[Poesia] Plot twist

Mais uma de minhas tentativas falhas de poesia hahaha

Plot twist

Oh! Vento frio vespertino

Inesperado neste dia de verão

Por minha janela passa ladino

Sem a minha permissão

Qual brisa noturna, sussurrante

Aos meus pelos todos arrepio trás

Com seu toque suave de amante

Oh! plot twist! – murmura com voz sagaz:

Poeta tu não és, tolo sonhador

Larga a pena e deixa de enrolação

E respondo, a voz em furor

Oh! vento maroto e gozador

Em vez de me trazer críticas

Me sopre a inspiração!

O mundo segue adiante

Pois é, eu estava lá, de boa, na parada do ônibus. Havia dois senhores de idade conversando sobre a cidade. Não lembro exatamente suas palavras, mas um perguntava por locais e construções que eu não me atinava de sua existência. O outro respondia que tais locais já não mais existiam. Se perderam nas brumas do tempo. Se foram, foram substituídas por outras construções.

“Bons tempos, aqueles” quase ouvi o outro responder, mas não chegou a proferir tais saudosas palavras. Mas ouso dizer que ele pensou, ah se pensou.

Fiquei então a refletir o quanto nossas existências são vãs e finitas. E mutáveis.

Imaginei então um senhor de oitenta anos de idade, voltando para Fortaleza depois passar sua vida quase inteira no exterior. Reencontrando velhos amigos e conhecidos ou mesmo desconhecidos e relembrando os velhos tempos.

– E o Mercado São Sebastião, ainda existe?

– Ih, que nada! Foi demolido em 2042. Agora é um shopping.

– E o Terminal do Antônio Bezerra?

– Tá sabendo não? Foi reformado em 2036 virou estação de metrô. Depois foi demolido quando o Metrofor faliu em 2054.

– Ié, a moda agora são os Maglev.

– Ih, compadre, mas essas coisas modernas num chegaram aqui ainda não. Isso é modo do pessoal lá do sul. O metrô faliu por incompetência do governo mesmo.

Ié, sai – ele pensou saudosamente – o mundo seguiu adiante. Ele sempre segue adiante.