[Resenha] Guerras Cthullu

Obra: Guerras Cthullu

Autor: vários autores

Editora: publicação independente (disponível na Amazon)

Gênero: terror cósmico

Número de páginas: 230

cthullu

Como um fã do legado de H.P. Lovecraft, e um apoiador da literatura fantástica nacional, eu não poderia deixar de conferir Guerras Cthulhu. Adorei a leitura. Os quatro contos são bem distintos um do outro, deixando bem claro que temos aqui quatro autores de estilos próprios.

Mas algo que me chamou a atenção, e não poderia deixar de mencionar, é o esmero que eles tiveram com a pesquisa (pelo menos nos três primeiros contos). Nota-se isso facilmente ao observamos as notas de rodapé no final, explicando vários termos e elementos inseridos ao longo das histórias. Os autores realmente se preocuparam em escrever tramas complexas, orgânicas, com uma riqueza de detalhes impressionante. A quantidade de referências é enorme, algo que deixaria o Capitão América orgulhoso (inclusive uma referência a Nietzsche que me fez dar um sorriso espontâneo). Os autores se mantiveram fieis aos mitos de Cthulhu, mas também não perderam o senso de realidade, quando necessário.

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[Resenha] A Chave do Monarca Azul

Obra: A chave do Monarca Azul

Autor: Bruno Moraes

Editora: publicação independente (por financiamento coletivo, via Catarse)

Gênero: horror cósmico\terror psicológico

Número de páginas: 195

Sinopse:

“65 em cada 100 crianças tem um amigo imaginário até os 7 anos de idade. 1 adulto em 7 bilhões descobre que o seu é real”

A história segue um autor de terror best seller , consagrado no cenário da ficção nacional como um dos maiores de sua geração. Às vésperas do lançamento do seu quarto romance, porém, ele recebe em casa uma correspondência que não havia encomendado. Era uma caixa. E o remetente se identificava como “Arlequim”, a entidade-pesadelo que o visitava em sua infância. E se ninguém mais sabe a respeito desta história, poderia o remetente estar falando a verdade?

Olá, pessoal! Aqui estamos com mais uma resenha para o blog. O livro de hoje é mais uma publicação de um autor independente e iniciante. O gênero é horror cósmico, mas eu diria que é mais que isso. Você entenderá quando ler o livro.

Para começar, quem é esse Monarca Azul? Além de ser uma referência ao Rei de Amarelo (pelo menos eu acho que é, um dia eu pergunto ao autor se isso procede), o Monarca Azul é uma entidade cósmica que atormentava a vida de um garotinho de sete anos. Sim, entidade cósmica, estilo Lovecraft mesmo. O cara é um figurão assustador, com uma boca que mais parece um buraco negro e uma roupa que lembra um bobo da corte. Mas de engraçado ele não tem nada. Daí o moleque batizou o ser de “Arlequim” e tentou se convencer de que era apenas um amigo imaginário, do tipo que não é divertido. Continuar lendo

[Conto] O Devorador de Mentes

Este texto faz parte de um projeto que talvez se torne um livro algum dia. Ou talvez fique apenas no conto mesmo. Ainda não sei. Mas o conto está aqui. É um terror psicológico, mas bem leve. Espero que gostem.

O DEVORADOR DE MENTES

Primeiro ato: A lembrança

Por Renan Santos

Silêncio. Estática. Ruído. Escuridão. Medo.

***

A porra daquele porão era terrivelmente frio e escuro. Lara não se incomodava muito com o escuro. Era a porra do frio que não suportava. Era glacial. Cortante. Horripilante. Infernal.
Ela tremia, em parte por causa do frio, mas não era exatamente apenas isso. O frio era parte da tortura, mas não a pior parte, ela sabia. Isso é o que lhe causava calafrios: ela sabia que a coisa estava apenas começando e que sempre pode piorar. O maldito sempre sabia como tornar a situação pior.
Muito pior.

É preciso deixar bem claro que não era do escuro que ela tinha medo. Não, não era isso. A escuridão apenas tornava a sensação mais palpável. Mais real. Mas a escuridão em si não era nada. Perdera o medo do escuro antes mesmo dos dez anos. Ao contrário da maioria das crianças, ela se convenceu de que não existem monstros no escuro, a não ser o Medo. Este é o único monstro que realmente existe, e ele é terrível. Isso é o que Lara costumava acreditar.
Quando compreendeu melhor o mundo, a garota percebeu que o Medo não é de fato o único mostro. Existem outros; alguns bem reais. Os Humanos são os piores, mas mesmo os estes temem e veneram o Medo, pois ele é o Pai de todos eles. O mais antigo monstro que a humanidade conhece.
O fato é que Lara estava com medo, não do escuro, como já frisei, mas de si mesma. Por que ela descobriu que existe um monstro mais terrível que o Medo.
Ele atende pelo nome de Loucura. Continuar lendo