hel, em dúvida da sua humanidade, envolve-se em uma conspiração que pode resultar na mudança de política ou na própria morte.

recall
Vejam só outra capa linda da Gaby Firmo ❤

Este livro é o segundo volume da série Brasil cyberpunk, do Rodrigo de Assis Mesquita. Leia a resenha da primeira novela da saga aqui.

Bem, como está dito aí na sinopse, a trama começa quando o governo lança a campanha de recall, já que agora há androides muito parecidos com humanos, e esta é uma maneira de diferenciar os dois. A primeira observação que faço aqui é essa inversão de valores no texto. Na história, quem tem os chips são os humanos e não os androides. Na verdade, vai mais além. Graças aos amelhoramentos os humanos do universo de Brasil cyberpunk é que parecem ser os seres artificiais. Achei muito boa essa brincadeira de conceitos que o Rodrigo fez. A obra, de fato, é está cheia de críticas inteligente e bem-humoradas à nossa sociedade atual. Continuar lendo

Meus microcontos escambau

Olá, pessoal! Para que não sabe, a galera do site Escambau organizou mês passado o I Prêmio Escambau de Microcontos. Funcionava assim: todo dia eles sorteavam uma palavra diferente, e os participantes deveriam escrever um microconto de até 300 caracteres (com espaço) com tal palavra. Toda semana acontecia uma votação e os melhores microcontos eram selecionados.

Eu participei, com pelo menos um conto todo dia. Para mim, foi uma experiência muito boa. Escrever microcontos é um esporte completamente diferente. Exige um poder de síntese muito grande. Tocar o leitor com poucas palavras é complicado. Mas eu fiz, e teve uns microcontos meus que gostei muito. Outros nem tanto. E foi legal ver mais gente engajada, postando textos muito bons. Eram mais de cem microcontos por dia!

Para comemorar o fim deste mês micro-literário, resolvi postar aqui todos os microcontos que escrevi para o desafio. Alguns dias cheguei a postar mais de um, pois a imaginação estava à todo vapor. Alguns microcontos estão conectados. Vide, por exemplo, os microcontos do dia 03 e do dia 26, ou dia 13 e dia 26 . Aliás, muitos deles contam um pouco da vida de Ana, uma personagem que acabei inventando durante o desafio.

Então vamos lá!


Semana 1

(veja o top 35 da primeira semana)

PALAVRA DO DIA 02/10/16: Piloto

Acordar. Escovar os dentes. Vestir-se. Pegar o ônibus. Labutar feito cão. Socializar. Forçar um sorriso. Almoçar. Encarar a hora do rush. Chegar em casa cansado. Jantar. Dormir. Sonhar.

Liga teu piloto automático e finge que é feliz. Continuar lendo